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O maior
trem do mundo
leva
minha terra
para a
Alemanha
leva
minha terra
para o
Canadá
leva
minha terra
para o
Japão.
O maior
trem do mundo
puxado
por cinco locomotivas a óleo diesel
engatadas
geminadas desembestadas
leva
meu tempo, minha infância, minha vida
triturada
em 163 vagões de minério e destruição.
O maior
trem do mundo
transporta
a coisa mínima do mundo
meu
coração itabirano.
Lá vai
o trem maior do mundo
vai
serpenteando vai sumindo
e um
dia, eu sei, não voltará
pois
nem terra nem coração existem mais.
[publicado em 1984 — Jornal “O
Cometa Itabirano”]
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| Drummond |
El
Mayor Tren del Mundo
(versión de Manuel Graña Etcheverry)
El mayor tren del mundo
lleva a mi tierra
para Alemania
lleva mi tierra
para el Canadá
lleva mi tierra
para el Japón.
El mayor tren del mundo
arrastrado por cinco locomotoras a óleo
diesel
enganchadas adosadas desenfrenadas
lleva mi tempo, mi infancia, mi vida
triturada en 163 vagones de mineral y
destrucción.
El mayor tren del mundo
transporta la cosa mínima del mundo,
mi corazón itabirano.
Allá va el mayor tren del mundo
va serpenteando va desapareciendo
y un día, yo sé, no volverá
porque ni tierra ni corazón existen más.
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Caminhos Drummondianos: Itabira — MG, edição
bilíngue, [poemas de] Carlos Drummond de Andrade, versões em espanhol por Manuel
Graña Etcheverry e Marina Sviatopolk Mirski Pais, Texto introdutório de João Izael
Querino Coelho, prefeito de Itabira — MG [gestões 2005-2008 e 2009-2012], Projeto
gráfico: C4 Comunicação e Design, Realização: Prefeitura de Itabira, Patrocínio:
Vale [do Rio Doce], sem data [2009 !]; Carlos Drummond de Andrade (1902 — 1987),
mineiro e itabirano, fez seus estudos iniciais no Grupo Escolar Dr. Carvalho Brito,
de Itabira, formado em Farmácia pela Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte,
não exerceu o ofício, foi poeta, contista, cronista, funcionário público em várias
repartições, redator e chefe de redação em jornais e revistas; em 1921, publicou
seus primeiros trabalhos no Diário de Minas; foi professor de Geografia e Português
em Itabira; viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis
obras em verso e prosa publicadas em livros, jornais e revistas (Diário de
Minas, A Revista [modernista], Revista do Ensino, Minas Gerais, A Tribuna, Estado
de Minas, Diário da Tarde, Revista Acadêmica, revista Euclides [foi responsável
pela seção ‘Conversa de Livraria’], Tribuna Popular [diário comunista, foi co-diretor
convidado por Luís Carlos Prestes, e ali permanecendo por alguns meses], A Manhã
[colaborou no suplemento literário], Política e Letras, Jornal do Brasil; suas obras:
Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942);
Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos Poemas;
Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952); Passeios
na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira, crônicas
(1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo; Lição de
Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo
(1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas
do Branco (1973); Menino Antigo — Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias
faz-se a Crônica (1974); Discurso de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos
Plausíveis (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985);
O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e outros textos; teve obras
traduzidas para o alemão, búlgaro, chinês, dinamarquês, francês, holandês, inglês,
italiano, espanhol, latim, norueguês, sueco, tcheco, e em linguagem braille; traduziu
para a língua portuguesa: François Mauriac, Choderlos de Laclos, Honoré de Balzac,
Marcel Proust, García Lorca, Maurice Maeterlinck, Molière,
Th. Descourtilz [estudioso e pesquisador ornitológico], Knut Hamsun [escritor norueguês];
colaborou em programas radiofônicos; recebeu premiações várias.