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sexta-feira, 24 de abril de 2026

joaquim da silva: nanocontos 15, 28, 37, 52, 55 & 63

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15.
noite vinda
multidão de pirilampos reagem em cadeia
começam a piscar
sombras se vão

28.
recolheu-se
peso da idade lhe ia às costas
caramujo era caramujo ficou
tinha uma casa ao menos

37.
idoso caipira já não se acocorava
garimpou tripeça no antiquário
descartou divã

52.
escritor de autoajuda não enganava ninguém:
escrevia e lucrava muito

55.
grave erro não foi desdenhar futuro
querer voltar ao passado foi sua brutal falha

63.
quis rever o ferroviário Sales e seu gramofone
na Turma 29 do Bacelar buscou retrato na parede

[são paulo, jan/fev/mar de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

domingo, 30 de novembro de 2025

Batista Cepelos: O trem de ferro

 
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Um fino apito, estrídulo sibila,
rangem as rodas num arranco perro,
e, lentamente, a se arrastar, desfila,
fumegante e luzente, o trem de ferro.

Soa no espaço um derradeiro berro
e tão rápido corre que horripila,
esse monstro a rolar de cerro em cerro,
apavorando a solidão tranqüila.

Vence choupanas, matagais tristonhos,
despenhadeiros, báratros medonhos,
nada lhe amaina o rábido furor.

Corre, corre veloz, nada o embaraça,
desfraldando a bandeira de fumaça,
como um bravo guerreiro vencedor!


* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: Sergio Faraco, organizador do livro 60 Poetas Trágicos, ali registrou acerca do poeta Batista Cepelos:
De origem humilde e paternidade que desconhecia, teve seu curso de Direito custeado pelo advogado e professor Francisco de Assis Peixoto Gomide, senador e governador de São Paulo. O poeta, então promotor público, frequentava a casa do benfeitor e começou a namorar uma de suas filhas. De início não houve oposição familiar, mas quando os namorados resolveram se casar, o senador se opôs com inaudita veemência e, às vésperas da cerimônia, exigiu um rompimento. A moça se negou a obedecer, e então o pai, fora de si, matou-a com um tiro de revólver, suicidando-se em seguida. Com o tresloucado gesto, quisera evitar uma relação incestuosa: Batista Cepelos era seu filho natural. Chocado com tamanha insânia, mudou-se o ex-noivo para o Rio de Janeiro, onde se tornou conhecido como poeta simbolista e tradutor de Mallarmé, Verlaine e Gôngora. Nove anos após a tragédia, foi encontrado morto aos pés de um penhasco no Catete. Ignora-se se foi suicídio ou acidente, pois [o poeta] era míope.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Manuel Batista Cepelos (1872 1915), ou Baptista Cepellos, paulista de Cotia, formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo, foi soldado, advogado, promotor público, poeta, romancista, tradutor e teatrólogo; escreveu e publicou A Derrubada (poesia, 1896), O Cisne Encantado (poesia, 1902), Os Bandeirantes (poesia, obra prefaciada por Olavo Bilac, 1906, e 3ª edição refundida e modificada em 1911), Os Corvos (prosa, 1907), Vaidades (poesia, 1908), O Vil Metal (romance e novela, 1910), Maria Madalena (drama bíblico, em versos); como tradutor, Batista Cepelos é tido como o primeiro autor brasileiro a verter para a língua portuguesa, em livro, o poema ‘Azul’, da obra de Stéphane Mallarmé; traduziu também Gôngora, Baudelaire, Paul Verlaine e Lorenzo Stecchetti; como promotor público, Batista Cepelos trabalhou em Apiaí SP, Itapetininga SP e Cantagalo RJ.

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Carlos Drummond de Andrade: O Maior Trem do Mundo

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O maior trem do mundo
leva minha terra
para a Alemanha
leva minha terra
para o Canadá
leva minha terra
para o Japão.

O maior trem do mundo
puxado por cinco locomotivas a óleo diesel
engatadas geminadas desembestadas
leva meu tempo, minha infância, minha vida
triturada em 163 vagões de minério e destruição.

O maior trem do mundo
transporta a coisa mínima do mundo
meu coração itabirano.

