
[traduzido
por Geraldo Galvão Ferraz]
Piedade para estes séculos e seus sobreviventes
alegres ou maltratados, o que não fizemos
foi por culpa de ninguém, faltou aço:
nós o gastamos em tanta inútil destruição,
não importa no balanço nada disto:
os anos padeceram de pústulas e guerras,
anos desfalecentes quando tremeu a esperança
no fundo das garrafas inimigas.
Muito bem, falaremos alguma vez, algumas vezes,
com uma andorinha para que ninguém escute:
tenho vergonha, temos o pudor dos viúvos:
morreu a verdade e apodreceu em tantas fossas:
é melhor recordar o que vai acontecer:
neste ano nupcial não há derrotados:
coloquemo-nos, cada um, máscaras vitoriosas.
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| Pablo Neruda |
Las máscaras
Piedad para estos siglos y sus sobrevivientes
alegres o maltrechos, lo que no hicimos
fue por culpa de nadie, faltó acero:
lo gastamos en tanta inútil destrucción,
no importa en el balance nada de esto:
los años padecieron de pústulas y guerras,
años desfallecientes cuando tembló la esperanza
en el fondo de las botellas enemigas.
Muy bien, hablaremos alguna vez, algunas veces,
con una golondrina para que nadie escuche:
tengo vergüenza, tenemos el pudor de los viudos:
se murió la verdad y se pudrió en tantas fosas:
es mejor recordar lo que va a suceder:
en este año nupcial no hay derrotados:
pongámonos cada uno máscaras victoriosas.
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Defeitos Escolhidos & 2000 –
Pablo Neruda, Tradução de Geraldo Galvão Ferraz, Edição Bilíngue, Volume 451, Coleção
L&PM Pocket, reimpressão em 2011, L&PM Editores, Porto
Alegre — RS; conhecido e reconhecido pelo pseudônimo, Pablo Neruda
(1904 — 1973), nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, chileno
de Parral, estudou Pedagogia e Francês na Universidade do Chile,
foi diplomata e poeta; aos treze anos começa a contribuir com alguns
textos para o jornal La Montaña; em
1920, já como Pablo Neruda, publicou poemas no periódico literário Selva
Austral; considerado um dos mais importantes poetas de língua castelhana do
século XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923), Veinte poemas de amor
y una canción desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito (1926), El
habitante y su esperanza (novela, 1926), Canto general (1950), Los versos
del Capitán (1952), Todo el amor (1953), Estravagario (1958), Cien
sonetos de amor (1959), Cantos ceremoniales (1961), La Barcarola (1967), Las
manos del día (1968), Fin del mundo (1969), Maremoto (1970), La
espada escendida (1970), Confieso que he vivido — Memorias (1977) e
outros títulos; foi laureado com o Prêmio Nacional de Literatura do
Chile (1945), Prêmio Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel de
Literatura (1971); como diplomata do governo chileno, viveu em Burma,
Ceilão, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri.








