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Sofre sereno e intrépido! Asfixia
na garganta a blasfêmia dos protestos!
Cuidas, supões que a dor se te alivia,
por te entregares ao furor dos gestos?
Néscio! Ao fazê-los, face e olhar congestos,
és apenas ludíbrio da agonia!
na garganta a blasfêmia dos protestos!
Cuidas, supões que a dor se te alivia,
por te entregares ao furor dos gestos?
Néscio! Ao fazê-los, face e olhar congestos,
és apenas ludíbrio da agonia!

Já reparaste acaso num coqueiro,
quando, sob um céu baixo,
o vergasta, em lufadas, o aguaceiro?
Que balançar do caule agigantado!
que mover farfalhante do penacho!
Certo lhe deras, vendo-o assim, o intento,
o intento alucinado
de espanejar, limpar o firmamento
das
brumas do nevoeiro...
No
entretanto, o coqueiro
nada mais é, no louco movimento,
que um
joguete do vento...
(Pôr do sol, 1920, Imprensa
Industrial, Recife, pág. 107 a
111.)

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Panorama
da Poesia Brasileira, Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960,
Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Joaquim José de Faria Neves Sobrinho (1872 — 1927), pernambucano de Recife, formado pela Faculdade de
Direito de Recife, foi promotor público (cargo que abandonou), professor, jornalista,
político, escritor e poeta; escreveu e publicou Quimeras (poesia, 1890), O
Hydrophobo (conto, 1896), Prosa velha (conto), Morbus (romance, 1898), Estatuária,
Poema do Olhar (1903), Estrofes (1911), Pôr do Sol (poesia, 1920), Sol Posto (poesia,
1923), Crepúsculo (poesia, 1924), Gramática Latina.