Mostrando postagens com marcador Eduardo de Oliveira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eduardo de Oliveira. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de junho de 2022

Eduardo de Oliveira: Voz emudecida

 
____________________
Eu me levanto aqui
na voz dos que não puderam falar.
No grito afogado na garganta
no desespero disforme da
mudez implacável.

As pulsações dos mundos
soterrados,
dos mundos submersos
convulsionam-se
para anunciar
na voz do sol e da verdade
a presença humilde dos que não viveram
porque não puderam sonhar.

Surgirei das chagas da dor
trazendo o bálsamo da vida
o perfume de um sonho
esquecido no coração dos homens.

Suavizarei todos os caminhos
para que as almas caminhem
leves e risonhas
como um destino de criança.

E tudo para quê?
Para tentar elevar o mundo
até junto de Deus.

Entretanto o que vejo?
Sobre este chão assisto o bailado das lágrimas
silenciosas dançando a dança macabra.
Seres amordaçados clamando por liberdade
dão no palco do universo
o espetáculo da dor e do sofrimento...
E os negros?
O que dizer dos negros?

Gestas líricas da negritude — 1967

____________________
Antologia de Poesia Afro-Brasileira — 150 anos de consciência negra no Brasil, Prefácio de Eduardo de Assis Duarte, Organização de Zilá Bernd, Coorganização de Emilene Corrêa Souza e Plínio Carlos Souza Corrêa Junior, 2011, Mazza Edições, Belo Horizonte — MG; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); obras: Além do pó (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1962), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

sábado, 9 de abril de 2022

Eduardo de Oliveira: Mensagem

 
____________________
Quero ouvir a linguagem
da fraternidade universal.
Quero auroras de bonança
e manhãs de paz embalando
a comunhão de todas as raças.

O mundo deve ser uma família só,
uma grande família feita só de irmãos
onde todos se completem
no trabalho bom e fecundo
como uma árvore carregada de frutos
— frutos que devem ser divididos entre
todos os seres da terra.

É mister que saibamos
encarar as desigualdades físicas.
Como um plano de justiça que a natureza
oferece aos homens.
Nem a cor
nem a desigualdade social
devem ser pretexto
para que os homens se atirem contra os homens.

Saibamos afastar as fronteiras,
as possessões, os passaportes,
as diferenças idiomáticas
o câmbio, o ouro
que tornaram o mundo mesquinho e insuportável.

A terra é farta
e vasta como um firmamento.
Nela há lugar para todos viverem
satisfeitos e tranquilos.
Devemos ser a todo transe
uma atitude de amor e
compreensão atuando acima
das dissenções
do utilitarismo sem entranhas
que tanto infelicitam a humanidade.

____________________
Banzo — poesias: Eduardo de Oliveira, Apresentação e Prefácio [Duas palavras] de Roberto de Paula Leite e Paulo Bomfim, 2ª edição melhorada, 1965, Editora Obelisco, São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); obras: Além do pó (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1962), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Eduardo de Oliveira: Banzo

 
____________________
Ao meu irmão Patrice Lumumba

Eu sei, eu sei que sou um pedaço d'África
pendurado na noite do meu povo.
Trago em meu corpo a marca das chibatas
como rubros degraus feitos de carne
pelos quais as carretas do progresso
iam buscar as brenhas do futuro.

Eu sei, eu sei que sou um pedaço d'África
pendurado na noite do meu povo.
Eu vi nascer mil civilizações
erguidas pelos meus potentes braços;
mil chicotes abriram na minh'alma
um deserto de dor e de descrença
anunciando as tragédias de Lumumba.

Eu sei, eu sei que sou um pedaço d'África
pendurado na noite do meu povo.
Do fundo das senzalas de outros tempos
se levanta o clamor dos meus avós
que tiveram seus sonhos esmagados
sob o peso de cangas e libambos
amando, ao longe, o sol das liberdades.

Eu sei, eu sei que sou um pedaço d'África
pendurado na noite do meu povo.
Eu sinto a mesma angústia, o mesmo banzo
que encheram, tristes, os mares de outros séculos,
por isso é que ainda escuto o som do jongo
que fazia dançar os mil mocambos...
e que ainda hoje percutem nestas plagas.

Eu sei, eu sei que sou um pedaço d'África
pendurado na noite do meu povo.
Balouça sobre mim, sinistro pêndulo
que marca as incertezas do futuro
enquanto que me atiram nas enxergas
aqueles que ainda ontem exploravam
o suor, o sangue nosso e a nossa força.