Lá vai o trem maior do mundo
vai serpenteando vai sumindo
e um dia, eu sei, não voltará

pois nem terra nem coração existem mais.

[publicado em 1984 — Jornal “O Cometa Itabirano”]

Drummond

El Mayor Tren del Mundo

(versión de Manuel Graña Etcheverry)

El mayor tren del mundo
lleva a mi tierra
para Alemania
lleva mi tierra
para el Canadá
lleva mi tierra
para el Japón.

El mayor tren del mundo
arrastrado por cinco locomotoras a óleo diesel
enganchadas adosadas desenfrenadas
lleva mi tempo, mi infancia, mi vida
triturada en 163 vagones de mineral y destrucción.

El mayor tren del mundo
transporta la cosa mínima del mundo,
mi corazón itabirano.

Allá va el mayor tren del mundo
va serpenteando va desapareciendo
y un día, yo sé, no volverá

porque ni tierra ni corazón existen más.
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Caminhos Drummondianos: Itabira — MG, edição bilíngue, [poemas de] Carlos Drummond de Andrade, versões em espanhol por Manuel Graña Etcheverry e Marina Sviatopolk Mirski Pais, Texto introdutório de João Izael Querino Coelho, prefeito de Itabira — MG [gestões 2005-2008 e 2009-2012], Projeto gráfico: C4 Comunicação e Design, Realização: Prefeitura de Itabira, Patrocínio: Vale [do Rio Doce], sem data [2009 !]; Carlos Drummond de Andrade (1902 1987), mineiro e itabirano, fez seus estudos iniciais no Grupo Escolar Dr. Carvalho Brito, de Itabira, formado em Farmácia pela Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte, não exerceu o ofício, foi poeta, contista, cronista, funcionário público em várias repartições, redator e chefe de redação em jornais e revistas; em 1921, publicou seus primeiros trabalhos no Diário de Minas; foi professor de Geografia e Português em Itabira; viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e prosa publicadas em livros, jornais e revistas (Diário de Minas, A Revista [modernista], Revista do Ensino, Minas Gerais, A Tribuna, Estado de Minas, Diário da Tarde, Revista Acadêmica, revista Euclides [foi responsável pela seção ‘Conversa de Livraria’], Tribuna Popular [diário comunista, foi co-diretor convidado por Luís Carlos Prestes, e ali permanecendo por alguns meses], A Manhã [colaborou no suplemento literário], Política e Letras, Jornal do Brasil; suas obras: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos Poemas; Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952); Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira, crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo; Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo — Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974); Discurso de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985); O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e outros textos; teve obras traduzidas para o alemão, búlgaro, chinês, dinamarquês, francês, holandês, inglês, italiano, espanhol, latim, norueguês, sueco, tcheco, e em linguagem braille; traduziu para a língua portuguesa: François Mauriac, Choderlos de Laclos, Honoré de Balzac, Marcel Proust, García Lorca, Maurice Maeterlinck, Molière, Th. Descourtilz [estudioso e pesquisador ornitológico], Knut Hamsun [escritor norueguês]; colaborou em programas radiofônicos; recebeu premiações várias.

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Wisława Szymborska: A estação

 
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[traduzido por Regina Przybycien e Gabriel Borowski]

A minha não chegada à cidade de N.
aconteceu pontualmente.

Você foi avisado
por uma carta não enviada.

Conseguiu não chegar
na hora prevista.

O trem entrou na plataforma três.
Desceu muita gente.

À multidão rumo à saída
juntou-se a minha ausência.

Algumas mulheres tomaram o meu lugar
às pressas
naquela pressa.

Correu para uma delas
alguém que não conheço,
mas ela o reconheceu
de imediato.

Ambos trocaram
um beijo não nosso,
instante em que sumiu
uma maleta não minha.

A estação da cidade de N.
passou bem na prova
da existência objetiva.

O todo ficou no lugar.
Os detalhes se movimentaram
pelos trilhos designados.

Aconteceu até
um encontro marcado.

Fora do alcance
da nossa presença.

No paraíso perdido
da probabilidade.

Num outro lugar.
Num outro lugar.
Como estas palavrinhas ressoam.

