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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Edith Sitwell: Canção

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[traduzido por Oswaldino Marques]

Somos a treva no calor do dia,
Flores sem raízes no ar, o frescor: somos a água
Jacente nas folhas perante a Morte, nosso sol,
E seu tremendo calor nos embriagou... a filha da beleza
O coração da rosa e nós somos um só.

Somos a prole do verão, o hálito da noite, os dias
Em que se pode ter esperança de tudo somos o irretornável
Sorriso daquele que está perdido, visto através das folhas do verão
Esse sol e sua falsa luz sempre a escarnecer.

Edith Sitwell

Song

We are the darkness in the heat of the day,
The rootless flowers in the air, the coolness: we are the water
Lying upon the leaves before Death, our sun,
And its vast heat has drunken us… Beauty's daughter
The heart of the rose and we are one.

We are the summer's children, the breath of evening, the days
When all may de hoped for, we are the unreturning
Smile of the lost one, seen through the summer leaves
That sun and its false light scorning.
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Poemas Famosos de Língua Inglesa [diversas autorias], edição bilíngue, Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, Coleção Antologia de Poetas Universais — volume 599, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Edith Louisa Sitwell (1887 1964), ou Dame Edith Sitwell, britânica de Scarborough, North Riding of Yorkshire, Inglaterra, “a mais velha dos três Sitwells literários [ela, Osbert e Sacheverell, seus irmãos]”, pertencente à família da aristocracia rural e patrona de artes [davam suporte financeiro a alguns artistas privados de recursos], foi poetisa, crítica e biógrafa; suas obras: Façade (18 poemas compostos para um espetáculo musical, 1922), Wheels [The Sitwells] (antologias, várias edições publicadas entre 1916 e 1921), Poetry and Criticism (Poesia e Crítica, 1925), Gold Coast Customs (poemas, 1929), Collected Poems (1930), Alexander Pope (biografia, 1930), The English Eccentrics (Excêntricos Ingleses, crítica, 1933), Aspects of Modern Poetry (Aspectos da Poesia Moderna, 1934), Victoria of England (biografia, 1936), I Live Under a Black Sun (Vivo sob um Sol Negro, romance, 1937), Poems (1940), Street Songs (Canções de Rua, poemas, 1942), The Poet’s Notebook (coletânea, 1943), Green Song (1944), Song of Cold (Canção do Frio, 1945), Fanfare for Elizabeth (Fanfarra para Elizabeth, biografia, 1946), Still Fals the Rai (Street Songs), Three Poems of the Atomic Age, The Canticle of the Rose: Poems 1920-1947 (O Cântico da Rosa: Poemas 1920-1947, 1949), The Queens and the Hive (As Rainhas e a Colméia, crítica, 1962), Taken Care of The Autobiography of Edit Sitwell (publicação póstuma, autobiografia, 1965); Edith Sitwell, por sua vez, foi biografada por Rodolphe L. Megroz (The Three Sitwells: A Biographycal and Critical Study, 1927), Cecil M. Bowra (Edith Sitwell, 1947) e John Lehman (A Nest of Tigers: The Sitwells in Their Times, 1968); ainda consta de sua biografia: ter frequentado os salões de arte [e festas] de Gertrude Stein (romancista, poetisa, dramaturga e colecionadora de arte), em Paris, ter sido laureada com doutorados honorários das universidades de Leeds, Durham, Oxford e Sheffield, ter recebido a comenda de Dama do Império Britânico [daí, passou a constar da lista de honra do aniversário da rainha], ter se convertido ao catolicismo, ter sido patronesse do poeta Dylan Thomas e “muito próxima de H. D. (Hilda Doolittle, [poeta, romancista e memorialista]) e de Denton Welch [escritor e pintor]”.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Edith Sitwell: Canção sombria

 
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[traduzido por Oswaldino Marques]

O fogo era felpudo domo um urso
E as chamas ronronam...
O urso ruço, cativo dos homens cruéis,
Andeja, preso à corrente,
Pelo bosque negro e hirsuto.
A moça suspirou: “Todo o meu sangue
É animal. Achavam que, quando eu me sentava,
Parecia um gato caseiro;
Mas pelos bosques sombrios eu andava ao léu...
Ah, quem me dera que meu sangue se extinguisse!”
O fogo tinha uma pelugem de urso;
Ele ouvia e sabia...
A terra escura, lanzuda como um urso,
Também grunhia!

