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A mim me
basta o espelho
a calça
azul
o papel,
o lápis
e essa
coragem
de sair
todos os dias de manhã
encontrar
as mesmas pessoas
os mesmos
sobressaltos
o relógio
de ponto
o
telefone
os
documentos.
A mim
basta
essa coragem
teimosa
de
engolir teimosia
de
engolir o café das nove de fumar o quinto cigarro
com a
mesma determinação
de
destruir
o que
resta dos pulmões.
Me basta
mesmo essa coragem quase suicida
de erguer
a cabeça
e ser um
negro
vinte e
quatro horas por dia.
Quilombo
de palavras: a literatura
dos afrodescendentes — 2000
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Antologia
de Poesia Afro-Brasileira — 150 anos de consciência negra no Brasil, Organização
de Zilá Bernd, Coorganização de Emilene Corrêa Souza e Plínio Carlos Souza Corrêa
Junior, 2011, Mazza Edições, Belo Horizonte — MG; José Carlos Limeira Marinho Santos
(1951 — 2016), baiano de Salvador, formou-se em Engenharia Mecânica pela Universidade
de Santa Úrsula — Rio de Janeiro e em Letras pela Universidade Católica de Salvador
— BA, reconhecido mais por seu trabalho no campo das letras e como militante do
Movimento Negro, foi poeta e escritor; obras: em poesia, Zumbi... dos (1971),
Lembranças (1971), O arco-íris negro (com Éle Semog, 1978), Atabaques (com Éle
Semog, 1983), Black intentions / Negras Intenções (edição bilíngue, 2003) e Encantadas
(2015); participou dos Cadernos negros desde o início dos anos 80, teve ensaios
e outros textos em verso e prosa divulgados em revistas e livros, inclusive com
edições traduzidas para as línguas alemã e inglesa; foi fundador do Afro Axé Terê
Babá, primeiro bloco Afro Cultural do Rio de Janeiro — RJ, e do GENS — Grupo de
Escritores Negros de Salvador — BA.




