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domingo, 13 de agosto de 2017

Faria Neves Sobrinho: O Coqueiro


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Sofre sereno e intrépido! Asfixia
na garganta a blasfêmia dos protestos!
Cuidas, supões que a dor se te alivia,
por te entregares ao furor dos gestos?
Néscio! Ao fazê-los, face e olhar congestos,
és apenas ludíbrio da agonia!

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Já reparaste acaso num coqueiro,
             quando, sob um céu baixo,
o vergasta, em lufadas, o aguaceiro?
Que balançar do caule agigantado!
que mover farfalhante do penacho!
Certo lhe deras, vendo-o assim, o intento,
             o intento alucinado
de espanejar, limpar o firmamento
             das brumas do nevoeiro...
             No entretanto, o coqueiro
nada mais é, no louco movimento,
             que um joguete do vento...

(Pôr do sol, 1920, Imprensa
Industrial,  Recife, pág. 107 a 111.)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Joaquim José de Faria Neves Sobrinho (1872 1927), pernambucano de Recife, formado pela Faculdade de Direito de Recife, foi promotor público (cargo que abandonou), professor, jornalista, político, escritor e poeta; escreveu e publicou Quimeras (poesia, 1890), O Hydrophobo (conto, 1896), Prosa velha (conto), Morbus (romance, 1898), Estatuária, Poema do Olhar (1903), Estrofes (1911), Pôr do Sol (poesia, 1920), Sol Posto (poesia, 1923), Crepúsculo (poesia, 1924), Gramática Latina.