domingo, 31 de março de 2019

Pablo Neruda: As máscaras

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[traduzido por Geraldo Galvão Ferraz]

Piedade para estes séculos e seus sobreviventes
alegres ou maltratados, o que não fizemos
foi por culpa de ninguém, faltou aço:
nós o gastamos em tanta inútil destruição,
não importa no balanço nada disto:
os anos padeceram de pústulas e guerras,
anos desfalecentes quando tremeu a esperança
no fundo das garrafas inimigas.
Muito bem, falaremos alguma vez, algumas vezes,
com uma andorinha para que ninguém escute:
tenho vergonha, temos o pudor dos viúvos:
morreu a verdade e apodreceu em tantas fossas:
é melhor recordar o que vai acontecer:
neste ano nupcial não há derrotados:
coloquemo-nos, cada um, máscaras vitoriosas.

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Pablo Neruda

Las máscaras

Piedad para estos siglos y sus sobrevivientes
alegres o maltrechos, lo que no hicimos
fue por culpa de nadie, faltó acero:
lo gastamos en tanta inútil destrucción,
no importa en el balance nada de esto:
los años padecieron de pústulas y guerras,
años desfallecientes cuando tembló la esperanza
en el fondo de las botellas enemigas.
Muy bien, hablaremos alguna vez, algunas veces,
con una golondrina para que nadie escuche:
tengo vergüenza, tenemos el pudor de los viudos:
se murió la verdad y se pudrió en tantas fosas:
es mejor recordar lo que va a suceder:
en este año nupcial no hay derrotados:
pongámonos cada uno máscaras victoriosas.
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Defeitos Escolhidos & 2000 – Pablo Neruda, Tradução de Geraldo Galvão Ferraz, Edição Bilíngue, Volume 451, Coleção L&PM Pocket, reimpressão em 2011, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; conhecido e reconhecido pelo pseudônimo, Pablo Neruda (1904 1973), nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, chileno de Parral, estudou Pedagogia e Francês na Universidade do Chile, foi diplomata e poeta; aos treze anos começa a contribuir com alguns textos  para o jornal La Montaña; em 1920, já como Pablo Neruda, publicou poemas no periódico literário Selva Austral; considerado um dos mais importantes poetas de língua castelhana do século XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923), Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito (1926), El habitante y su esperanza (novela, 1926), Canto general (1950), Los versos del Capitán (1952), Todo el amor (1953), Estravagario (1958), Cien sonetos de amor (1959), Cantos ceremoniales (1961), La Barcarola (1967), Las manos del día (1968), Fin del mundo (1969), Maremoto (1970), La espada escendida (1970), Confieso que he vivido — Memorias (1977) e outros títulos; foi laureado com o Prêmio Nacional de Literatura do Chile (1945), Prêmio Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel de Literatura (1971); como diplomata do governo chileno, viveu em Burma, Ceilão, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri.

sábado, 30 de março de 2019

Carlos Queiroz Telles: Vocabulário

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Eu sei
que parece bobagem,
mas é legal
inventar palavra
que só a gente
sabe o que quer dizer.

Ou então
inventar um novo jeito
de dizer coisas antigas,
código, senha, segredo,
mensagem cifrada
pra adulto nenhum
poder entender,

Palavras
podem ser chaves.
Palavras
podem ser armas.
Palavras
podem ser muros.

Palavras bobas
que a gente ama,
podem não ser nada
e significar tudo.

A palavra

splin,

por exemplo,
que eu acabo de inventar,
quer dizer
menina bela,
namorada,
coisa linda,
gostosa de ver
e amassar.

Alguém
pode duvidar?

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Sementes de sol — Carlos Queiroz Telles, Capa e Ilustrações de May Shuravel, 1996, 6ª edição, Editora Moderna — São Paulo — SP; José Carlos Botelho de Queiroz Telles (1936 1993), paulista e paulistano, formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP — Largo São Francisco), foi dramaturgo, escritor e poeta; trabalhou em jornalismo e publicidade, tendo sido também professor universitário; teve participação ativa na fundação do Teatro Oficina, em cuja inauguração, 1958, estreou a peça A Ponte, de sua autoria; como dramaturgo, foi autor de obras para o teatro e televisão (novela e seriados), adaptou textos de Shakespeare, Camões e Calderón de La Barca; recebeu dois prêmios Moliére (1972 e 1976); além deste Sementes de sol (poesias), escreveu Sonhos, grilos e paixões (poesias), Tirando de letra, Asas brancas, Quase Cachorro e Quase MeninoMulher Manual do Proprietário, Homem Manual da ProprietáriaOs Amantes da chuvaO Pirilampo TelegrafistaO Rock das Estrelas, e tantos outros títulos da literatura infanto-juvenil.

sexta-feira, 29 de março de 2019

Shelley: À noite

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[traduzido por Péricles Eugênio da Silva Ramos]

                    I

Veloz caminha sobre a onda a oeste,
          Espírito da noite!
Da nevoenta caverna a leste,
Onde por todo o longo e solitário dia,
Teceste sonhos de temor e de alegria,
Que te fazem terrível e querida,
          Veloz seja o teu voo!

