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domingo, 13 de julho de 2025

Sofia de Mello Breyner Andresen: O soldado morto

 
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Os infinitos céus fitam seu rosto
Absoluto e cego
E a brisa agora beija a sua boca
Que nunca mais há-de beijar ninguém.

Tem as duas mãos côncavas ainda
De possessão, de impulso, de promessa.
Dos seus ombros desprende-se uma espera
Que dividida na tarde se dispersa.

E a luz, as horas, as colinas
Inclinam-se a chorar sobre o seu rosto *
Porque ele foi jogado e foi perdido
E no céu passam aves repentinas.

[Mar Novo — 1958], (Antologia — 1968)


* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página anota que, em substituição ao verso ‘Inclinam-se a chorar sobre o seu rosto’, em Mar Novo (1958), conforme escritas.org/pt/t/50768/o-soldado-morto, consta ‘São como pranto em torno do seu rosto’.
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Poesia portuguesa contemporânea [várias autorias] — Seleção de autorias, Organização, Nota inicial e Traços biobibliográficos por Carlos Nejar, 1982, Massao Ohno & Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Sofia de Mello Breyner Andresen (1919 2004), ou Sophia de Mello Breyner Andresen, portuguesa do Porto, iniciou seus estudos no Colégio Sagrado Coração de Jesus, estudou [de 1936 a 1939] Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, curso inconcluso, foi poetisa, contista, ensaísta, tradutora, militante antisalazarista e deputada socialista constituinte; colaborou na revista Cadernos de Poesia e relacionou-se com autores influentes e renomados, Ruy Cinatti e Jorge de Sena entre os quais; suas obras: em poesia: Poesia (1944), Dia do Mar (1947), Coral (1950), No tempo dividido (1954), Mar novo (1958), Cecília Meirelles (ensaio, 1958), Cristo cigano (1961), Livro sexto (1962), Geografia (1967), Antologia (1968), Grades (1970), Dual (1972), O nome das coisas (1977), Navegações (1983), Signo (poemas, 1994), Primeiro livro de poesia (infanto-juvenil, 1999) ..., em prosa: Contos exemplares (1962), A fada Oriana (infantil, 1958), O Cavaleiro da Dinamarca (infantil, 1964), O rapaz de bronze (infantil, 1966), Histórias da terra e do mar (contos, 1984), Não chores, minha querida (teatro, 1993) ... e outros títulos em verso e prosa e para teatro; traduziu Shakespeare, Dante, Leif Kristianson e verteu para o francês, em Quatre Poètes Portugais (1970), poemas de Camões, Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa; obras da poetisa receberam traduções e edições alemãs, inglesas e italianas; premiações: Grande Prêmio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores (pelo Livro Sexto, 1964), Grande Prêmio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças (1992), Prêmio Petrarca Associação de Editores Italianos (1995), Prêmio da Fundação Luís Miguel Nava (1998), Prêmio Camões (primeira mulher portuguesa a recebê-lo, 1999) ...; a poetisa Sofia de Mello Breyner Andresen, após o 25 de abril de 1974, que deu fim ao regime ditatorial salazarista, foi eleita deputada constituinte pelo Partido Socialista.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Sofia de Mello Breyner Andresen: Porque

 
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Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

[Mar novo — 1958], (Antologia — 1968)