Wisława Szymborska

Dworsec

Nieprzyjazd mój do miasta N.
odbył się punktualnie.

Zostałeś uprzedzony
niewysłanym listem.

Zdążyłeś nie przyjść
w przewidzianej porze.

Pociąg wjechał na peron trzeci.
Wysiadło dużo ludzi.

Uchodził w tłumie do wyjścia
brak mojej osoby.

Kilka kobiet zastąpiło mnie
pośpiesznie
w tym pośpiechu.

Do jednej podbiegł
ktoś nieznany mi,
ale ona rozpoznała go
natychmiast.

Oboje wymienili
nie nasz pocałunek,
podczas czego zginęła
nie moja walizka.

Dworzec w mieście N.
dobrze zdał egzamin
z istnienia obiektywnego.

Całość stała na swoim miejscu.
Szczegóły poruszały się
po wyznaczonych torach.

Odbyło sie nawet
umówione spotkanie.

Poza zasięgiem
naszej obecności.

W raju utraconym
prawdopodobieństwa.

Gdzie indziej.
Gdzie indziej.
Jak te słówka dźwięczą.

(Sto pociech 1967)
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Wisława Szymborska [para o meu coração num domingo], Seleção, Tradução e Prefácio de Regina Przybycien e Gabriel Borowski, edição bilíngue, 1ª edição, 2020, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Maria Wisława Anna Szymborska (1923 2012), polonesa de Kórnik, fez seus estudos escolares iniciais em Toruń, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, prosseguiu nos estudos de forma clandestina e passou a trabalhar em uma ferrovia, o que a livrou de ser deportada para território nazista, ora ocupado pelo Terceiro Reich, foi poeta, crítica literária e tradutora; assim,  Wisława deu início a seu processo criativo: fez suas primeiras ilustrações para livros (um manual para estudar inglês) e iniciou-se na literatura, com alguns contos e poemas; em 1945, com o fim da guerra, já em Cracóvia, a poeta foi parte importante na vida literária local, participou do grupo literário Ao Contrário, deu início ao curso de Filologia Polaca na Universidade Jaguelônica, depois mudou para Sociologia, desistiu dos estudos, casou, divorciou, colaborou com a revista Kultura (de literatura e política, publicada em Paris por emigrantes polacos), foi membro do Partido Comunista; suas obras: Wolanie do Yeti (Chamando pelo Yeti, 1957), Sól (Sal, 1962), Sto pociech (Muito divertido, 1967), Wszelki wypadek (Todo o caso, 1972), Wielka liczba (Um grande número, 1976), Ludzie na moście (Gente na ponte, 1986), Koniec i początek (Fim e começo, 1993), Chwila (Instante, 2002), Rymowanki dla dużych dzieci (Riminhas para crianças grandes, 2005), Dwukropek (Dois pontos, 2006), Tutaj (Aqui, 2009), Wystarczy (Chega, 2012) ...; seus livros foram traduzidos para 36 línguas, sendo a poeta polonesa que mais recebeu traduções no exterior; premiações: Prêmio Goethe (1991), Prêmio Nobel de Literatura (1996) e Prêmio Niki de Literatura (2006).

sábado, 17 de fevereiro de 2024

matusalém da silva: "tropeçando em risca de ladrilho"


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Constatei-me velho desde o instante em que
me vi tropeçando em taco, em risca de ladrilho.
[Ziraldo, carthumorista].

sinto em mim sua presença
embora ausente põe limites no que faço
até controla o que penso
imagino-a à espreita
na curva do caminho

quando eu estiver bem velhinho
alquebrado com vista fraca ouvindo pouco
“tropeçando em risca de ladrilho”
é inevitável que venha

o ontem: acabou-se o que era doce
o instantâneo hoje: de modo algum traz amargor
o amanhã? deixemos pra depois...

