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sábado, 25 de novembro de 2023

Voltaire: Madrigal

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[traduzido por R. Magalhães Júnior]

(À princesa Úlrica, da Prússia)

Às vezes a realidade
Mescla-se à mentira mais grosseira!
Ontem sonhei ser, a noite inteira,
Imperador de excelsa majestade.
Eu vos amava e o confessava, a sério...
Despertei... Mas, ó deuses, em verdade,
Só perdi meu império...

Voltaire

A Madame la princesse Ulrique de Prusse

Souvent un peu de vérité
Se mêle au plus grossier mensonge:
Cette nuit, dans l’erreur d’un songe,
Au rang des rois j’étais monté.
Je vous aimais, princesse, et j’osais vous le dire!
Les dieux à mon réveil ne m’ont pas tout ôté:
Je n’ai perdu que mon empire.
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Antologia de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França, [111 autores e muitos tradutores], Organização e Prefácio de R. Magalhães Jr. e Introdução de Michel Simon, Clássicos de bolso Ediouro — nº 12126, sem data [1985 ?], Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Voltaire (1694 1778), ou François Marie Arouet, francês e parisiense, estudou com os jesuítas, foi escritor, ensaísta, polemista satírico e filósofo do Iluminismo francês; tornou-se conhecido literária e filosoficamente pelo seu pseudônimo; escritor prolífico, Voltaire produziu algumas dezenas de obras nas mais diversas formas literárias peças de teatro, poemas, romances, ensaios, textos científicos e históricos, milhares de cartas e panfletos; alguns de seus escritos: Édipo (peça teatral, 1715), La Henríade (poema épico, 1728), Cartas Filosóficas (Lettres philosophiques, 1734), Zadig ou la Destinée (1747), Poème Sur Le Désastre De Lisbonne (1756), Cândido ou o Otimismo (Candide, novela satírica, 1759), Tratado sobre a Tolerância (Traité sur la Tolérance, 1763), Dictionnaire philosofhique portatif (1764) etc.; por usar suas obras para criticar a Igreja Católica e o Absolutismo, os privilégios do clero e da nobreza, foi duas vezes preso.

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Voltaire: À Senhora du Châtelet

 
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[traduzido por Renata Cordeiro]

Se desejais que eu ame ainda,
Devolvei-me a era do amor;
A estes meus dias de sol-pôr
Dai, se possível a alva linda.

De onde o Amor tem real mansão,
Com o deus do vinho, e alindada,
O Tempo, que me enlaça a mão,
Aconselha-me a retirada.

Mas nos inflexíveis rigores
Nós achamos utilidade,
Quem nada aprende com a idade,
Recebe da idade só dores.

Pois deixemos à adolescência
Os loucos arrebatamentos.
Nós só vivemos dois momentos:
Que um seja dado à sapiência.

Quê! Para sempre me escapais,
Doidice, ilusão e ternura,
Dons do céu, que me consolais
Da vida cheia de amarguras!

Duas vezes devo morrer;
Deixar de ser amado e amante,
Frente à morte tão degradante
É nada deixar de viver.

Assim, a falta deplorava
Dos erros dos primeiros anos;
E, desejosa, lamentava
A minha alma os seus desenganos,

Então, vem do céu, generosa,
A Amizade e me dá guarida;
Ela era talvez tão maviosa
Quanto o Amor, mas com menos vida.

Tocado por coisa tão bela,
Sob a sua luz me abriguei,
E a segui; mas depois chorei
Por só poder seguir a ela.

Voltaire

À Madame du Châtelet

Si vous voulez que j’aime encore,
Rendez-moi l’âge des amours;
Au crépuscule de mes jours
Rejoignez, s’il se peut, l’aurore.

Des beaux lieux où le dieu du vin
Avec l’Amour tient son empire,
Le Temps, qui me prend par la main,
M’avertit que je me retire.

De son inflexible rigueur
Tirons au moins quelque avantage.
Qui n’a pas l’esprit de son âge,
De son âge a tout le malheur.

Laissons à la belle jeunesse
Ses folâtres emportements.
Nous ne vivons que deux moments:
Qu’il en soit un pour la sagesse.

Quoi! pour toujours vous me fuyez,
Tendresse, illusion, folie,
Dons du ciel, qui me consoliez
Des amertumes de la vie!

On meurt deux fois, je le vois bien:
Cesser d’aimer et d’être aimable,
C’est une mort insupportable;
Cesser de vivre, ce n’est rien.

Ainsi je déplorais la perte
Des erreurs de mes premiers ans;
Et mon âme, aux désirs ouverte,
Regrettait ses égarements.

Du ciel alors daignant descendre,
L’Amitié vint à mon secours;
Elle était peut-être aussi tendre,
Mais moins vive que les Amours.

Touché de sa beauté nouvelle,
Et de sa lumière éclairé,
Je la suivis; mais je pleurai
De ne pouvoir plus suivre qu’elle.
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Pequena Antologia de Poemas Franceses: De François Villon a Fernando Pessoa — Concepção, Seleção, Tradução e Notas de Renata Maria Parreira Cordeiro, 2002, Landy Livraria Editora e Distribuidora Ltda., São Paulo — SP; Voltaire (1694 1778), ou François Marie Arouet, francês e parisiense, estudou com os jesuítas, foi escritor, ensaísta, polemista satírico e filósofo do Iluminismo francês; tornou-se conhecido literária e filosoficamente pelo seu pseudônimo; escritor prolífico, Voltaire produziu algumas dezenas de obras nas mais diversas formas literárias peças de teatro, poemas, romances, ensaios, textos científicos e históricos, milhares de cartas e panfletos; alguns de seus escritos: Édipo (peça teatral, 1715), La Henríade (poema épico, 1728), Cartas Filosóficas (Lettres philosophiques, 1734), Zadig ou la Destinée (1747), Poème Sur Le Désastre De Lisbonne (1756), Cândido ou o Otimismo (Candide, novela satírica, 1759), Tratado sobre a Tolerância (Traité sur la Tolérance, 1763), Dictionnaire philosofhique portatif (1764) etc.; por usar suas obras para criticar a Igreja Católica e o Absolutismo, os privilégios do clero e da nobreza, foi duas vezes preso.