                    II

Envolve tua forma em capa acinzentada,
          Tu, de astros enfeitada!
Cega os olhos do dia com esses teus cabelos;
Beija-o até vê-lo se extenuar,
Vaga depois sobre cidade, e terra, e mar,
Tocando tudo com a varinha opiada:
          Vem, ó há muito procurada!

                    III

Quando me levantei e a aurora vi,
          Suspirei por ti;
Quando a luz se elevou, o orvalho dissipado,
E caiu grave o meio-dia em flor ou árvore,
E se voltou para o repouso o dia fatigado,
Hesitando tal qual conviva indesejado,
          Suspirei por ti.

                    IV

Chegou a morte, tua irmã, e aos brados:
          Tu me querias?
Teu doce filho, o Sono, olhos velados,
Murmurou como abelha à luz dos meios-dias:
Devo aninhar-me ao lado teu?
Tu me querias? E eu lhe respondi:
          Não, não a ti.

                    V

Virá a Morte quando houveres ido,
          Logo, muito logo;
O Sono chegará quando tiveres te evadido;
A nenhum deles pediria eu nada
Do que te peço, ó Noite amada:
Veloz seja o teu voo para mim,
          Vem logo, logo!

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Percy Bysshe Shelley

To Night

                    I

Swiftly walk o’er the western wave,
          Spirit of the Night!
Out of the misty eastern cave,
Where, all the long and lone daylight,
Thou wovest dreams of joy and fear,
Which make thee terrible and dear, 
          Swift be thy flight!

                    II

Wrap thy form in a mantle gray,
          Star-inwrought!
Blind with thine hair the eyes of Day
Kiss her until she be wearied out,
Then wander o’er city, and sea, and land,
Touching all with thine opiate wand 
          Come, long-sought!

                    III

When I arose and saw the dawn,
            I sighed for thee;
When light rode high, and the dew was gone,
And noon lay heavy on flower and tree,
And the weary Day turned to his rest,
Lingering like an unloved guest,
            I sighed for thee.

                    IV

Thy brother Death came, and cried,
          Wouldst thou me?
Thy sweet child Sleep, the filmy-eyed,
Murmured like a noontide bee,
Shall I nestle near thy side?
Wouldst thou me?  And I replied,
          No, not thee!

                    V

Death will come when thou art dead,
          Soon, too soon 
Sleep will come when thou art fled;
Of neither would I ask the boon
I ask of thee, belovèd Night 
Swift be thine approaching flight,
          Come soon, soon!
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Poesias de Shelley — Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1995, Coleção Toda Poesia nº 14, Art Editora Ltda., São Paulo — SP; Percy Bysshe Shelley (1792  1822), inglês nascido em Field Place, Horsham, foi poeta, ensaísta e dramaturgo do Romantismo da Inglaterra; de família abastada, fez seus estudos na Syon House Academy  Brentford e no Eton College, uma escola secular nos arredores do Castelo de Windsor; depois, matriculou-se na University College  Oxford, de onde foi expulso por ter publicado anonimamente um panfleto, The Necessity of Atheism, enviado aos bispos e outras personalidades, com um convite para debate e, intimado pelas autoridades escolares, ter-se calado, não respondendo se o folheto era ou não de sua autoria; com um professor de clássicos estudou de Horácio e Virgílio a Homero; traduziu O Banquete, de Platão; conheceu Lord Byron, John Keats, Leigh Hunt e outros escritores e poetas de sua época, convivendo com eles; sua bibliografia: Zastrozzi (romance, 1810), Original Poetry by Victor and Cazire (em coautoria com sua irmã Elizabeth Shelley, 1810), The Cenci, a Tragedy, in Five Acts (Os Cenci, uma Tragédia em 5 Atos, 1819), The Masque of Anarchy (1819), Una Favola (original em italiano, 1819), Ode to the West Wind (Ode ao Vento Oeste, 1819), Prometheus Unbound, A Lyrical Drama, in Four Acts (Prometeu Libertado, 1820), Adonais — elegia sobre a morte de John Keats (1821), Hellas, A Lyrical Drama (1821) e outros títulos; O poeta Shelley morreu no mar, quando o barco em que velejava desapareceu na neblina de uma tempestade, tendo seu corpo sido encontrado; Robert Schumann, Samuel Barber, Berthold Goldschmidt e outros compositores musicaram textos do poeta.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Amadeu Amaral: Sonho de amor

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Tudo isto há de passar, de certo, muito em breve...
Branca névoa sutil, ir-se-á quando o sol nasça;
Branco sonho de amor, passará, como passa
Pelas ondas em fúria uma garça de neve.

