____________________
[traduzido por R. Magalhães
Júnior]
(À princesa Úlrica, da Prússia)
Às vezes a realidade
Mescla-se à mentira mais
grosseira!
Ontem sonhei ser, a noite
inteira,
Imperador de excelsa
majestade.
Eu vos amava e o confessava, a
sério...
Despertei... Mas, — ó deuses, —
em verdade,
Só perdi meu império...
A
Madame la princesse Ulrique de Prusse
Souvent un peu de vérité
Se mêle au plus grossier mensonge:
Cette nuit, dans l’erreur d’un songe,
Au rang des rois j’étais monté.
Je vous aimais, princesse, et j’osais vous le dire!
Les dieux à mon réveil ne m’ont pas tout ôté:
Je n’ai perdu que mon empire.
____________________
Antologia de Poetas Franceses do
séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França, [111 autores e muitos
tradutores], Organização e Prefácio de R. Magalhães Jr. e Introdução de Michel Simon,
Clássicos de bolso Ediouro — nº 12126, sem data [1985 ?], Editora Tecnoprint S.
A., Rio de Janeiro — RJ; Voltaire (1694 — 1778), ou François Marie Arouet, francês
e parisiense, estudou com os jesuítas, foi escritor, ensaísta, polemista satírico
e filósofo do Iluminismo francês; tornou-se conhecido literária e filosoficamente
pelo seu pseudônimo; escritor prolífico, Voltaire produziu algumas dezenas de obras
nas mais diversas formas literárias — peças de teatro, poemas, romances, ensaios,
textos científicos e históricos, milhares de cartas e panfletos; alguns de seus
escritos: Édipo (peça teatral, 1715), La Henríade (poema épico, 1728), Cartas Filosóficas
(Lettres philosophiques, 1734), Zadig ou la Destinée (1747), Poème Sur Le Désastre
De Lisbonne (1756), Cândido ou o Otimismo (Candide, novela satírica, 1759), Tratado
sobre a Tolerância (Traité sur la Tolérance, 1763), Dictionnaire philosofhique portatif
(1764) etc.; por usar suas obras para criticar a Igreja Católica e o Absolutismo,
os privilégios do clero e da nobreza, foi duas vezes preso.