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segunda-feira, 7 de julho de 2025

Eugen Gömringer: da margem para dentro . . .


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[traduzido por Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger]

da margem
para dentro

e dentro
ao meio

pelo centro
do meio

para fora
à margem

Eugen Gömringer

vom rand nach innen . . .

vom rand
nach innen

im innern
zur mitte

duchs zentrum
der mitte

nach aussen
zum rand
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Seis décadas de poesia alemã: do pós-guerra ao início do século XXI [diversos poetas e poemas], antologia bilíngue, Organização e Tradução de Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger, Prefácio de Berthold Zilly, Posfácio de Marcus J. Weininger, Colaboração de Stephan Arnulf Baumgärtel, 2012, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Eugen Gomringer, nascido em 1925, boliviano de Cachuela Esperanza, viveu em Berna Suiça, frequentou escola em Zurique, estudou Economia, Arte e História na Universidade de Berna, tendo obtido ali seus primeiros contatos com a arte concreta, o concretismo, é poeta, artista visual, poeta visual, crítico literário, foi professor de Arte e Teoria Estética; estagiou no jornal diário Der Bund, foi co-fundador da revista de arte Spirale, em 1954 fez surgir o Vom Vers zur Konstellation, primeiro manifesto teórico da poesia concreta na língua alemã; em 1973, organizou uma antologia de poesia concreta, Konkrete Poesia: Deutschprachige Autoren Poesia Concreta de Autores de Língua Alemã, também editado em português e lançado no Brasil pelo Instituto Goethe; suas obras: Gedichtsammlung der Konkreten Poesie: konstellationen constellations constelaciones (1953), Das Stundenbuch (O livro das horas, 1965), Zur Sache der Konkreten. Band 1, Konkrete Poesie, Band 2: Konkrete Kunst. (1988), Theorie der Konkreten Poesie. Texte und Manifeste 1954-1997 (1997), Grammatische Konfession. Confession grammaticale (2002), Kommandier(t) die Poesie. Biografische Berichte (2006), Der Sonette Gezeiten. The sonnet’s tides (2009) e outros títulos; como palestrante, o poeta percorreu os Estados Unidos, países da América do Sul incluso Brasil e Zaire, a convite de Goethe-Instituts e Schweizer Kulturstiftung Pro Helvetia; Gomringer foi laureado com o Prêmio Cultural da cidade de Rehau, onde também fundou o Institut für Konstruktive Kunst und Konkrete Poesie (IKKP) Instituto de Arte Construtiva e Poesia Concreta em 2000 e, em 2022, recebeu o Prêmio Pro meritis scientiae et litterarum pelo conjunto da obra, estado da Baviera.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Augusto de Campos: Verso, Reverso, Controverso [apresentação]

 
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          Assim como há gente que tem medo do novo, há gente que tem medo do antigo. Eu defenderei até a morte o novo por causa do antigo e até a vida o antigo por causa do novo. O antigo que foi novo é tão novo como o mais novo novo. O que é preciso é saber discerni-lo no meio das velhacas velharias que nos impingiram durante tanto tempo.
          Arnaut Daniel, João Airas de Santiago, John Donne, Marino, Corbière ou Hopkins, Gregório de Matos ou Sousândrade ou Kilkerry, num sentido mais largo, não são menos novos que Joyce ou Pound ou Oswald ou Pignatari. São irmãos no tempo, mais irmãos e mais próximos que a diluente maioria dos literatti que nos cercam. Como não amá-los? Meu amor vegetal crescendo vasto.
          “Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito?” (Fernando Pessoa).
          A minha maneira de amá-los é traduzi-los. Ou degluti-los, segundo a Lei Antropofágica de Oswald de Andrade: só me interessa o que não é meu. Tradução para mim é persona. Quase heterônimo. Entrar dentro da pele do fingidor para refingir tudo de novo, dor por dor, som por som, cor por cor. Por isso nunca me propus traduzir tudo. Só aquilo que sinto. Só aquilo que minto. Ou que minto que sinto, como diria, ainda uma vez, Pessoa em sua própria persona.
          Outrossim, ou antes, outronão: tradução é crítica, como viu Pound melhor que ninguém. Uma das melhores formas de crítica. Ou pelo menos a única verdadeiramente criativa, quando ela a tradução é criativa.
          Tem mais. Vendo o que eles fizeram no seu tempo aprendemos melhor o que fazer ou não fazer porque já foi feito melhor no nosso. O “paideuma” de Pound: a ordenação da informação para que o próximo homem ou geração poderá achar o mais rapidamente possível a parte viva dela e gastar um mínimo de tempo com itens obsoletos.
          A poesia é uma família dispersa de náufragos bracejando no tempo e no espaço. Tento reunir aqui alguns de seus raros sobreviventes, dos que me falam mais de perto: os que lutaram sob uma bandeira e um lema radical a invenção e o rigor. Os intraduzidos e os intraduzíveis. Os que alargaram o verso e o fizeram controverso, para chegar ao reverso.
          Se disserem que isso não tem nada com o presente, direi que é mentira. Ezra Pound aprendeu muito com muitos deles. E quem não aprendeu com EP merece mais a nossa piedade que a nossa reprodução, como disse Hemingway. Os concretos aprenderam muito com essa gente. Os futurocratas passadófobos, que dividem a história em antes e depois de si mesmo, não passam de medíocres narcisistas que já serão enterrados no próximo passado do futuro.
          A poesia, por definição, não tem pátria. Ou melhor, tem uma pátria maior. “Um Oriente ao oriente do oriente.” Mas se disserem que tudo isso não tem nada a ver com “as nossas raízes”, é outra mentira. Um dia, um dedo, um dado dizem o contrário. É isso. Ovo novo no velho. “Fui-o outrora agora.”