Passará dentro em pouco, imitando a fumaça
Que se evola e se esvai nas curvas que descreve.
Fumaça de ilusão, força é que o vento a leve,
Força é que o vento a leve, e disperse, e desfaça.

Que importa! Uma ilusão que nos alegra e afaga
Há de ser sempre assim, no mar bravo da vida,
Como a espuma que fulge e morre sobre a vaga.

Esta me há de fugir, esta que hoje me inflama!
E antes vê-la fugir como uma luz perdida
Que possuí-la na mão como um pouco de lama...

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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Seleção e Organização de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Amadeu Ataliba Arruda Amaral Leite Penteado (1875  1929), paulista de Capivari (hoje Monte Mor), foi poeta, jornalista, crítico, folclorista, ensaísta e filólogo; autodidata, sem concluir o curso secundário, trabalhou nos jornais Correio Paulistano, O Estado de São PauloDiário da Noite, Gazeta de Notícias (do Rio); bibliografia: Urzes (poesia, 1889), Névoa (poesia, 1902), Espumas (poesia, 1917), Letras Floridas (ensaio, 1920), O Dialeto Caipira (filologia, 1920), Lâmpada Antiga (poesia, 1924), O Elogio da mediocridade (ensaio, 1924) etc.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Lêdo Ivo: A clandestina

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Quem é esta clandestina
que dentro de mim viaja

e de mim não se separa
mesmo quando estou dormindo

e aparece nos meus sonhos
breve e leve como a neve?

Quem é esta clandestina
doce e branca e feminina

que me segue quando saio
sombra em mim dissimulada

e torna a voltar comigo
colada ao cair da tarde?

Quem é esta clandestina
que de mim não desembarca?

Sou seu trem ou seu navio?
Seu barco ou seu avião?

E sua voz me responde:
És meu berço e meu jazigo.

Antes mesmo de nasceres
eu já estava contigo.

E sempre estarei em ti
até o fim da viagem.

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Lêdo Ivo: Crepúsculo Civil  Poesia, 1990, Editora Record, São Paulo —  SP; Lêdo Ivo (1924 2012), alagoano de Maceió, foi jornalista, poeta, romancista, contista, cronista, ensaísta e tradutor; em 1943, mudando-se para o Rio de Janeiro, formou-se em Direito na Faculdade Nacional de Direito  hoje UFRJ , passou a colaborar com suplementos literários e a trabalhar como jornalista; bibliografia: em poesia, As Imaginações (1944), Ode e Elegia (1945), Acontecimento do Soneto (1948), Ode ao Crepúsculo (1948), Calabar (1985), Mar Oceano (1987), Crepúsculo Civil (1990), Curral de Peixe (1997) e outros; em prosa, As Alianças (romance, 1947), O Caminho Sem Aventura (romance, 1948), Lição de Mário de Andrade (ensaio, 1951), O Preto no Branco. Exegese de um poema de Manuel Bandeira (ensaio, 1955), A Cidade e os Dias (crônicas, 1957), Raimundo Correia: poesia (ensaio apresentação, seleção e notas, 1958), Use a Passagem Subterrânea (contos, 1961), O Sobrinho do General (romance, 1964), O Flautim (contos, 1966), O Navio Adormecido no Bosque (crônicas, 1971), Ninho de Cobras (romance, 1973), Modernismo e Modernidade (ensaio, 1972), Teoria e Celebração (ensaio, 1976), Confissões de um poeta (autobiografia, 1979), A Ética da Aventura (ensaio, 1982), O Canário Azul (infanto-juvenil, 1990), O aluno relapso (autobiografia, 1991), O Menino da Noite (infanto-juvenil, 1995), e tantos outros títulos em verso ou prosa, além de ter seus poemas e contos editados em muitas antologias literárias; o autor, que obteve diversas premiações literárias, teve obras vertidas para o espanhol, italiano, inglês, holandês, francês e sueco e, por sua vez, traduziu Austen, Maupassant, Rimbaud e Dostoievski.

terça-feira, 26 de março de 2019

Fernando Pessoa: Como um mau orador, demais livresco, . . . [soneto] *

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[traduzido por Philadelpho Menezes]

VI

Como um mau orador, demais livresco,
submerge o objetivo em calor ficto,
e, maquinal, o interno instinto fresco
enrola em rolamento alheio cripto;

como um poeta em prosa então versado,
não tendo a sutil música do verso,
com zelo inútil, mesmo rejeitado,
corteja a musa com discurso adverso;

estudo como amar ou detestar,
longe, pela razão, do sentimento,
e o pensado sentir a se sedar
mesmo que o seu feitio seja violento,

como aprender a nadar sem o rio;
se mais perto, mais longe está o ardil.

