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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Vicente de Carvalho: Desiludida

Nossos Clássicos: Vicente De Carvalho / Fausto Cunha
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Sou como a corça ferida
Que vai, sedenta e arquejante,
Gastando uns restos de vida
Em busca da água distante.

Bem sei que já me não ama,
E sigo, amorosa e aflita,
Essa voz que não me chama,
Esse olhar que não me fita.

Bem reconheço a loucura
Deste amor abandonado
Que se abre em flor, e procura
Viver de um sonho acabado;

E é como a corça ferida
Que vai, sedenta e arquejante,
Gastando uns restos de vida
Em busca da água distante.

Só, perdido no deserto,
Segue empós do seu carinho:
Vai se arrastando... e vai certo
Que morre pelo caminho.
(Rosa, Rosa de Amor  1902)

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Vicente de Carvalho — Poesia, Apresentação e Seleção de Fausto Cunha, Volume 81 da Coleção Nossos Clássicos, publicados sob a direção de Alceu Amoroso Lima, Roberto Alvim Corrêa e Jorge de Sena, 1965, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ; Vicente Augusto de Carvalho (1866 1924), paulista de Santos, bacharel pela Faculdade de Direito de São Paulo (USP SP), além de ter feito carreira na área da Justiça (advocacia, juizado e ministério estadual), foi jornalista, poeta e contista; escreveu e publicou Ardentias (1885), Relicário (1888), Rosa, Rosa de Amor (1902), Poemas e Canções (1908), Versos da Mocidade (1909), Verso e Prosa (1909), Páginas Soltas (1911), A Voz dos Sinos (1916), Luizinha (contos, 1924); é considerado por estudiosos da literatura brasileira um dos principais nomes do parnasianismo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Vicente de Carvalho: A Flor e a Fonte*

Da série: Poemas considerados clássicos nos meios acadêmicos e literários da língua portuguesa.
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"Deixa-me, fonte!" Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.

"Deixa-me, deixa-me, fonte!"
Dizia a flor a chorar:
"Eu fui nascida no monte...
"Não me leves para o mar."

E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.

"Ai, balanços do meu galho.
"Balanços do berço meu;
"Ai, claras gotas de orvalho
"Caídas do azul do céu!..."

Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Rolava, levando a flor.

"Adeus, sombra das ramadas,
"Cantigas do rouxinol;
"Ai, festa das madrugadas,
"Doçuras do pôr-do-sol;

"Carícias das brisas leves
"Que abrem rasgões de luar...
"Fonte, fonte, não me leves,
"Não me leves para o mar!..."

                  

As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor.
Rosa, Rosa de Amor,
 V - Cair das Folhas

* O nome do poema, originalmente, era  "Cair das Folhas". Em
sua "Apresentação", Fausto Cunha expõe que 'o título pareceu
sempre tão estranho, que terminou sendo alterado para "A Flor
e a Fonte" ', sem explicar quando nem por quem.
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Vicente de Carvalho  Poesia, Apresentação e Seleção de Fausto Cunha, Volume 81 da Coleção Nossos Clássicos, publicados sob a direção de Alceu Amoroso Lima, Roberto Alvim Corrêa e Jorge de Sena, 1965, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro  RJ; Vicente Augusto de Carvalho (1866 — 1924), paulista de Santos, bacharel pela Faculdade de Direito de São Paulo (USP  SP), além de ter feito carreira na área da Justiça (advocacia, juizado e ministério estadual), foi jornalista, poeta e contista; escreveu e publicou Ardentias (1885), Relicário (1888), Rosa, Rosa de Amor (1902), Poemas e Canções (1908), Versos da Mocidade (1909), Verso e Prosa (1909), Páginas Soltas (1911), A Voz dos Sinos (1916), Luizinha (contos, 1924); é considerado por estudiosos da literatura brasileira um dos principais nomes do parnasianismo.