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Sou como a corça ferida
Que vai, sedenta e arquejante,
Gastando uns restos de vida
Em busca da água distante.
Bem sei que já me não ama,
E sigo, amorosa e aflita,
Essa voz que não me chama,
Esse olhar que não me fita.
Bem reconheço a loucura
Deste amor abandonado
Que se abre em flor, e procura
Viver de um sonho acabado;
E é como a corça ferida
Que vai, sedenta e arquejante,
Gastando uns restos de vida
Em busca da água distante.
Só, perdido no deserto,
Segue empós do seu carinho:
Vai se arrastando... e vai certo
Que morre pelo caminho.
(Rosa, Rosa de Amor — 1902)
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Vicente de Carvalho — Poesia, Apresentação e
Seleção de Fausto Cunha, Volume 81 da Coleção Nossos Clássicos, publicados sob
a direção de Alceu Amoroso Lima, Roberto Alvim Corrêa e Jorge de Sena, 1965,
Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ; Vicente Augusto de
Carvalho (1866 — 1924), paulista de Santos, bacharel pela Faculdade
de Direito de São Paulo (USP — SP), além de ter feito carreira na
área da Justiça (advocacia, juizado e ministério estadual), foi
jornalista, poeta e contista; escreveu e publicou Ardentias (1885), Relicário (1888), Rosa, Rosa de Amor (1902), Poemas e Canções (1908), Versos da Mocidade (1909), Verso e
Prosa (1909), Páginas Soltas (1911), A Voz dos
Sinos (1916), Luizinha (contos, 1924); é considerado por
estudiosos da literatura brasileira um dos principais nomes do parnasianismo.