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[traduzido por Augusto de
Campos]
Fixo meu olho no teu olho e
flagro uma
Sombra de mim queimando no teu
olho.
Meu retrato afogado numa
lágrima
Logo abaixo recolho.
Se entendesses de imagens e
magias,
Com minha imagem nas pupilas
frias,
De quantos modos tu me
matarias?
Tuas lágrimas sorvo, doce
humor,
E ainda que outras caiam, vou
deixar-te;
Meu retrato se esvai, vai-se o
temor
De ser enfeitiçado por tal
arte;
Só reténs, afinal,
Minha imagem num único local:
Teu coração, livre de todo o
mal.
Witchcraft
by a Picture
I fix mine eye on thine, and
there
Pity my picture
burning in thine eye,
My picture drowned in a
transparent tear,
When I look lower
I espy;
Hadst thou the wicked skill
By pictures made and marred,
to kill,
How many ways mightst thou
perform thy will?
But now I have drunk thy sweet
salt tears,
And though thou
pour more, I'll depart;
My picture vanished, vanish
all fears,
That I can be
endamaged by that art;
Though thou retain of me
One picture more, yet that
will be,
Being in thine own heart, from
all malice free.
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o anticrítico — augusto
de campos [poemas do autor e poemas bilíngue, de vários poetas], Texto-apresentação
“Antes do Anti”, Traduções e Nota informativa de Augusto de Campos, 1986, 1ª reimpressão,
Companhia das Letras, São Paulo — SP; John Mayra Donne (1572 — 1631), inglês e londrino,
estudou na Hart Hall, atual Hertford College — Oxford, depois consta ter ingressado
na Universidade de Cambridge, ter concluído o curso, mas não ter sido diplomado
devido sua recusa da prestação do Juramento da Supremacia — juras de lealdade à
rainha, protestante — exigido dos formandos, por ele ser da religião católico-romana;
foi poeta, pastor, diácono e sacerdote, advogado e reitor da Saint Paul Cathedral,
em Londres; de sua biografia, também consta que após os estudos viajou pela Espanha
e Itália e, de retorno a Londres, estudou Direito, primeiro no Thavies Inn e depois
no Lincoln’s Inn; a poesia de John Donne, em sua grande maioria, não foi publicada
com o poeta ainda em vida; seu legado poético foi preservado em cópias manuscritas
que eram feitas e distribuídas a um pequeno e seleto grupo de admiradores e amantes
da poesia; ao longo do século XVIII e grande parte do XIX, o poeta e sacerdote foi
pouco lido e pouco apreciado, consta que apenas no final do ano 1800 “a poesia de
Donne foi avidamente adotada por um grupo crescente de leitores e escritores de
vanguarda. Sua prosa permaneceu praticamente despercebida até 1919”; publicações
do autor: poemas: The Anniversaries (1621), Holy Sonnets (1633), The Good-Morrow
(1633), The Canonization (1633), Love Poems (1905), John Donne: Divine Poems, Sermons,
Devotions and Prayers (1990), The Complete English Poems (1991), John Donne’s Poetry
(1991), John Donne: The Majors Works (2000), Poems on Several Occasions (2001),
The Complete Poetry and Selected Prose of John Donne (2001), prosa: Devotions Upon
Emergent Occasions and Death’s Duel (1624), Six Sermons (1634), Fifty Sermons (1649),
Essayes in Divinity (1651), Paradoxes, Problems, Essayes, Characters (1652), Sermons
Never Before Published (1661)...; John Donne “foi um importante poeta inglês da
escola metafísica” e “é frequentemente considerado o maior poeta de amor da língua
inglesa”.