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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Aretino: Estes nossos sonetos do caralho, . . . [soneto]

 
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[traduzido por José Paulo Paes]

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Estes nossos sonetos do caralho,
Que falam só de cu, caralho, cona,
E feitos a caralho, a cu, a cona,
Semelham vossas caras de caralho.

Trouxestes cá, poetas do caralho,
As armas para pôr em cu a cona.
Sois feitos a caralho, a cu, a cona,
Produtos de grã cona e grã caralho.

E se furor, oh gente do caralho,
Vos falta, ficareis no pica-cona,
Como acontece amiúde co’o caralho.

Aqui termino esta questão da cona
P’ra não entrar no bando do caralho,
E, caralho, vos deixo em cu e cona.

Quem perversões tenciona
Aqui nestas asneiras logo as lê.
Que mau ano e mau tempo Deus lhe dê.

Pietro Aretino

26

Questi nostri sonetti fatti a cazzi,
Soggetti sol di cazzi, culi e potte,
E che son fatti a culi, a cazzi, a potte,
S’assomigliano a voi, visi di cazzi.

Almen l’armi portaste al mondo, o cazzi,
E v’ascondete in culi e nelle potte,
Poeti fatti a cazzi, a culi, a potte,
Prodotti da gran potte e da gran cazzi.

E s’il furor vi manca ancora, o cazzi,
Sarete e tornerete becca-potte,
Come il più delle volte sono i cazzi.

Qui finisco il soggetto delle potte
Per non entrar nel numero dei cazzi
E lascerò voi, cazzi, in culi e in potte.

Chi ha le voglie corrotte
Legga cotesta gran coglioneria
Ch’il mal anno e il mal tempo Dio gli dia.
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Aretino — Sonetos Luxuriosos — Tradução, Ensaio Crítico, Notícia Biográfica e Notas de José Paulo Paes, edição bilíngue, 1981, Editora Record, São Paulo — SP; Pietro Aretino (1492 1556), italiano de Arezzo, foi poeta, escritor, dramaturgo e jornalista; de sua biografia, consta ter aprendido e se interessado pelo ofício de escrever, ainda aos 15 anos de idade, após ter arranjado trabalho como tipógrafo-encadernador, na cidade de Perusa, quando também, de forma autodidata, adquiriu educação rudimentar com as leituras dos cadernos impressos que a ele cabia juntar e costurar; em Veneza e em Roma, tornou-se conhecido por seus versos satíricos e viperinos, passou a ser protegido e temido na corte, tudo ao mesmo tempo, o que fez do poeta alvo de admiradores protetores e de desafetos inimigos; consta ter sido conhecido como “secretário do mundo” e “flagelo dos príncipes”; acercando-se de poderosos, fez chantagens com sua verve literária, acumulou fortuna, fazendo porém questão de permanecer plebeu; obras: Sonetti Lussuriosi (1525), I Raggionamenti (1534 1536), Lettere, Marfisa (poema épico), Orlandino e Astolfeida (poemas paródicos), L’Orazia (tragédia, 1546), La Cortigiana, Il Maresciallo, La Talanta, Lo Ipocrita e Il Filosofo (todas, comédias); em Notícia Biográfica deste Sonetos Luxuriosos, José Paulo Paes, registra que “Lo Ipocrita antecipa o Tartufo de Moliére (que não desconhecia o teatro de Aretino) e que é mais do que provável ter Il Maresciallo influenciado Rabelais.”

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Aretino: Atenta bem, ó tu que amando estás . . . [soneto]

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[traduzido por José Paulo Paes]

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Atenta bem, ó tu que amando estás
E a quem turva tão doce empreendimento,
Neste que leva a cabo tal intento
Ledamente fodendo onde lhe apraz

Sem de qualquer escola andar atrás
Por trepar verbi gratia a todo tento,
Fará feito sem-par e a seu contento
O que possa foder sem ser loquaz.

Vede como nos braços a levanta
Ele, que as pernas dela tem dos lados
E como de prazer já se quebranta.

Não se perturbam por estar cansados.
Mas o jogo lhes dá ardência tanta
Que fodendo queriam-se finados.

                      E retos, sem cuidados,
Ofegam juntos, de prazer frementes,
E enquanto ele durar, estão contentes.

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Pietro Aretino

6

    Miri ciascun di voi ch’amando suole
Esser turbato da sì dolce impresa,
Costui ch’a simil termine non pesa
Portarla via fottendo ovunque vuole.

