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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Maria Ângela Alvim: De tudo me afastei por não querença . . . [soneto]

Resultado de imagem para Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 50
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De tudo me afastei, por não querença
ou medo de demais querer a tudo
e de fixar em ócio e inexistência
o móbil ser ideal com que me iludo.

E de tudo herdei minha inocência,
este sentido de não ser, agudo,
vivo mistério e tão mortal ciência
que me aprendeu a ouvir o verso mudo.

A vida não vivi,  hora distante
que nunca se deteve em meu caminho.
A imagem vista em ver era bastante.

Mas, se não sei nem mesmo o que devoro,
e me consome a mim, e é sozinho
suor de aurora, poesia, eu fui teu poro.

Poemas  1962/1993

MARIA ÂNGELA ALVIM
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Roteiro da Poesia Brasileira Anos 50, Seleção e Prefácio de André Seffrin, Direção de Edla van Steen, primeira edição, 2007, Editora Global, São Paulo — SP; Maria Ângela Alvim (1926  — 1959), mineira de Volta Grande, Zona da Mata, formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, na primeira turma do curso de Assistência Social, foi poeta e tradutora; bibliografia: Superfície (1950),  única obra publicada em vida, e, postumamente, editaram-se Poemas: Superfície e outros poemas (1962), Poemas — seguidos de Carta a um cortador de linho (1993) Superfície — Volume Toda Poesia (edição portuguesa, 2002).