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sábado, 12 de março de 2022

Adelmar Tavares: Covardia

 
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Se ela bater de novo à minha porta,
arrependida, para o meu amor,
hei de dizer-lhe tudo quanto corta
minha alma, como um gládio vingador!...

O que vier desse gesto, pouco importa!
 Não se fez cega e surda à minha Dor?! 
Pois bem, nem mesmo se hoje a visse morta,
dar-lhe-ia a reverência de uma flor...

Mas, ai! batem de leve na janela.
Entram na sala... Sua voz... É tarde
para fugir de vê-la! Enfrento-a... É ela!

Hesito... Tremo... E sôfrego... aturdido,
caio nos braços seus como um covarde,
e me ponho a chorar como um perdido!...

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Adelmar Tavares da Silva Cavalcanti (1888 1963), pernambucano de Recife, formado pela Faculdade de Direito de Recife, foi advogado, professor, jurista, magistrado e poeta; ainda estudante em Recife, colaborou na imprensa como redator do Jornal Pequeno; mudando-se para o Rio de Janeiro, continuou sempre a colaborar com a imprensa e, além ter exercido a função de professor de Direito Penal na Faculdade de Direito da então capital federal, também ocupou vários cargos públicos na área da justiça e do direito; obras: Descantes — trovas (1907), Trovas e Trovadores (conferência, 1910), Miriam, luz dos meus olhos (poesia, 1912), A poesia das violas (poesia, 1921), Noite cheia de estrelas (poesia, 1923), A linda mentira (prosa, 1926), Poesias (1929), Trovas (1931), O caminho enluarado (poesia, 1932), A luz do altar (poesia, 1934), Poesias completas (1958) etc.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Adelmar Tavares: Paz da consciência

Resultado de imagem para Poesia Brasileira para a Infância Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito
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Paz da consciência: eis a única riqueza
Da tua vida de trabalhador.
Ela fará palácio da realeza
A cabana onde more o teu amor...

Teu dia será sempre de beleza.
Teu pão não travará * pelo amargor
De o teres arrancado à alheia mesa.
Pão de trabalho é pão que sabe a flor...

Nas boas horas de êxtase, de calma,
Verás teu pensamento em luz serena,
É um céu todo de estrelas na tua alma.

E, ao fundo do teu justo coração,
Como um campo verde, ao som da avena, **
Ovelhas muito brancas dormirão...

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Notas dos organizadores:
* Travar  Causar travo, amargor;
** Avena  Antiga flauta pastoril.
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Poesia Brasileira para a Infância (diversos autores), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista, 1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; Adelmar Tavares da Silva Cavalcanti (1888 1963), pernambucano de Recife, formado pela Faculdade de Direito de Recife, foi advogado, professor, jurista, magistrado e poeta; ainda estudante em Recife, colaborou na imprensa como redator do Jornal Pequeno; mudando-se para o Rio de Janeiro, continua sempre a colaborar com a imprensa e, além ter exercido a função de professor de Direito Penal na Faculdade de Direito da então capital federal, também ocupou vários cargos públicos na área da justiça e do direito; bibliografia: Descantes  trovas (1907), Trovas e Trovadores (conferência, 1910), Miriam, luz dos meus olhos (poesia, 1912), A poesia das violas (poesia, 1921), Noite cheia de estrelas (poesia, 1923), A linda mentira (prosa, 1926), Poesias (1929), Trovas (1931), O caminho enluarado (poesia, 1932), A luz do altar (poesia, 1934), Um telhado de andorinhas (1938), Poesias completas (1958) etc.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Álvaro Armando: Adelmar Tavares

Resultado de imagem para álvaro armando na berlinda
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A. T.

(ad imortalitatem)

Modesto, a vida no Jornal Pequeno
Começou em Recife. E passo a passo,
Foi na Imprensa ocupando mais espaço,
Na arte do verso a conquistar terreno.

