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Eu me levanto aqui
na voz dos que não puderam falar.
No grito afogado na garganta
no desespero disforme da
mudez implacável.
As pulsações dos mundos
soterrados,
dos mundos submersos
convulsionam-se
para anunciar
na voz do sol e da verdade
a presença humilde dos que não viveram
porque não puderam sonhar.
Surgirei das chagas da dor
trazendo o bálsamo da vida
o perfume de um sonho
esquecido no coração dos homens.
Suavizarei todos os caminhos
para que as almas caminhem
leves e risonhas
como um destino de criança.
E tudo para quê?
Para tentar elevar o mundo
até junto de Deus.
Entretanto o que vejo?
Sobre este chão assisto o bailado das lágrimas
silenciosas dançando a dança macabra.
Seres amordaçados clamando por liberdade
dão no palco do universo
o espetáculo da dor e do sofrimento...
E os negros?
O que dizer dos negros?
Gestas líricas
da negritude — 1967
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Antologia
de Poesia Afro-Brasileira — 150 anos de consciência negra no Brasil, Prefácio de
Eduardo de Assis Duarte, Organização de Zilá Bernd, Coorganização de Emilene Corrêa
Souza e Plínio Carlos Souza Corrêa Junior, 2011, Mazza Edições, Belo Horizonte —
MG; Eduardo de Oliveira (1926 — 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista,
professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos
negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira
(1998); obras: Além do pó (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961),
Banzo (1962), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos
de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera
dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos
(1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio — cântico da Abolição,
oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da
Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira
dos Escritores.