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Poesia portuguesa contemporânea [várias autorias] — Seleção de autorias, Organização, Nota inicial e Traços biobibliográficos por Carlos Nejar, 1982, Massao Ohno & Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Sofia de Mello Breyner Andresen (1919 2004), ou Sophia de Mello Breyner Andresen, portuguesa do Porto, iniciou seus estudos no Colégio Sagrado Coração de Jesus, estudou [de 1936 a 1939] Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, curso inconcluso, foi poetisa, contista, ensaísta, tradutora, militante antisalazarista e deputada socialista constituinte; colaborou na revista Cadernos de Poesia e relacionou-se com autores influentes e renomados, Ruy Cinatti e Jorge de Sena entre os quais; suas obras: em poesia: Poesia (1944), Dia do Mar (1947), Coral (1950), No tempo dividido (1954), Mar novo (1958), Cecília Meirelles (ensaio, 1958), Cristo cigano (1961), Livro sexto (1962), Geografia (1967), Antologia (1968), Grades (1970), Dual (1972), O nome das coisas (1977), Navegações (1983), Signo (poemas, 1994), Primeiro livro de poesia (infanto-juvenil, 1999) ..., em prosa: Contos exemplares (1962), A fada Oriana (infantil, 1958), O Cavaleiro da Dinamarca (infantil, 1964), O rapaz de bronze (infantil, 1966), Histórias da terra e do mar (contos, 1984), Não chores, minha querida (teatro, 1993) ... e outros títulos em verso e prosa e para teatro; traduziu Shakespeare, Dante, Leif Kristianson e verteu para o francês, em Quatre Poètes Portugais (1970), poemas de Camões, Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa; obras da poetisa receberam traduções e edições alemãs, inglesas e italianas; premiações: Grande Prêmio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores (pelo Livro Sexto, 1964), Grande Prêmio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças (1992), Prêmio Petrarca Associação de Editores Italianos (1995), Prêmio da Fundação Luís Miguel Nava (1998), Prêmio Camões (primeira mulher portuguesa a recebê-lo, 1999) ...; a poetisa Sofia de Mello Breyner Andresen, após o 25 de abril de 1974, que deu fim ao regime ditatorial salazarista, foi eleita deputada constituinte pelo Partido Socialista.

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Sophia de Mello Breyner Andresen: Dia de hoje & Coral

 
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Dia de hoje

Ó dia de hoje, ó dia de horas claras
florindo nas ondas, cantando nas florestas,
no teu ar brilham transparentes festas
e o fantasma das maravilhas raras
visita, uma por uma, as tuas horas
em que há por vezes súbitas demoras
plenas como as pausas dum verso.

Ó dia de hoje, ó dia de horas leves
bailando na doçura
e na amargura
de serem perfeitas e de serem breves.

(Dia do Mar — 1947)

— o —

Coral

Ia e vinha
e a cada coisa perguntava
que nome tinha

(Coral — 1950)

Sophia de Mello Breyner Andresen
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A lua no cinema e outros poemas [várias autorias], Organização e Apresentação de Eucanaã Ferraz, Ilustrações de Fabio Zimbres, 2011, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Sofia de Mello Breyner Andresen (1919 2004), ou Sophia de Mello Breyner Andresen, portuguesa do Porto, iniciou seus estudos no Colégio Sagrado Coração de Jesus, estudou [de 1936 a 1939] Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, curso inconcluso, foi poetisa, contista, ensaísta, tradutora, militante antisalazarista e deputada socialista constituinte; colaborou na revista Cadernos de Poesia e relacionou-se com autores influentes e renomados, Ruy Cinatti e Jorge de Sena entre os quais; suas obras: em poesia: Poesia (1944), Dia do Mar (1947), Coral (1950), No tempo dividido (1954), Mar novo (1958), Cecília Meirelles (ensaio, 1958), Cristo cigano (1961), Livro sexto (1962), Geografia (1967), Antologia (1968), Grades (1970), Dual (1972), O nome das coisas (1977), Navegações (1983), Signo (poemas, 1994), Primeiro livro de poesia (infanto-juvenil, 1999) ..., em prosa: Contos exemplares (1962), A fada Oriana (infantil, 1958), O Cavaleiro da Dinamarca (infantil, 1964), O rapaz de bronze (infantil, 1966), Histórias da terra e do mar (contos, 1984), Não chores, minha querida (teatro, 1993) ... e outros títulos em verso e prosa e para teatro; traduziu Shakespeare, Dante, Leif Kristianson e verteu para o francês, em Quatre Poètes Portugais (1970), poemas de Camões, Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa; obras da poetisa receberam traduções e edições alemãs, inglesas e italianas; premiações: Grande Prêmio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores (pelo Livro Sexto, 1964), Grande Prêmio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças (1992), Prêmio Petrarca Associação de Editores Italianos (1995), Prêmio da Fundação Luís Miguel Nava (1998), Prêmio Camões (primeira mulher portuguesa a recebê-lo, 1999) ...; a poetisa Sofia de Mello Breyner Andresen, após o 25 de abril de 1974, que deu fim ao regime ditatorial salazarista, foi eleita deputada constituinte pelo Partido Socialista.