Edith Sitwell

Dark Song

The fire was furry as a bear
And the flames purr…
The brown bear rambles in his chain
Captive to cruel men
Through the dark and hairy wood.
The maid sighed, "All my blood
Is animal. They thought I sat
Like a household cat;
But through the dark woods rambled I…
Oh, if my blood would die!"
The fire had a bear's fur;
It heard and knew…
The dark earth furry as a bear,
Grumbled too!
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Poemas Famosos de Língua Inglesa [diversas autorias], edição bilíngue, Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, Coleção Antologia de Poetas Universais — volume 599, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Edith Louisa Sitwell (1887 1964), ou Dame Edith Sitwell, britânica de Scarborough, North Riding of Yorkshire, Inglaterra, “a mais velha dos três Sitwells literários [ela, Osbert e Sacheverell, seus irmãos]”, pertencente à família da aristocracia rural e patrona de artes [davam suporte financeiro a alguns artistas privados de recursos], foi poetisa, crítica e biógrafa; suas obras: Façade (18 poemas compostos para um espetáculo musical, 1922), Wheels [The Sitwells] (antologias, várias edições publicadas entre 1916 e 1921), Poetry and Criticism (Poesia e Crítica, 1925), Gold Coast Customs (poemas, 1929), Collected Poems (1930), Alexander Pope (biografia, 1930), The English Eccentrics (Excêntricos Ingleses, crítica, 1933), Aspects of Modern Poetry (Aspectos da Poesia Moderna, 1934), Victoria of England (biografia, 1936), I Live Under a Black Sun (Vivo sob um Sol Negro, romance, 1937), Poems (1940), Street Songs (Canções de Rua, poemas, 1942), The Poet’s Notebook (coletânea, 1943), Green Song (1944), Song of Cold (Canção do Frio, 1945), Fanfare for Elizabeth (Fanfarra para Elizabeth, biografia, 1946), Still Fals the Rai (Street Songs), Three Poems of the Atomic Age, The Canticle of the Rose: Poems 1920-1947 (O Cântico da Rosa: Poemas 1920-1947, 1949), The Queens and the Hive (As Rainhas e a Colméia, crítica, 1962), Taken Care of The Autobiography of Edit Sitwell (publicação póstuma, autobiografia, 1965); Edith Sitwell, por sua vez, foi biografada por Rodolphe L. Megroz (The Three Sitwells: A Biographycal and Critical Study, 1927), Cecil M. Bowra (Edith Sitwell, 1947) e John Lehman (A Nest of Tigers: The Sitwells in Their Times, 1968); ainda consta de sua biografia: ter frequentado os salões de arte [e festas] de Gertrude Stein (romancista, poetisa, dramaturga e colecionadora de arte), em Paris, ter sido laureada com doutorados honorários das universidades de Leeds, Durham, Oxford e Sheffield, ter recebido a comenda de Dama do Império Britânico [daí, passou a constar da lista de honra do aniversário da rainha], ter se convertido ao catolicismo, ter sido patronesse do poeta Dylan Thomas e “muito próxima de H. D. (Hilda Doolittle, [poeta, romancista e memorialista]) e de Denton Welch [escritor e pintor]”.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Edith Sitwell: Canção de Rua

 
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[traduzido por Jorge Wanderley]

“Ama-me o coração por uma hora, mas meu osso por um dia...
O esqueleto pelo menos sorri, pois tem um amanhã:
Mas os corações dos jovens são agora o tesouro sombrio da morte
E o verão é solitário.

Conforta a luz sozinha e o sol na sua mágoa,
Vem como a noite pois o sol é terrível
Como a verdade e a luz moribunda mostra apenas a Fome do
esqueleto
Tem pela paz, por sob a carne como a rosa de verão.

Vem através da sombra da morte como antes por entre ramos
De juventude vieste, através da escuridão como um portal florido
Que leva ao paraíso, longe da rua  tu, cidade
Não nascida, entrevista pelos sem-lar, noite do pobre.

Caminhas pelas ruas onde a sombra ameaçadora do homem,
De margens rubras marcadas pelo sol como Caim, tem forma variável,
Elegante como o Esqueleto, agachada como o Tigre,
Com a velha sabedoria e a eficiência do Macaco.

O pulso que bate no coração se transmuda em martelo
Que ressoa em Potters-Field onde erguem um novo mundo
Desde o nosso Osso e dos dias de urubus com mal-cheirosos restos e
clamores...
Mas tu és minha noite e minha paz.

A noite sagrada da concepção, do repouso, da escuridão
Consoladora em que os homens se igualam: o justo e o injusto.
O rico e o pobre; já não sendo nações separadas,
Eles são irmãos na noite.”

