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C. M.
Pôs o Samba dos pés subindo à boca.
Gingou. Quebrou. Mexeu. Sambou. Cantou.
E a gente séria foi ficando louca
Quando a Baiana o Rio conquistou.
Abafar o Brasil é coisa pouca.
E os Estados Unidos “abafou”.
A “atômica”, a seu lado, nem espouca!
Tem mesmo candomblé, de pai Xangô.
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| Carmen Miranda |
Hoje é bamba mundial. Pra lá de rica.
Vira as mãos, mexe os olhos e os quadris,
Só sabendo contar dólar, aos mil.
E, se inda há gente má que a classifica
Do Samba do brasil em baixa... atriz,
É Embaixatriz do samba do Brasil.
| Helena Ferraz, em evento na ABI (na foto, a única mulher) |
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Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando, Caricaturas de Théo e Apresentação-prefácio
de Gondin da Fonseca, 1947, Editora Civilização Brasileira S. A., Rio de Janeiro
— RJ; Álvaro Armando, pseudônimo de Helena Ferraz de Abreu (1906 — 1979), natural
do Rio de Janeiro, foi escritora e jornalista; nascida Helena Marília Bastos Tigre
(filha do poeta Bastos Tigre, a quem só veio a conhecer quando mocinha, proibida
que fora por seus ‘dela’ familiares), já aos oito anos escrevia crônicas e poesias
para o jornal manuscrito O Potoka; depois, criou o Correio Universal (suplemento
semanal que circulava em dezenas de jornais espalhados pelo país), colaborou nos
jornais Correio da Manhã (foi responsável pela coluna 'Pingos e Respingos'), O Jornal,
dos Diários Associados, (escreveu a coluna ‘Janela Indiscreta’), O Globo (colunas
diárias em ‘Humorglobinas’ e ‘Na Boca do Globo’), dirigiu A Cigarra Feminina (suplemento
de A Cigarra), além de ter trabalhado em revistas de grande circulação nacional,
como Careta e Manchete; Helena Ferraz também exerceu atividades em publicidade e
em programas radiofônicos e televisivos (Rádio MEC, Rádio Globo e TV Tupi); satirizou
figuras públicas da época; foi eleita a primeira mulher diretora na Associação Brasileira
de Imprensa (ABI) e, até o fim da vida, dirigiu a Biblioteca Bastos Tigre; teria
sido o uso do pseudônimo masculino, Álvaro Armando, que a pusera tão à vontade no
exercício da poesia satírica, o que tornara possível uma extensa carreira em jornais
de grande circulação e destaque no Brasil da época; bibliografia: Na Berlinda —
Versos de Álvaro Armando (ilustrações de Théo, 1947).