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Verso Reverso Controverso: Augusto de Campos estudos críticos e poemas bilíngue de várias autorias, Apresentação, Tradução dos poemas, Informação bibliográfica e Notas de Augusto de Campos, 2ª edição revista, 1998, Editora Perspectiva, São Paulo SP; Augusto Luís Browne de Campos, paulistano, nascido em 1931, poeta, tradutor, ensaísta e crítico literário e de música, é reconhecido, desde 1952, quando lançou a revista literária "Noigandres" em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, como um dos criadores, representantes e divulgadores do movimento internacional da Poesia Concreta; a maioria de seus poemas está reunida em Viva Vaia (1979) e Não (2003); obra poética: Antologia Noigandres (1962), Linguaviagem (1970), Equivocábulo (1970), Colidoouescapo (1971), Despoesia, 1979 — 1993 (1994), Poesia é Risco, antologia poético-musical (cd livro, 1995); o autor também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu outros autores, em voo solo ou em co-autoria com outros estudiosos da literatura, inclusos Haroldo de Campos e Décio Pignatari.

sábado, 13 de julho de 2024

augusto de campos: américa latina: contra-boom da poesia

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o boom da américa latina espanhola
só esqueceu uma coisa
a poesia
(como viu octavio paz)

“acho a palavra boom repulsiva”
disse paz
“não se deve confundir
sucesso, publicidade ou venda
com literatura”

a poesia           arte pobre
lixo-luxo da cultura
nunca teve lugar
no mercado comum das letras latino-americanas
(onde só os brasileiros não vendem nada)

e no entanto
há algo nessa poesia
q merecia ser mais conhecido por aqui

claro, existe um grilo
entre nós e eles:
o surrealismo
(qualquer que seja o nome que lhe dêem)
impregna a massa dos poemas hispano-americanos
de uma insuportável retórica metaforizante
que não questiona a linguagem

a poesia brasileira
(que sofre de outros males)
nunca foi surrealista
(talvez porque o país seja surrealista
como disse o décio)

há uma belém-brasília
percorrendo a medula de nossa poesia
qualquer coisa jóia
qorpo estranho
entre o fácil e o fóssil

de oswald à poesia concreta
de joão cabral e joão gilberto
da pc à tropicália
criou-se uma outra linha experimental
antropófago-construtivista
que não tem paralelo
na américa espanhola

mas o chileno vicente huidobro (1893 1948)
especialmente o dos poemas visuais de 1917-18
e o de altazor (1931)
e o argentino oliverio girondo (1891 1967)
especialmente o de en la masmédula (1954)
superam os próprios cacoetes metafóricos
e caminham para o núcleo das palavras
que desintegram e reconstróem
em novas vivências léxicas
e novas sondagens poéticas

contemporâneos dos nossos modernistas
são dois raros pioneiros
habitantes
da face oculta criativa
da poesia latino-americana espanhola
a que existe

a que não quer titilar sentimentos
nem subornar más-consciências
poesia de linguagem
e não de língua
qorpo estranho

