
[traduzido por José Jeronymo Rivera]
Bem pode ser que tudo o que em meu
verso hei sentido
Não seja mais que aquilo que nunca
pôde ser,
Não seja mais do que algo vedado e
reprimido
De família em família, de mulher
em mulher.
Dizem que nos solares dos meus,
sempre medido
Estava tudo aquilo que se tinha a
fazer...
Silenciosas dizem que as mulheres
hão sido
Em meu materno lar. Ah, sim, bem
pode ser...
Às vezes minha mãe terá sentido o
anseio
De liberar-se, e logo viu
subir-lhe do seio
Uma funda amargura, e na sombra
chorou.
E tudo de mordaz, vencido,
mutilado,
Tudo o que se encontrava em sua
alma guardado,
Creio que sem querer fui eu quem
libertou.
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| Alfonsina Storni |
Bien pudiera ser...
Pudiera ser que todo lo
que en verso he sentido
No fuera más que aquello
que nunca pudo ser,
No fuera más que algo
vedado y reprimido
De familia en familia, de
mujer en mujer.
Dicen que en los solares
de mi gente, medido
Estaba todo aquello que
se debía hacer...
Dicen que silenciosas las
mujeres han sido
De mi casa materna... Ah,
bien pudiera ser...
A veces en mi madre
apuntaron antojos
De liberarse, pero, se le
subió a los ojos
Una honda amargura, y en
la sombra lloró.
Y todo eso mordiente,
vencido, mutilado,
Todo eso que se hallaba
en su alma encerrado,
Pienso que sin quererlo
lo he libertado yo.
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Antologia Poética — Alfonsina Storni, Selección por Alfredo Veirave (Biblioteca Argentina Fundamental, Capitulo 34), 1968, Centro Editor de America Latina, Buenos Aires — Argentina; Alfonsina Storni Martignoni (1892 — 1938), nascida
em Sala Capriasca — Suíça, filha de pais argentinos, foi poeta,
atriz e professora; aos 4 anos de idade retornou à Argentina, levou uma vida com dificuldades financeiras e, para o sustento familiar, trabalhou como costureira e operária; colaborou com seus textos nas revistas Caras y Caretas, Fray Mocho, e nos jornais La Nota e La Nacion; escreveu e publicou La
inquietud del rosal (1916), El dulce daño (1918), Irremediablemente (1919), Languidez (1920), Ocre (1925), Poemas de amor (em prosa, 1926), Dos farsas pirotécnicas — Cimbellina en 1900 y pico e Polixena y la cenicienta (peças teatrais, 1931), Mundo
de siete pozos (1934) e outros títulos em verso, prosa e para teatro; consta que a poeta suicidou-se caminhando para dentro do mar, e tal
ato foi registrado poeticamente na canção ‘Alfonsina y el mar’ gravada por
Mercedes Sosa; seu corpo foi resgatado do oceano no dia 25 de outubro de 1938;
três dias antes de suicidar-se envia para publicação em um jornal o soneto ‘Voy
a dormir’.




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