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[traduzido por José Paulo
Paes]
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Estes nossos sonetos do
caralho,
Que falam só de cu, caralho,
cona,
E feitos a caralho, a cu, a
cona,
Semelham vossas caras de
caralho.
Trouxestes cá, poetas do
caralho,
As armas para pôr em cu a
cona.
Sois feitos a caralho, a cu, a
cona,
Produtos de grã cona e grã
caralho.
E se furor, oh gente do
caralho,
Vos falta, ficareis no
pica-cona,
Como acontece amiúde co’o
caralho.
Aqui termino esta questão da
cona
P’ra não entrar no bando do
caralho,
E, caralho, vos deixo em cu e
cona.
Quem perversões tenciona
Aqui nestas asneiras logo as
lê.
Que mau ano e mau tempo Deus
lhe dê.
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Questi nostri sonetti fatti a cazzi,
Soggetti sol di cazzi, culi e potte,
E che son fatti a culi, a cazzi, a potte,
S’assomigliano a voi, visi di cazzi.
Almen l’armi portaste al mondo, o cazzi,
E v’ascondete in culi e nelle potte,
Poeti fatti a cazzi, a culi, a potte,
Prodotti da gran potte e da gran cazzi.
E s’il furor vi manca ancora, o cazzi,
Sarete e tornerete becca-potte,
Come il più delle volte sono i cazzi.
Qui finisco il soggetto delle potte
Per non entrar nel numero dei cazzi
E lascerò voi, cazzi, in culi e in potte.
Chi ha le voglie corrotte
Legga cotesta gran coglioneria
Ch’il mal anno e il mal tempo Dio gli dia.
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Aretino — Sonetos Luxuriosos — Tradução, Ensaio Crítico, Notícia
Biográfica e Notas de José Paulo Paes, edição bilíngue, 1981, Editora Record, São
Paulo — SP; Pietro Aretino
(1492 — 1556), italiano de
Arezzo, foi poeta, escritor, dramaturgo e jornalista; de sua biografia, consta ter
aprendido e se interessado pelo ofício de escrever, ainda aos 15 anos de idade,
após ter arranjado trabalho como tipógrafo-encadernador, na cidade de Perusa, quando
também, de forma autodidata, adquiriu educação rudimentar com as leituras dos cadernos
impressos que a ele cabia juntar e costurar; em Veneza e em Roma, tornou-se conhecido
por seus versos satíricos e viperinos, passou a ser protegido e temido na corte,
tudo ao mesmo tempo, o que fez do poeta alvo de admiradores protetores e de desafetos
inimigos; consta ter sido conhecido como “secretário do mundo” e “flagelo dos príncipes”;
acercando-se de poderosos, fez chantagens com sua verve literária, acumulou fortuna,
fazendo porém questão de permanecer plebeu; obras: Sonetti Lussuriosi (1525),
I Raggionamenti (1534 — 1536),
Lettere, Marfisa (poema épico), Orlandino e Astolfeida (poemas paródicos), L’Orazia
(tragédia, 1546), La Cortigiana, Il Maresciallo, La Talanta, Lo Ipocrita e Il Filosofo
(todas, comédias); em Notícia Biográfica deste Sonetos Luxuriosos, José Paulo Paes,
registra que “Lo Ipocrita antecipa o Tartufo de Moliére (que não desconhecia o teatro
de Aretino) e que é mais do que provável ter Il Maresciallo influenciado Rabelais.”