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VI

As a bad orator, badly o’er-book-skilled,
Doth overflow his purpose with made heat,
And, like a clock, winds with withoutness willed
What should have been an inner instinct’s feat;

Or as a prose-wit, harshly poet turned,
Lacking the subtler music in his measure,
With useless care labours but to be spurned,
Courting in alien speech the Muse’s pleasure;

I study how to love or how to hate,
Estranged by consciousness from sentiment,
With a thought feeling forced to be sedate
Even when the feeling’s nature is violent;

As who would learn to swim without the river,
When nearest to the trick, as far as ever.

Nota deste aprendiz de blogueiro: Fernando Pessoa viveu na África do Sul entre 1896 e 1905, tendo feito seus estudos ali e aprendido fluentemente a língua inglesa, daí ter escrito e publicado poemas neste idioma; quando voltou a viver em Portugal já tinha feito 17 anos de idade; 35 Sonnets pertence ao Pessoa ainda jovem.
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Poemas Ingleses (35 sonnets e Inscriptions) — Fernando Pessoa, Tradução, Introdução/Ensaio e Notas de Philadelpho Menezes e Apresentação de Fernando Segolin, edição bilingue, 1993, Editora Experimento, São Paulo —  SP; Fernando Antônio Nogueira de Seabra Pessoa (1888 1935), português nascido em Lisboa, considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, foi também escritor, crítico literário e tradutor;  seus estudos escolares no Convento de West Street e na High School, em Durban, África do Sul, onde aprendeu fluentemente o idioma inglês; no mundo das letras, contribuiu com revistas e jornais da época: A Águia (1912 e 1913), A Renascença (1914), Orpheu (1915), Exílio (1916), Centauro (1916), a revista literária Athena (1924 e 1925), entre tantos outros veículos de comunicação, alguns criados por ele e outros parceiros do ofício; em sua extensiva produção literária construiu também diversos heterônimos, dos quais os mais famosos e conhecidos são: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Bernardo Soares; em vida, além do livro Mensagem, única obra publicada em português, publicou, em inglês, Antinous, 35 Sonnets, English Poems I e II, English Poems III; o poeta legou-nos, ainda, uma vida inteira de trabalho inédito e inacabado.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Lúcio de Mendonça: A minha Amante

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É uma alta perfeição, sinceramente,
E das mais ideais e consumadas.
Tem as formas gentis arredondadas,
Como uma tentação armada à gente.

Vê-la é ter um desejo veemente
De a possuir por horas dilatadas...
Traz às macias costas adoradas
Fino crivo de linho, um meu presente.

Adoro-a com amor terno e constante;
Entre os braços da austríaca faceira
Esqueço-me da vida de estudante.

É austríaca, sim, essa estrangeira;
E não tem os perigos de outra amante,
Porque é, singelamente, uma cadeira.

1877

(Murmúrios e Clamores, poesias completas — 1ª edição, 1902.
Rio de Janeiro: Garnier, p. 231. Originalmente do livro
Canções do Outono — 1896 [Nota do Organizador])

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Lúcio de Mendonça — Série Essencial 68, Academia Brasileira de Letras, Organização de João Pedro Fagerlande, 2013, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Lúcio Eugênio de Meneses e Vasconcelos Drummond Furtado de Mendonça (1854 1909), fluminense de Piraí, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo atual USP do Largo de São Francisco , foi advogado, magistrado, jornalista, contista e poeta; colaborou em diversos periódicos da época, entre os quais O Ipiranga e A Província, de São Paulo, A República, do Rio de Janeiro e Colombo, de Campanha RJ; escreveu e publicou Névoas Matutinas (1872), Alvoradas (1875), O Marido da Adúltera (1882), Visões do Abismo (1888), Esboços e Perfis (1889), Vergastas (poesia, 1889), Canções de Outono (1896), Horas do bom tempo (1901), Murmúrios e Clamores — poesias completas (1902), Páginas Jurídicas (1903), A Caminho (1903); Lúcio de Mendonça foi o “pai” da idéia de criação de uma academia de letras, levando-a a efeito; como um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, coube-lhe a cadeira nº 11, cujo patrono é o poeta Fagundes Varela.