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terça-feira, 20 de abril de 2021

Johann Wolfgang von Goethe: O pescador

 
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[traduzido por Leony de Oliveira Machado]

A água crescia em ímpetos, fremente...
À beira, um pescador
Olhava para a linha, indiferente,
Coração sem calor.
Enquanto, sentado, o anzol espreitava,
Uma onda se partiu
E da água movente em que se ocultava
Uma mulher surgiu.

Ela cantou e lhe falou assim:
“Por que queres má sorte
Para meus filhos? Por que, homem ruim,
Trazê-los para a morte?
Se soubesses quão feliz é o peixinho
Nos arcanos do mar,
Tu descerias comigo (adivinho)
E ensinar-te-ia a amar!

“Não reparaste ainda como se banham
A lua e o sol no mar?
Após, suas faces frementes não ganham
Outro brilho, ao voltar?
Não há, neste céu profundo, um desgosto
Com este azul claro e terno;
Será que não te atrai teu próprio rosto
Aqui pr’o orvalho eterno?”

A água crescia em ímpetos, fremente,
Molhando-lhe os pés nus;
Seu coração então tornou-se ardente
De desejos a flux...
Ela cantou, ela se fez ouvir,
E ele não resistiu:
Ela o chamou, ele também quis ir...
E ninguém mais o viu!

Goethe

Der Fischer

Das Wasser rauscht', das Wasser schwoll,
Ein Fischer sass daran,
Sah nach dem Angel ruhevoll,
Kühl bis ans Herz hinan.
Und wie er sitzt und wie er lauscht,
Teilt sich die Flut empor:
Aus dem bewegten Wasser rauscht
Ein feuchtes Weib hervor.

Sie sang zu ihm, sie sprach zu ihm:
»Was lockst du meine Brut
Mit Menschenwitz und Menschenlist
Hinauf in Todesglut?
Ach wüsstest du, wie's Fischlein ist
So wohlig auf dem Grund,
Du stiegst herunter, wie du bist,
Und würdest erst gesund.

Labt sich die liebe Sonne nicht,
Der Mond sich nicht im Meer?
Kehrt wellenatmend ihr Gesicht
Nicht doppelt schöner her?
Lockt dich der tiefe Himmel nicht,
Das feuchtverklärte Blau?
Lockt dich dein eigen Angesicht
Nicht her in ew'gen Tau?«

Das Wasser rauscht', das Wasser schwoll,
Netzt' ihm den nackten Fuss;
Sein Herz wuchs ihm so sehnsuchtsvoll
Wie bei der Liebsten Gruss.
Sie sprach zu ihm, sie sang zu ihm;
Da war's um ihn geschehn;
Halb zog sie ihn, halb sank er hin
Und ward nicht mehr gesehn.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia de Poetas da Língua Alemã (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Johann Wolfgang von Goethe (1749 1832), alemão de Frankfurt am Main (no antigo Sacro Império Romano-Germânico), teve na infância educação de múltiplas faces, formou-se em Direito, foi poeta, romancista, dramaturgo, diretor teatral, teórico de arte, filósofo, diplomata e funcionário do governo; Goethe realizou suas primeiras obras poéticas (canções e odes) ainda jovem; bibliografia: Die Laune des Verliebten (1768), Götz von Berlinchingen (1771 e 1773), Prometheus (1774), Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774), Clavigo (1774), Urfaust (Fausto Zero, 1775), Egmont (1775), Ifigênia em Táurides (1779), Torquato Tasso (1780), Xenien (em conjunto com Friedrich Schiller, 1796), O Aprendiz de Feiticeiro (1797), Hermann e Dorothea (1798), Die natürliche Tochter (18011803), Fausto (parte I, 1806), Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (1807), Teoria das Cores (1810), Aus meinem Leben Dichtung und Wahreit (De minha vida. Poesia e verdade, autobiografia, 18111833), Viagem à Itália (relatos autobiográficos, 18131817), West-östlicher Divan (1819, e versão ampliada em 1827), Fausto (parte II, publicação póstuma, 1832) e muitas outras publicações em poesia, prosa e para dramaturgia; o poeta fez parte de dois movimentos literários importantes na Alemanha, o romantismo e o expressionismo, e influenciou a literatura em todo o mundo.