A Fortuna tomou-o em meigo aceno,
Ao alto conduzindo-o pelo braço.
Juiz, em suas sentenças vê-se o traço
Do defensor da lei, justo e sereno.

Adelmar Tavares

Em “rimas” e “autos” vive o Juiz imerso.
Poeta, lê dos processos frente e “verso”,
Com a justeza do metro “pronuncia”

E magistrado na curul augusta,
Dá a poesia expressão humana e justa
E faz justiça como faz poesia.

Resultado de imagem para ABI Helena Ferraz de Abreu
Helena Ferraz, em evento na ABI
(na foto, a única mulher)
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Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando, Caricaturas de Théo e Apresentação-prefácio de Gondin da Fonseca, 1947, Editora Civilização Brasileira S. A., Rio de Janeiro — RJ; Álvaro Armando, pseudônimo de Helena Ferraz de Abreu (1906 1979), natural do Rio de Janeiro, foi escritora e jornalista; nascida Helena Marília Bastos Tigre (filha do poeta Bastos Tigre, a quem só veio a conhecer quando mocinha, proibida que fora por seus ‘dela’ familiares), já aos oito anos escrevia crônicas e poesias para o jornal manuscrito O Potoka; depois, criou o Correio Universal (suplemento semanal que circulava em dezenas de jornais espalhados pelo país), colaborou nos jornais Correio da Manhã (foi responsável pela coluna 'Pingos e Respingos'), O Jornal, dos Diários Associados, (escreveu a coluna ‘Janela Indiscreta’), O Globo (colunas diárias em ‘Humorglobinas’ e ‘Na Boca do Globo’), dirigiu A Cigarra Feminina (suplemento de A Cigarra), além de ter trabalhado em revistas de grande circulação nacional, como Careta e Manchete; Helena Ferraz também exerceu atividades em publicidade e em programas radiofônicos e televisivos (Rádio MEC, Rádio Globo e TV Tupi); satirizou figuras públicas da época; foi eleita a primeira mulher diretora na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e, até o fim da vida, dirigiu a Biblioteca Bastos Tigre; teria sido o uso do pseudônimo masculino, Álvaro Armando, que a pusera tão à vontade no exercício da poesia satírica, o que tornara possível uma extensa carreira em jornais de grande circulação e destaque no Brasil da época; bibliografia: Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando (ilustrações de Théo, 1947).

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Adelmar Tavares: A Gente Nunca Está Só

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A gente nunca está só.
Ou se está com uma saudade
De um sonho desfeito em pó;
Ou se está com uma esperança
De nova felicidade
No coração que não cansa…

Sempre uma sombra com a gente,
Constantemente,
Uma sombra… Boa… ou má…
Só é que nunca se está.

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Antologia de Poemas para a infância (diversos autores), Organização de Henriqueta Lisboa e Ilustrações de Dawidson França, 3ª edição, 2009, Ediouro Publicações, Rio de Janeiro — RJ; Adelmar Tavares da Silva Cavalcanti (1888 1963), pernambucano de Recife, formado pela Faculdade de Direito de Recife, foi advogado, professor, jurista, magistrado e poeta; ainda estudante em Recife, colaborou na imprensa como redator do Jornal Pequeno; ao mudar-se para o Rio de Janeiro, continua sempre a colaborar com a imprensa e, além ter exercido a função de professor de Direito Penal na Faculdade de Direito da então capital federal, também ocupou vários cargos públicos na área da justiça e do direito; bibliografia: Descantes —  trovas (1907), Trovas e Trovadores (conferência, 1910), Miriam, luz dos meus olhos (poesia, 1912), A poesia das violas (poesia, 1921), Noite cheia de estrelas (poesia, 1923), A linda mentira (prosa, 1926), Poesias (1929), Trovas (1931), O caminho enluarado (poesia, 1932), A luz do altar (poesia, 1934), Poesias completas (1958) etc.