Para um destino incerto
caminhamos,
Tontos de luz, dentro de um sonho
vão;
E finalmente, a glória que
alcançamos
Nem chega a ser uma desilusão!
Levanta-se da sombra, entre altos
ramos,
Como um fumo a subir, lento, do
chão,
A distância que tanto procuramos,
E os nossos braços nunca
atingirão...
Mas um dia, perdidos, hesitantes,
A alma vencida e farta, as mãos
tateantes,
De repente, paramos de lutar;
E ao nosso olhar, cansado de
amargura,
As montanhas têm muito mais
altura,
O céu mais astros, e mais água o
mar!
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Coleção Nossos Clássicos —
Ronald de Carvalho, Poesia e Prosa, Volume 45, por Peregrino Júnior, publicados
sob a direção de Alceu Amoroso Lima e Roberto Alvim Corrêa, 1960, Livraria Agir
Editora, Rio de Janeiro — RJ; Ronald de Carvalho (1893 — 1935), carioca,
formado em Direito pela Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio
de Janeiro (atual Direito — UFRJ), foi poeta, escritor e político diplomata; um dos expoentes do Modernismo no Brasil, participou da Semana de Arte Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo; no Rio de Janeiro, colaborou com os periódicos Diário de Notícias, O Jornal, e com as revistas Alma Nova e Atlântida; em Portugal, foi um dos fundadores da revista literária Orpheu (Lisboa, 1915), contribuindo para a introdução do Modernismo naquele país; escreveu e publicou Luz Gloriosa (1913), Pequena História da Literatura Brasileira (1919), Poemas e Sonetos (1919), Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922), Toda a América (1926), Espelho de Ariel (1926), Estudos Brasileiros (três séries, 1924 — 1931) e outros títulos.