    E senza andar cercando per le scuole
Di chiavar, verbi gratia, alla distesa,
Far ben quel fatto impari alla sua spesa
Qui che fotter potrà senza parole.

    Vedi com’ei l’ha sopra delle braccia
Sospesa con le gambe alte a’ suoi fianchi
E par che per dolcezza si disfaccia.

    Nè già si turban perchè sieno stanchi,
Anzi par che tal gioco ad ambo piaccia,
Sì che bramin fottendo venir manchi.

                          E per diritti e Franchi
Anzano stretti a tal piacer intenti
E fin che durerà saran contenti.
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Aretino — Sonetos Luxuriosos — Tradução, Ensaio Crítico, Notícia Biográfica e Notas de José Paulo Paes, edição bilíngue, 1981, Editora Record, São Paulo — SP; Pietro Aretino (1492  1556), italiano de Arezzo, foi poeta, escritor, dramaturgo e jornalista; de sua biografia, consta ter aprendido e se interessado pelo ofício de escrever, ainda aos 15 anos de idade, após ter arranjado trabalho como tipógrafo-encadernador, na cidade de Perusa, quando também, de forma autodidata, adquiriu educação rudimentar com as leituras dos cadernos impressos que a ele cabia juntar e costurar; em Veneza e em Roma, tornou-se conhecido por seus versos satíricos e viperinos, passou a ser protegido e temido na corte, tudo ao mesmo tempo, o que fez do poeta alvo de admiradores protetores e de desafetos inimigos; consta ter sido conhecido como “secretário do mundo” e “flagelo dos príncipes”; acercando-se de poderosos, fez chantagens com sua verve literária, acumulou fortuna, fazendo porém questão de permanecer plebeu; bibliografia: Sonetti Lussuriosi (1525), I Raggionamenti (1534 1536), LettereMarfisa  (poema épico), Orlandino e Astolfeida (poemas paródicos), L’Orazia (tragédia, 1546), La CortigianaIl MarescialloLa TalantaLo Ipocrita e Il Filosofo (todas, comédias); em  Notícia Biográfica deste Sonetos Luxuriosos, José Paulo Paes registra que “Lo Ipocrita antecipa o Tartufo de Moliére (que não desconhecia o teatro de Aretino) e que é mais do que provável ter Il Maresciallo influenciado Rabelais.”

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Aretino: Mais que sonetos este livro aninha . . . [soneto]

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[traduzido por José Paulo Paes]

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Mais que sonetos este livro aninha,
Mais que éclogas, capítulos, canções.
Tu, Bembo ou Sannazaro, aqui não pões
Nem líquidos cristais e nem florinhas.

Marignan madrigais não escrevinha
Aqui, onde há caralhos sem bridões,
Que em cu ou cona lépidos dispõem-se
Como confeitos dentro da caixinha.

Gente aqui há que fode e que é fodida,
De conas e caralhos há caudal
E pelo cu muita alma já perdida.

Fode-se aqui com graça sem igual,
Alhures nunca assaz reproduzida
Por toda a jerarquia putanal.

                      Enfim loucura tal
Que até dá nojo essa iguaria toda
E Deus perdoe a quem no cu não foda.

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Pietro Aretino

1

    Questo è un libro d’altro che sonetti,
Di capitoli, d’egloghe o canzone,
Qui il Sannazaro o il Bembo non compone
Nè liquidi cristalli, nè fioretti.

    Qui il Marignan non v’ha madrigaletti,
Ma vi son cazzi senza discrizione
E v’è la potta e ‘l cul, che li ripone
Appunto come in scatole confetti.

    Vi son genti fottenti e fottute
E di potte e di cazzi notomie
E ne’ culi molt’anime perdute.

    Qui vi si fotte in più leggiadre vie,
Ch’in alcun loco si sien mai vedute
Infra le puttanesche gerarchie;