sem pressa sem pressa...
não sou vidente mas ela vem
que assim seja

sp — 05.02.24
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matusalém da silva e alguns outros silva, além de genésio dos santos, são um só ativista da palavra.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

genésio dos santos: o espalhador de utopias

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carrego sonhos:
sinta-se à vontade
não há venda nem compra

faço trocas:
não aceito pix nem dinheiro nem cartão
sou da época do mutirão

demore quanto puder ou quiser:
pra certas escolhas
o tempo é o que menos importa

satisfação garantida:
bom proveito
ou seu sorriso ou sua lágrima de volta

sp, 02.02.2024

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

genésio dos santos: dona bidunga *

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fazer poemas é tão necessário
quanto o era para a mãe esculpir
bolinhos de chuva ao fritá-los
em óleo de amendoim ou óleo de algodão
ou banha de porco
naquele outrora

quem sabe
assim desenhasse o poeta
guri nos seus sete anos
enquanto devorava os bolinhos
e folheava a cartilha do tatu
cheia de letras e gravuras

de calças curtas,
ele só não tinha como imaginar
que lá no futuro iria escrever um poema
pra dona bidunga,
apelido de saturnina de almeida fagundes,
autora da cartilha.

sp, 24.12.2023


*Nota deste Verso e Conversa: O poema Dona Bidunga foi ideado em algum momento desde outubro de 2020, mês em que este ex-guri e aprendiz de blogueiro, filho de ferroviário, pesquisador e poeta, buscou e adquiriu em sebo um exemplar da Cartilha do Tatu — Caderno de Alfabetização, de Saturnina de Almeida Fagundes, a Dona Bidunga; tal cartilha, impressa nas gráficas da EFS — Estrada de Ferro Sorocabana, propiciou ao poeta um primeiro contato escolar com letras e gravuras, contato esse ocorrido em 1959, no início do então curso primário na Escola Rural da Estação, Vila Isabel, em Itapeva — SP.
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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — caderno de alfabetização, de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

sábado, 1 de julho de 2023

genésio dos santos: a vida pede urgência


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a vida pede urgência
o resto pode esperar:
com a morte não requerida
a vida pode vingar

a vida pede urgência
um mote a repetir:
se a morte é toda presença
a vida pode se ir

a vida pede urgência
faça frio ou calor:
tem seu tempo, negaceia,
resiste, forma bolor

a vida pede urgência
seja o que deus quiser:
se a morte é só insistência
a vida faz o que der


a vida pede urgência
não há ninguém hors-concours:
faz flerte com a demência
sem ar, nem ir, ...or ...er ...ur

a vida pede urgência
tatuando o teatá:
não há caminho suave
outra cartilha não há

a vida pede urgência
no quilombo do jaó:
cochilei no trem de ferro
acordei, era iperó

são paulo, 05.06.2023

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu: de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Genésio dos Santos: brinquedo

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abandonou tudo o que até então fizera parte do seu mundo: deixou de lado o limão verde que às vezes se fazia de bola, jogos de botões se aquietaram na gaveta.

até mesmo a bola feita de meias que fora moldada com carinho pelas mãos da mãe costureira ficou esquecida no seu cantinho.

o guri já não se imaginava jogador de futebol. trazia consigo o pressentimento de que um dia fosse crescer e que se faria adulto tal como o pai ferroviário quase pela vida toda.


desatou então a montar palavras, encadeou frases e fez com que delas brotassem incríveis histórias reais ou imaginárias. uma pequena estante de livros da escola, segregada à chave pela secretaria, era o seu santuário.


tudo o mais teria que ficar empedrado e acorrentado no tempo.
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Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra São Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até um dia destes foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais O Espelho — SP, Folha Bancária, participou no jornal Brinque (do coletivo cultural do SeebSP, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

domingo, 30 de setembro de 2018

Genésio dos Santos: trens, haicais & que tais

Resultado de imagem para telégrafo inglês
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um telegrafista
conversa em código-morse
batuque de teclas

homens ferroviários
dormentes britas e trilhos
sonho que esfumaça

pastos postes pontes
vidas correndo pra trás
janela de trem

Resultado de imagem para iperó sp

rumo ao escadão
na garganta surge um nó
trem que já se foi

pobre maquinista
acordando de repente
viu que era sonho

máquina a vapor
puxando mais de um vagão
e no fim caboose

Minha foto
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Genésio dos Santos Ferreira, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra São Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais O Espelho — SPFolha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 — 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.