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Orfã, cresceu com sua avó
francesa, desligada, nonchalante,
a placidez das plácidas.
Tout casse, tout lasse, tout passe.
O tempo era a carruagem
da tolerância. Laissez-faire, laissez aller.
Um bicho carpinteiro, o avô luso
sentia horror às mãos vadias:
— Se não tens o que fazer
a saia descostures e tornes a cosê-la.
Penélope de Portugal, a jovenzinha
passou de roca-e-fuso a um tear elétrico
e a um micro digital, plug and play, delete,
que o ir e vir da Nasa é retorno santo.
O namorado, sobre a ponte, fez notar
que rio nenhum é o mesmo, onda nenhuma
se eleva e cai igual à outra
para nenhum surfista.
Então ela se vai
de namorado em namorado,
cíclica, ardendo como buscapé,
que o ir e vir da Lua é trabalho
para a maré.
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Quase poética do meu próximo — Adelaide Petters Lessa, 2000, Escrituras Editora, São Paulo — SP; Adelaide Petters Lessa, nascida em 1926, paulista e paulistana, licenciada em Pedagogia e doutora em Ciências Humanas (ambas pela USP-SP), é educadora, psicóloga clínica, professora universitária, tradutora e poeta; escreveu e publicou, em poesia, Badalo (1949), Amoressência (1970), O Jogo do Êxtase (1995), Augusto (1999), Quase Poética do meu Próximo (2000), Deus — o Sol da Meia-Noite e, em prosa, Precognição, Paragnose do Futuro, Videntes de Cristo...
Orfã, cresceu com sua avó
francesa, desligada, nonchalante,
a placidez das plácidas.
Tout casse, tout lasse, tout passe.
O tempo era a carruagem
da tolerância. Laissez-faire, laissez aller.
Um bicho carpinteiro, o avô luso
sentia horror às mãos vadias:
— Se não tens o que fazer
a saia descostures e tornes a cosê-la.
Penélope de Portugal, a jovenzinha
passou de roca-e-fuso a um tear elétrico
e a um micro digital, plug and play, delete,
que o ir e vir da Nasa é retorno santo.
O namorado, sobre a ponte, fez notar
que rio nenhum é o mesmo, onda nenhuma
se eleva e cai igual à outra
para nenhum surfista.
Então ela se vai
de namorado em namorado,
cíclica, ardendo como buscapé,
que o ir e vir da Lua é trabalho
para a maré.

Quase poética do meu próximo — Adelaide Petters Lessa, 2000, Escrituras Editora, São Paulo — SP; Adelaide Petters Lessa, nascida em 1926, paulista e paulistana, licenciada em Pedagogia e doutora em Ciências Humanas (ambas pela USP-SP), é educadora, psicóloga clínica, professora universitária, tradutora e poeta; escreveu e publicou, em poesia, Badalo (1949), Amoressência (1970), O Jogo do Êxtase (1995), Augusto (1999), Quase Poética do meu Próximo (2000), Deus — o Sol da Meia-Noite e, em prosa, Precognição, Paragnose do Futuro, Videntes de Cristo...