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o anticrítico — augusto de campos [poemas do autor e poemas bilíngue, de vários poetas], Texto-apresentação “Antes do Anti”, Traduções e Nota informativa de Augusto de Campos, 1986, 1ª reimpressão, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Augusto Luís Browne de Campos, paulista e paulistano, nascido em 1931, poeta, tradutor, ensaísta e crítico literário e de música, é reconhecido, desde 1952, quando lançou a revista literária "Noigandres" em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, como um dos criadores, representantes e divulgadores do movimento internacional da Poesia Concreta; a maioria de seus poemas está reunida em Viva Vaia (1979) e Não (2003); obra poética: Antologia Noigandres (1962), Linguaviagem (1970), Equivocábulo (1970), Colidoouescapo (1971), Despoesia, 1979 — 1993 (1994), Poesia é Risco, antologia poético-musical (cd livro, 1995); o autor também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu outros autores, em voo solo ou em co-autoria com outros estudiosos da literatura, inclusos Haroldo de Campos e Décio Pignatari.

sexta-feira, 21 de junho de 2024

augusto de campos: reverlaine


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paul verlaine
pauvre lélian
parecia fora da jogada
com todos os seus belos
sanglolons
mas vejam:
essa arte poética
débussydissonante
(que tem quase um século)
é de outra música.
o verso ímpar
de 9 sílabas
não é fácil de manejar
não é fácil também usar
a palavra ail
em vez de aile
ou alho
em lugar de ala
num poema.

e há uma série de d´sticos-lemas
até hoje válidos:
prends l’éloquence et tords-lui son cou!
q o confuso mário de andrade
da escrava que não era isaura
tachou de “errado”
erro corrigido por oswald
nos minipoemas
pau-brasil
como viu paulo prado:
“le poète japonais
essuye son couteau:
cette fois d’èloquence est morte”
ou
“em comprimidos,
minutos de poesia.”

“torce, aprimora, alteia, lima
a frase: e, enfim,
no verso de ouro engasta a rima
como um rubim.”

Olavo braz Martins dos Guimarães Bilac
tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac

pois sim

o qui dira les torts de la rima?
a rima, ce bijou d’un sou
(este toco oco):
“mulheres, rilke, esses bijus de um níquel!”
décio Pignatari em “o poeta virgem”
da sua bufoneria brasiliensis
(1952)!

de la musique avant toute chose
sim, a música é mais importante:
“all things that are...
are musical”
(richard crashaw)
“everything we do
is music”
(john cage)

“musica sola mei
superest medicina veneni”
disse a tarântula
à tarantela
“antidotum tarantulae”,
roma, 1641,
na pequena história da música
do mais útil mário de andrade.

“poesia não é bem literatura”
disse pound,
“provença knew”.

verlaine também, l’aventure
et tout le reste est littérature.

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o anticrítico — augusto de campos [poemas do autor e poemas bilíngue, de vários poetas], Texto-apresentação “Antes do Anti”, Traduções e Nota informativa de Augusto de Campos, 1986, 1ª reimpressão, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Augusto Luís Browne de Campos, paulistano, nascido em 1931, poeta, tradutor, ensaísta e crítico literário e de música, é reconhecido, desde 1952, quando lançou a revista literária "Noigandres" em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, como um dos representantes, criadores e divulgadores do movimento internacional da Poesia Concreta; a maioria de seus poemas está reunida em Viva Vaia (1979) e Não (2003); obra poética: Antologia Noigandres (1962), Linguaviagem (1970), Equivocábulo (1970), Colidoouescapo (1971), Despoesia, 1979 — 1993 (1994), Poesia é Risco, antologia poético-musical (cd livro, 1995); o autor também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu outros autores, em voo solo ou em co-autoria com outros estudiosos da literatura, inclusos Haroldo de Campos e Décio Pignatari.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Haroldo de Campos: renga em new york


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(fragmento)

1.
renga em new york: dante e louis zukofsky
estanças de três linhas terza rima
na manhattan de lorca e maiakóvski

quem será a primeira bailarina
nessa cadeia tríplice de estrofes
ouro dançante ou rápida platina?

renga em new york: estrofe e antístrofe
a rima rara a rima peregrina
vodka e rododendros cafre e cofre

café e frutas cítricas citrina
é a cor das nuvens voando para o norte
e o sol se põe: tabaco e purpurina

enquanto a noite pende e o amor desporte
de cínicos conjuga vitaminas
e orgasmos dedirróseos de clitóris

renga em new york: a estrela vespertina
sousândrade desastres astros sorte
e o guesa pára aqui e a luz se fina
[ . . . ]