sábado, 21 de dezembro de 2024

Sophia de Mello Breyner Andresen: Estações do ano

 
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Primeiro vem Janeiro
suas longínquas metas
são Julho e são Agosto
luz de sal e de setas

a praia onde o vento
desfralda as barracas
e vira os guarda-sóis
ficou na infância antiga
cuja memória passa
pela rua à tarde
como uma cantiga

o verão onde hoje moro
é mais duro e mais quente
perdeu-se a frescura
do verão adolescente

aqui onde estou
entre cal e sal
sob o peso do sol
nenhuma folha bole
na manhã parada
e o mar é de metal
como um peixe-espada

(O nome das coisas — 1977)

Sophia de Mello Breyner Andresen
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A lua no cinema e outros poemas [várias autorias], Organização e Apresentação de Eucanaã Ferraz, Ilustrações de Fabio Zimbres, 2011, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Sofia de Mello Breyner Andresen (1919 2004), ou Sophia de Mello Breyner Andresen, portuguesa do Porto, iniciou seus estudos no Colégio Sagrado Coração de Jesus, estudou [de 1936 a 1939] Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, curso inconcluso, foi poetisa, contista, ensaísta, tradutora, militante antisalazarista e deputada socialista constituinte; colaborou na revista Cadernos de Poesia e relacionou-se com autores influentes e renomados, Ruy Cinatti e Jorge de Sena entre os quais; suas obras: em poesia: Poesia (1944), Dia do Mar (1947), Coral (1950), No tempo dividido (1954), Mar novo (1958), Cecília Meirelles (ensaio, 1958), Cristo cigano (1961), Livro sexto (1962), Geografia (1967), Antologia (1968), Grades (1970), Dual (1972), O nome das coisas (1977), Navegações (1983), Signo (poemas, 1994), Primeiro livro de poesia (infanto-juvenil, 1999) ..., em prosa: Contos exemplares (1962), A fada Oriana (infantil, 1958), O Cavaleiro da Dinamarca (infantil, 1964), O rapaz de bronze (infantil, 1966), Histórias da terra e do mar (contos, 1984), Não chores, minha querida (teatro, 1993) ... e outros títulos em verso e prosa e para teatro; traduziu Shakespeare, Dante, Leif Kristianson e verteu para o francês, em Quatre Poètes Portugais (1970), poemas de Camões, Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa; obras da poetisa receberam traduções e edições alemãs, inglesas e italianas; premiações: Grande Prêmio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores (pelo Livro Sexto, 1964), Grande Prêmio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças (1992), Prêmio Petrarca Associação de Editores Italianos (1995), Prêmio da Fundação Luís Miguel Nava (1998), Prêmio Camões (primeira mulher portuguesa a recebê-lo, 1999) ...; a poetisa Sofia de Mello Breyner Andresen, após o 25 de abril de 1974, que deu fim ao regime ditatorial salazarista, foi eleita deputada constituinte pelo Partido Socialista.

