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Não sei quem seja, — aparição divina,
santa ou mulher, arcanjo
ou flor, — contudo,
não me sai da cabeça esta
menina
de olhos de treva e gorro
de veludo.
Quanto tempo, de pé,
postado à esquina,
por vê-la, estive,
estupefato e mudo!
Sorriu... Fitei-a...
Olhou-me... e, peregrina,
seguiu: segui-a o meu
amor! E é tudo,
tudo o que sei dessa
gentil criança
que eu vi, para que
enchesse a alma de escolhos,
numa infundada e fútil
esperança.
E há de estes versos ler,
sem ver que eu morro,
fanatizado por aqueles
olhos
e apaixonado por aquele
gorro!...
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Antologia de Poetas Fluminenses
(vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica
Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Luis Pistarini ou Luiz Pistarini (1877 —
1918), fluminense de Resende, em sua juventude residiu em São Paulo e no Rio de
Janeiro, foi jornalista e poeta; começou a escrever aos onze anos, muito embora
tenha cursado apenas quatro anos da escola primária; colaborou com revistas
literárias da época, trabalhou em jornais de Resende, Barra Mansa e do Rio de
Janeiro, então capital federal; dirigiu a revista A Crisálida e o jornal O
Domingo, foi redator da revista O Malho, editor do jornal A Lira e trabalhou na
Câmara Municipal de Resende; o poeta também assinou textos com o pseudônimo
Lívio Peralta; suas obras: Bandolim (1899), De Luto (1898), Sombrinhas, Postais
(1907) e Agonias e Ressurreição (publicação póstuma, com prefácio do poeta Luís
Murat); foi autor do Hino de Resende, sua cidade natal; é patrono da cadeira nº
27 da Academia Fluminense de Letras, sediada em Niterói, à época capital do
estado; é tido que levou uma vida “atormentado por enfermidades”.