                          In fin sono pazzie
A farsi schifo di si buon bocconi
E chi non fotte in cul, Dio gliel perdoni.
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Aretino Sonetos Luxuriosos Tradução, Ensaio Crítico, Notícia Biográfica e Notas de José Paulo Paes, edição bilíngue, 1981, Editora Record, São Paulo SP; Pietro Aretino (1492  1556), italiano de Arezzo, foi poeta, escritor, dramaturgo e jornalista; de sua biografia, consta ter aprendido e se interessado pelo ofício de escrever, ainda aos 15 anos de idade, após ter arranjado trabalho como tipógrafo-encadernador, na cidade de Perusa, quando também, de forma autodidata, adquiriu educação rudimentar com as leituras dos cadernos impressos que a ele cabia juntar e costurar; em Veneza e em Roma, tornou-se conhecido por seus versos satíricos e viperinos, passou a ser protegido e temido na corte, tudo ao mesmo tempo, o que fez do poeta alvo de admiradores protetores e de desafetos inimigos; consta ter sido conhecido como “secretário do mundo” e “flagelo dos príncipes”; acercando-se de poderosos, fez chantagens com sua verve literária, acumulou fortuna, fazendo porém questão de permanecer plebeu; bibliografia: Sonetti Lussuriosi (1525), I Raggionamenti (1534  1536), Lettere, Marfisa (poema épico), Orlandino e Astolfeida (poemas paródicos), L’Orazia (tragédia, 1546), La Cortigiana, Il Maresciallo, La Talanta, Lo Ipocrita e Il Filosofo (todas, comédias); em Notícia Biográfica deste Sonetos Luxuriosos, José Paulo Paes registra que “Lo Ipocrita antecipa o Tartufo de Moliére (que não desconhecia o teatro de Aretino) e que é mais do que provável ter Il Maresciallo influenciado Rabelais.”

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Aretino: Fodamos, meu amor, fodamos presto, . . . [soneto]

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[traduzido por José Paulo Paes]

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Fodamos, meu amor, fodamos presto,
Pois foi para foder que se nasceu,
E se amas o caralho, a cona amo eu;
Sem isto, fora o mundo bem molesto.

Fosse foder após a morte honesto,
“Morramos de foder!” seria o meu
Lema, e Eva e Adão fodíamos por seu
Invento de morrer tão desonesto.

É bem verdade que se esses tratantes
Não comessem do fruto traidor,
Eu sei que ainda fodiam-se os amantes.

Mas caluda e me enfia sem temor
Esse pau que à minha alma, em seus rompantes,
Faz nascer ou morrer, dela senhor.

                     E se possível for,
Quisera eu pôr na cona estes colhões
Que tanto prazer são espiões.

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Pietro Aretino

     9

     Fottiamci, vita mia, fottiamci presto,
Poi che per fotter tutti nati siamo,
E se il cazzo ami tu, la potta io bramo,
Chè il mondo saria nullo senza questo.

     Se dopo morte il fotter fosse onesto,
Direi: fottiamci tanto che moriamo,
Chè di là fotteremo Eva e Adamo,
Che trovorno il morir sì disonesto.

     Veramente egl’è ver che se i furtanti
Non mangiavan quel pomo traditore,
So ben che si fottevano gli amanti.

     Ma lasciamo le ciance e sino al core
Ficchiamo il cazzo e fa che mi si schianti
L’anima, che nel cazzo or nasce or muore

                          E se possibil fore
Vorrei por nella potta anche i coglioni
 D’ogni piacer fottuti testimoni.

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Aretino  Sonetos Luxuriosos  Tradução, Ensaio Crítico, Notícia Biográfica e Notas de José Paulo Paes, edição bilíngue, 1981, Editora Record, São Paulo  SP; Pietro Aretino (1492  1556), italiano de Arezzo, foi poeta, escritor, dramaturgo e jornalista; de sua biografia, consta ter aprendido e se interessado pelo ofício de escrever, ainda aos 15 anos de idade, após ter arranjado trabalho como tipógrafo-encadernador, na cidade de Perusa, quando também, de forma autodidata, adquiriu educação rudimentar com as leituras dos cadernos impressos que a ele cabia juntar e costurar; em Veneza e em Roma, tornou-se conhecido por seus versos satíricos e viperinos, passou a ser protegido e temido na corte, tudo ao mesmo tempo, o que fez do poeta alvo de admiradores protetores e de desafetos inimigos; consta ter sido conhecido como “secretário do mundo” e “flagelo dos príncipes”; acercou-se de poderosos, fez chantagens com sua verve literária, acumulou fortuna, fazendo porém questão de permanecer plebeu; bibliografia: Sonetti Lussuriosi (1525), I Raggionamenti (1534  1536), Lettere, Marfisa (poema épico), Orlandino e Astolfeida (poemas paródicos), L’Orazia (tragédia, 1546), La Cortigiana, Il Maresciallo, La Talanta, Lo Ipocrita e Il Filosofo (todas, comédias); em Notícia Biográfica deste Sonetos Luxuriosos, José Paulo Paes registra que “Lo Ipocrita antecipa o Tartufo de Moliére (que não desconhecia o teatro de Aretino) e que é mais do que provável ter Il Maresciallo influenciado Rabelais.”