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Sofia de Mello Breyner Andresen: Antinoo

 
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Sob o peso noturno dos cabelos
Ou sob a lua divina do teu ombro
Procurei a ordem intacta do mundo
A palavra não ouvida

Longamente sob o fogo ou sob o vidro
Procurei no teu rosto
A revelação dos deuses que não sei

Porém passaste através de mim
Como passamos através da sombra

(Geografia — 1967)

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Poesia portuguesa contemporânea [várias autorias] — Seleção de autorias, Organização, Nota inicial e Traços biobibliográficos por Carlos Nejar, 1982, Massao Ohno & Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Sofia de Mello Breyner Andresen (1919 2004), ou Sophia de Mello Breyner Andresen, portuguesa do Porto, iniciou seus estudos no Colégio Sagrado Coração de Jesus, estudou [de 1936 a 1939] Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, curso inconcluso, foi poetisa, contista, ensaísta, tradutora, militante antisalazarista e deputada socialista constituinte; colaborou na revista Cadernos de Poesia e relacionou-se com autores influentes e renomados, Ruy Cinatti e Jorge de Sena entre os quais; suas obras: em poesia: Poesia (1944), Dia do Mar (1947), Coral (1950), No tempo dividido (1954), Mar novo (1958), Cecília Meirelles (ensaio, 1958), Cristo cigano (1961), Livro sexto (1962), Geografia (1967), Antologia (1968), Grades (1970), Dual (1972), O nome das coisas (1977), Navegações (1983), Signo (poemas, 1994), Primeiro livro de poesia (infanto-juvenil, 1999) ..., em prosa: Contos exemplares (1962), A fada Oriana (infantil, 1958), O Cavaleiro da Dinamarca (infantil, 1964), O rapaz de bronze (infantil, 1966), Histórias da terra e do mar (contos, 1984), Não chores, minha querida (teatro, 1993) ... e outros títulos em verso e prosa e para teatro; traduziu Shakespeare, Dante, Leif Kristianson e verteu para o francês, em Quatre Poètes Portugais (1970), poemas de Camões, Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa; obras da poetisa receberam traduções e edições alemãs, inglesas e italianas; premiações: Grande Prêmio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores (pelo Livro Sexto, 1964), Grande Prêmio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças (1992), Prêmio Petrarca Associação de Editores Italianos (1995), Prêmio da Fundação Luís Miguel Nava (1998), Prêmio Camões (primeira mulher portuguesa a recebê-lo, 1999) ...; a poetisa Sofia de Mello Breyner Andresen, após o 25 de abril de 1974, que deu fim ao regime ditatorial salazarista, foi eleita deputada constituinte pelo Partido Socialista.

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Sofia de Mello Breyner Andresen: Escuto

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Escuto mas não sei
Se o que ouço é silêncio
Ou deus

Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita

Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco

(Geografia — 1967)

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Poesia portuguesa contemporânea [várias autorias] — Seleção de autorias, Organização, Nota inicial e Traços biobibliográficos por Carlos Nejar, 1982, Massao Ohno & Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Sofia de Mello Breyner Andresen (1919 2004), ou Sophia de Mello Breyner Andresen, portuguesa do Porto, iniciou seus estudos no Colégio Sagrado Coração de Jesus, estudou [de 1936 a 1939] Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, curso inconcluso, foi poetisa, contista, ensaísta, tradutora, militante antisalazarista e deputada socialista constituinte; colaborou na revista Cadernos de Poesia e relacionou-se com autores influentes e renomados, Ruy Cinatti e Jorge de Sena entre os quais; suas obras: em poesia: Poesia (1944), Dia do Mar (1947), Coral (1950), No tempo dividido (1954), Mar novo (1958), Cecília Meirelles (ensaio, 1958), Cristo cigano (1961), Livro sexto (1962), Geografia (1967), Antologia (1968), Grades (1970), Dual (1972), O nome das coisas (1977), Navegações (1983), Signo (poemas, 1994), Primeiro livro de poesia (infanto-juvenil, 1999) ..., em prosa: Contos exemplares (1962), A fada Oriana (infantil, 1958), O Cavaleiro da Dinamarca (infantil, 1964), O rapaz de bronze (infantil, 1966), Histórias da terra e do mar (contos, 1984), Não chores, minha querida (teatro, 1993) ... e outros títulos em verso e prosa e para teatro; traduziu Shakespeare, Dante, Leif Kristianson e verteu para o francês, em Quatre Poètes Portugais (1970), poemas de Camões, Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa; obras da poetisa receberam traduções e edições alemãs, inglesas e italianas; premiações: Grande Prêmio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores (pelo Livro Sexto, 1964), Grande Prêmio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças (1992), Prêmio Petrarca Associação de Editores Italianos (1995), Prêmio da Fundação Luís Miguel Nava (1998), Prêmio Camões (primeira mulher portuguesa a recebê-lo, 1999) ...; a poetisa Sofia de Mello Breyner Andresen, após o 25 de abril de 1974, que deu fim ao regime ditatorial salazarista, foi eleita deputada constituinte pelo Partido Socialista.