Eu sei, eu sei que sou um pedaço d'África
pendurado na noite do meu povo.

Banzo 1965 [2ª edição]

____________________
Antologia de Poesia Afro-Brasileira — 150 anos de consciência negra no Brasil, Prefácio de Eduardo de Assis Duarte, Organização de Zilá Bernd, Coorganização de Emilene Corrêa Souza e Plínio Carlos Souza Corrêa Junior, 2011, Mazza Edições, Belo Horizonte — MG; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); obras: Além do pó (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1962), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

sábado, 20 de novembro de 2021

Eduardo de Oliveira: Cidade de amianto

 
____________________
Sob esta selva de cimento armado
que floresceu no topo do planalto,
a vida se alimenta desse asfalto,
que são manchas de sangue coagulado.

Neste imenso deserto arquitetado
pelo progresso que nos leva ao alto
dos edifícios  esse novo arauto 
o homem fica artificializado.

Esse novo universo é como a pedra
É mister que se tenham nervos de aço
para fogar no bem o mal que medra.

Nessa cidade feita de sarjetas,
de esgotos e fuligens pelo espaço...
o luto envolve tudo em tarjas pretas.

____________________
Banzo — poesias: Eduardo de Oliveira, Apresentação e Prefácio [Duas palavras] de Roberto de Paula Leite e Paulo Bomfim, 2ª edição melhorada, 1965, Editora Obelisco, São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); obras: Além do pó (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1962), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Eduardo de Oliveira: Avenida dos Tristes

 
____________________
As rosas brancas morrem na avenida.
Nossa alma está deserta de esperança.
Na sarjeta há mendigo e há criança
que foram esquecidos pela vida.

Por toda a parte há sempre a mesma lida,
há sempre a mesma luta que nos cansa.
O céu deixou fugir toda bonança.
Há mãos pedindo um prato de comida.

A noite é grande. O sono inflama a vista.
A angústia, aos poucos, vai-se avolumando...
nossa alma é a sua próxima conquista.

Os lares se trasmudam num tugúrio,
parece que a alegria está chorando
e o vendaval que passa é o seu murmúrio.

____________________
Banzo — poesias: Eduardo de Oliveira, Apresentação e Prefácio [Duas palavras] de Roberto de Paula Leite e Paulo Bomfim, 2ª edição melhorada, 1965, Editora Obelisco, São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); obras: Além do pó (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1962), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Eduardo de Oliveira: Cogumelo andante

 
____________________
Procedo da miséria mais pungente
onde o sol da alegria nunca chega.
Eu nasci pelo chão das ruas.
Brotei dos monturos,
da fome cor de cinza,
dos detritos nauseabundos
que dão um cheiro humano a esta cidade.
Surgi da parte podre das sarjetas
como um maldito cogumelo andante...
Venho da escória mais abjeta
das nossas sociedades.
Nada sei, nada serei
nada significo
e nada espero de quem quer que seja.
Alimentei-me de terra e de amianto;
os ferros que sustentam estes prédios
foram meus companheiros, meu abrigo;
hoje, encerrados na sua imobilidade de concreto,
esperam-me em seus sarcófagos fantásticos.
A minha história é uma acre mistura de
sangue, suor e lágrimas
arrancados a meu rosto
no supremo desespero da subida.
E ao longo dessa trajetória
dolorosamente trágica
a pobreza mais deprimente
estendeu sobre mim
seu manto pardacento.
Fui apedrejado pelas humilhações.
O desprezo escarrou na minha face.
Os dejetos do opróbrio detiveram
meus passos em direção dos sonhos,
nesse dramático esforço da subida.
Soa pouco mais ou pouco menos
que um objeto de escárnio e comiseração
nas mãos implacáveis do destino!
Galguei todos os degraus da escala evolutiva,
numa fúria vulcânica de “crescer, criar, subir”.
Por isso, tenho um pavor biológico
do futuro, porque sei o que me
espera em cada esquina do tempo.
Procedo das misérias mais pungentes
onde o sol da ventura nunca chega.
Galguei todos os círculos da
formidável espiral em demanda do
espaço, do céu, do infinito.
Hoje, sei!
Se ontem nada fui.
Hoje sei que sou pouco menos do que ontem!
Nada mais. Nada menos
que um sombrio cogumelo andante.

