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Onde está a poesia?
Na imaginação do garimpeiro
ainda oculta na pepita lasca de luz na quina da pedra bruta.
ainda oculta na pepita lasca de luz na quina da pedra bruta.
Ouro é ouro
mineral na terra, puro. Fundido
não degradado no amálgama embora sofisticado
em molde e moda
no brinco barroco na cintilação do dente
no céu de esmalte de uma boca jovem
concha aberta num sorriso.
Poesia é ouro
carregada de história no cunho da moeda antiga
mística na âmbula, sagrada no romance
do anel nupcial amor alegria sofrimento vida.
carregada de história no cunho da moeda antiga
mística na âmbula, sagrada no romance
do anel nupcial amor alegria sofrimento vida.
Não importa forma ou fôrma não
importa o lugar
não importa
se jovem é o ourives ou velho o garimpeiro.
não importa
se jovem é o ourives ou velho o garimpeiro.
O que vale é a incontaminada
essência.

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Antologia de Poetas Brasileiros
— Seleção e Coordenação de Mariazinha Congílio, Prefácio de José Fernando
Tavares, 1a. edição, 2000, Universitária Editora Ltda., Lisboa —
Portugal; Paulo Menotti Del Picchia (1892 — 1988), paulista e
paulistano, poeta, jornalista, romancista, contista, ensaísta, teatrólogo
e historiador, empenhou-se em polêmicas na defesa da Semana De Arte
Moderna, embora com uma poesia com poucos sinais de vanguardismo; em período
tardio lança O Deus sem rosto (1968) onde estão contidos os mais
modernistas de seus poemas; estreou na literatura com Poemas do Vício e da
Virtude (1913), depois escreveu Juca Mulato (1917), Chuva de
Pedra (1924), República dos Estados Unidos do
Brasil (1928), Jesus (1933), Noturno (1970), entre
tantos outros títulos; trabalhou nos jornais A Tribuna (de Santos), A
Gazeta, Correio Paulistano, Diário de São Paulo e Diário da
Noite; fundou a revista Papel e Tinta (com Oswald de Andrade) e
o jornal Anhanguera (orgão informativo do movimento Bandeira, criado junto
com Cassiano Ricardo e Cândido Mota Filho).