Esta foi a canção que eu ouvi; mas o Osso cala!
Quem sabe se o som era o da luz morta chamando,
Ou se era de César rolando sobre seu coração  aquela pedra 
Ou se era o peso de Atlas caindo?...

Edith Sitwell

Street Song

"Love my heart for an hour, but my bone for a day
At least the skeleton smiles, for it has a morrow:
But the hearts of the young are now the dark treasure of Death
And summer is lonely.

Comfort the lonely light and the sun in its sorrow,
Come like the night, for terrible is the sun
As truth, and the dying light shows only the skeleton's hum
For peace, under the flesh like the summer rose.

Come through the darkness of death, as once through the branches
Of youth you came, through the shade like the flowering door
That leads into Paradise, far from the street, you, the unborn
City seen by the homeless, the night of the poor.

You walk in the city ways, where Man's threatening shadow
Red-edged by the sun like Cain, has a changing shape
Elegant like the Skeleton, crouched like the Tiger,
With the age-old wisdom and aptness of the Ape.

The pulse that beats in the heart is changed to the hammer,
That sounds in the Potter's Field. Where they build a new world
From’ our Bone, and the carrion-bird days' foul droppings and
clamour 
But you are my night, and my peace 

The holy night of conception, of rest, the consoling
Darkness when all men are equal,  the wrong and the right,
And the rich and the poor are no longer separate nations,
They are brothers in night."

This was the song I heard; but the Bone is silent!
Who knows if the sound was that of the dead light calling,
Of Ceasar rolling onward his heart, that stone,
Or the burden of Atlas falling.
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Do jeito delas: vozes femininas de língua inglesa [várias poetas], edição bilíngue, Organização/ensaios de Márcia Cavendish Wanderley, Carlos Eduardo Fialho e Sueli Cavendish, Nota Introdutória de Geraldo Carneiro, Tradução de Jorge Wanderley e Apresentação/orelhas do livro por Paulo Henriques Britto, 2008, Editora 7Letras, Rio de Janeiro — RJ; Edith Louisa Sitwell (1887 1964), ou Dame Edith Sitwell, britânica de Scarborough, North Riding of Yorkshire, Inglaterra, “a mais velha dos três Sitwells literários [ela, Osbert e Sacheverell, seus irmãos]”, pertencente à família da aristocracia rural e patrona de artes [davam suporte financeiro a alguns artistas privados de recursos], foi poetisa, crítica e biógrafa; suas obras: Façade (18 poemas compostos para um espetáculo musical, 1922), Wheels [The Sitwells] (antologias, várias edições publicadas entre 1916 e 1921), Poetry and Criticism (Poesia e Crítica, 1925), Gold Coast Customs (poemas, 1929), Alexander Pope (biografia, 1930), The English Eccentrics (Excêntricos Ingleses, crítica, 1933), Aspects of Modern Poetry (Aspectos da Poesia Moderna, 1934), Victoria of England (biografia, 1936), I Live Under a Black Sun (Vivo sob um Sol Negro, romance, 1937), Street Songs (Canções de Rua, poemas, 1942), The Poet’s Notebook (coletânea, 1943), Green Song (1944), Song of Cold (Canção do Frio, 1945), Fanfare for Elizabeth (Fanfarra para Elizabeth, biografia, 1946), Still Fals the Rai (Street Songs), Three Poems of the Atomic Age, The Canticle of the Rose: Poems 1917-1949 (O Cântico da Rosa: Poemas 1917-1949, 1949), The Queens and the Hive (As Rainhas e a Colméia, crítica, 1962), Taken Care of The Autobiography of Edit Sitwell, publicação póstuma, autobiografia, 1965); Edith Sitwell, por sua vez, foi biografada por Rodolphe L. Megroz (The Three Sitwells: A Biographycal and Critical Study, 1927), Cecil M. Bowra (Edith Sitwell, 1947) e John Lehman (A Nest of Tigers: The Sitwells in Their Times, 1968); de sua biografia, consta ter frequentado os salões de arte [e festas] de Gertrude Stein (romancista, poetisa, dramaturga e colecionadora de arte), em Paris, ter sido laureada com doutorados honorários das universidades de Leeds, Durham, Oxford e Sheffield, ter recebido a comenda de Dama do Império Britânico [daí, passou a constar da lista de honra do aniversário da rainha], ter se convertido ao catolicismo, ter sido patronesse do poeta Dylan Thomas e “muito próxima de H. D. (Hilda Doolittle, [poeta, romancista e memorialista]) e de Denton Welch [escritor e pintor]”.