____________________
Banzo — poesias: Eduardo de Oliveira, Apresentação e Prefácio [Duas palavras] de Roberto de Paula Leite e Paulo Bomfim, 2ª edição melhorada, 1965, Editora Obelisco, São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); suas obras: Além do pó (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1962), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Eduardo de Oliveira: Prisão que nos liberta

____________________
para Rosa Parks

Eu me sinto, na terra, um prisioneiro
do teu ser, que é ternura e santidade;
de tua graça simples, sem vaidade,
que, sem querer, encanta o mundo inteiro.

Neste teu corpo em flor vejo primeiro,
sob as bençãos de tua castidade,
algo que lembra a própria divindade
da Mulher do mais Santo Carpinteiro.

Por teus méritos, hoje, me encarcero
neste amor, que é tão puro e tão sincero,
que é a mais doce de todas as prisões,

por ser uma prisão que nos liberta
do desastre de uma aventura incerta,
que infelicita os nosso corações!

Resultado de imagem para eduardo de oliveira poesias
____________________
Carrossel de Sonetos — Eduardo de Oliveira, Prefácio de Fernandes Neto e Apresentações de Eunice Aparecida de Jesus Prudente e Alípio Rocha Marcelino, 1994, Editora Pannartz São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); escreveu e publicou Além do (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1965), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

domingo, 16 de abril de 2017

Eduardo de Oliveira: Carruagem de fogo

____________________
para Lenice David Antunes

Quem for aos labirintos da memória,
escuros, como a velha catacumba,
há de acabar reconstruindo a história
desses heróis, que não tiveram tumba;

desses mártires, cuja voz retumba
como trombetas, lá, na eterna glória...
onde se encontra o sangue de Lumumba
e de Luíza Mahin, que vence a escória!

De cada esquina há de surgir um santo!
Novos guerreiros surgirão da praça
ao lado dos poetas e dos sábios!

Aí verão que tinham outro encanto,
os negros e os heróis de nossa raça,
nas palavras de fogo de seus lábios!

Resultado de imagem para eduardo de oliveira poeta
____________________
Carrossel de Sonetos — Eduardo de Oliveira, Prefácio de Fernandes Neto e Apresentações de Eunice Aparecida de Jesus Prudente e Alípio Rocha Marcelino, 1994, Editora Pannartz São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); escreveu e publicou Além do (1958), Ancoradouro sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1965), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Eduardo de Oliveira: Trabalho e Capital

____________________
para Benedita da Silva

Desafiando o label da tirania
que exerce o Capital sobre o Trabalho,
operário que sou, eis que me valho
da Foice e do Martelo, noite e dia.

Unindo forças díspares me espalho
para desmantelar a confraria
desse conluio da patifaria
que me nega alimentos e agasalho.

Pois, contra essa falácia! Contra o esbulho
da minoria privilegiada,
hei de, sempre, lutar com muito orgulho,

dizendo-lhe que o Estado há de ser mais forte
para que a classe mais desamparada
seja capaz de suplantar a morte!


Resultado de imagem para eduardo de oliveira poemas
____________________
Carrossel de Sonetos — Eduardo de Oliveira, Prefácio de Fernandes Neto e Apresentações de Eunice Aparecida de Jesus Prudente e Alípio Rocha Marcelino, 1994, Editora Pannartz São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); escreveu e publicou Além do (1958), Ancoradouro  sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1965), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958  1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Eduardo de Oliveira: Panfleto irreverente

____________________
para João Paulo

Não me chamem de simples panfletário
pelo discurso cáustico que prego
na hora em que me apresento solidário
à causa do homem bom, a que me entrego!

Ao explorador, ao truculento nego
qualquer direito sobre o operário,
por quem sempre me bato e não sossego,
pois, eu sei quanto sangra em seu Calvário.

Diga-me, sim, que eu sou um combativo,
em meio à multidão de entes humanos,
para quem socialismo é o lenitivo

que  mais cedo ou mais tarde ainda há de vir
para acabar com todos os tiranos
que se antepõem às glórias do porvir.

____________________
Carrossel de Sonetos — Eduardo de Oliveira, Prefácio de Fernandes Neto e Apresentações de Eunice Aparecida de Jesus Prudente e Alípio Rocha Marcelino, 1994, Editora Pannartz São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); escreveu e publicou Além do (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1965), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958  1968 (1970), Túnica de Ébano  sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio — cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.