domingo, 18 de agosto de 2024

Sofia de Mello Breyner Andresen: Endymion & Cante jondo & Manhã & Exílio

 
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Endymion

Por ti lutaram deuses desumanos,
E eu vi-te numa praia abandonado
À luz, e pelos ventos destroçado
E os teus membros rolaram aos oceanos.

[Dia do Mar — 1947], (Antologia — 1968)

— o —

Cante jondo

Numa noite sem lua o meu amor morreu
Homens sem nome levaram pela rua
Um corpo nu e morto que era o meu.

[Mar Novo — 1958], (Antologia — 1968)

— o —

Manhã

Como um fruto que mostra
Aberto pelo meio
A frescura do centro

Assim é a manhã
Dentro da qual eu entro

[Livro Sexto — 1962], (Antologia — 1968)

— o —

Exílio

Exilamos os deuses e fomos
Exilados de nossa inteireza

[Livro Sexto — 1962], (O nome das coisas — 1977)

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Poesia portuguesa contemporânea [várias autorias] — Seleção de autorias, Organização, Nota inicial e Traços biobibliográficos por Carlos Nejar, 1982, Massao Ohno & Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Sofia de Mello Breyner Andresen (1919 2004), ou Sophia de Mello Breyner Andresen, portuguesa do Porto, iniciou seus estudos no Colégio Sagrado Coração de Jesus, estudou [de 1936 a 1939] Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, curso inconcluso, foi poetisa, contista, ensaísta, tradutora, militante antisalazarista e deputada socialista constituinte; colaborou na revista Cadernos de Poesia e relacionou-se com autores influentes e renomados, Ruy Cinatti e Jorge de Sena entre os quais; suas obras: em poesia: Poesia (1944), Dia do Mar (1947), Coral (1950), No tempo dividido (1954), Mar novo (1958), Cecília Meirelles (ensaio, 1958), Cristo cigano (1961), Livro sexto (1962), Geografia (1967), Antologia (1968), Grades (1970), Dual (1972), O nome das coisas (1977), Navegações (1983), Signo (poemas, 1994), Primeiro livro de poesia (infanto-juvenil, 1999) ..., em prosa: Contos exemplares (1962), A fada Oriana (infantil, 1958), O Cavaleiro da Dinamarca (infantil, 1964), O rapaz de bronze (infantil, 1966), Histórias da terra e do mar (contos, 1984), Não chores, minha querida (teatro, 1993) ... e outros títulos em verso e prosa e para teatro; traduziu Shakespeare, Dante, Leif Kristianson e verteu para o francês, em Quatre Poètes Portugais (1970), poemas de Camões, Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa; obras da poetisa receberam traduções e edições alemãs, inglesas e italianas; premiações: Grande Prêmio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores (pelo Livro Sexto, 1964), Grande Prêmio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças (1992), Prêmio Petrarca Associação de Editores Italianos (1995), Prêmio da Fundação Luís Miguel Nava (1998), Prêmio Camões (primeira mulher portuguesa a recebê-lo, 1999) ...; a poetisa Sofia de Mello Breyner Andresen, após o 25 de abril de 1974, que deu fim ao regime ditatorial salazarista, foi eleita deputada constituinte pelo Partido Socialista.