Crisantempo no espaço curvo nasce um (1998)

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Haroldo de Campos: [Coleção] Ciranda da poesia, Apresentação, Seleção e Notas de Marcos Siscar, 2015, EdUERJ Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro RJ; Haroldo Eurico Browne de Campos (1929 2003), paulista e paulistano, fez seus estudos secundários no Colégio São Bento, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco) e com doutorado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, foi professor universitário, ensaísta, crítico literário, poeta e tradutor; ainda no Colégio São Bento, aprendeu os primeiros idiomas estrangeiros (latim, inglês, espanhol e francês); em 1952 foi coinventor da revista literária Noigandres em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, e passou a ser reconhecido como um dos criadores do Concretismo e um dos representantes e difundidores do movimento internacional da Poesia Concreta; em 1972, no doutorado pela FFLCH USP e sob a orientação de Antonio Candido, apresentou a tese Para uma teoria da prosa modernista brasileira: morfologia do Macunaíma, transformada em livro no ano seguinte; como professor universitário, lecionou na PUC SP e na Universidade do Texas, em Austin USA; suas obras: Auto do Possesso (1950), O Âmago do Ômega (1956), Fome de Forma (1959), Re-Visão de Sousândrade (crítica literária, em conjunto com Augusto de Campos, 1962), Morfologia do Macunaíma (crítica literária, 1973), Xadrez de Estrelas: Percurso Textual, 19491974 (antologia, 1976), Signantia: Quase Coelum Signância: quase céu (1979), A educação dos cinco sentidos (1985), Galáxias (1986), Metalinguagem & outras metas (crítica literária, 1992), Crisantempo no espaço curvo nasce um (1998), O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: O Caso Gregório de Matos (crítica literária, 2000), etc. etc.; Haroldo de Campos também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu autores (Ezra Pound, Mallarmé, Homero, Dante, Poesia Russa Moderna, Eclesiastes [livro bíblico], Octavio Paz, Kaváfis, Maiakóvski), em voo solo ou em co-autoria com estudiosos da literatura, inclusos Augusto de Campos, Décio Pignatari e Boris Schnaiderman; o poeta e ensaísta teve obras premiadas, 5 Prêmios Jabuti inclusos.

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Haroldo de Campos: Klimt: tentativa de pintura (com modelo ausente)

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1.
lourovioleta: um monstro uma
figura em ouro cin
zelada das unhas à raiz (crin
a) metalizada dos cabelos pedi
curada em roxo um traço bis
(não de bistre) um risco de li
lás as pálpebras dobradas
como mariposas (como mari
posas) sim pedicurada em roxo
e as pontiagudas unhas só li
lás da mesma cor do pij
ama uma figura um monstro
sim (quimono): klimt.

2.
e sob isto tudo como sob
uma panóplia (armada) um pavilhão
de pedraria (um baldaquino) dra
pejantes panos (um azul turquino)
(caravelas ao largo) bandeiras de um
(impossível) impromptu ultra
(biombo grand’aberto gonfalão panóplia)
violeta

o corpo (a ci
catriz li
lás)
o branco albino se diria
o corpo um cor
po de me
nina
 
(A educação dos cinco sentidos  1985)

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Haroldo de Campos: [Coleção] Ciranda da poesia, Apresentação, Seleção e Notas de Marcos Siscar, 2015, EdUERJ — Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro — RJ; Haroldo Eurico Browne de Campos (1929  2003), paulista e paulistano, fez seus estudos secundários no Colégio São Bento, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco) e com doutorado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, foi professor universitário, ensaísta, crítico literário, poeta e tradutor; ainda no Colégio São Bento, aprendeu os primeiros idiomas estrangeiros (latim, inglês, espanhol e francês); em 1952 foi coinventor da revista literária Noigandres em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, e passou a ser reconhecido como um dos criadores do Concretismo e um dos representantes e difundidores do movimento internacional da Poesia Concreta; em 1972, no doutorado pela FFLCH  USP e sob a orientação de Antonio Candido, apresentou a tese Para uma teoria da prosa modernista brasileira: morfologia do Macunaíma, transformada em livro no ano seguinte; como professor universitário, lecionou na PUC  SP e na Universidade do Texas, em Austin  USA; suas obras: Auto do Possesso (1950), O Âmago do Ômega (1956), Fome de Forma (1959), Re-Visão de Sousândrade (crítica literária, em conjunto com Augusto de Campos, 1962), Morfologia do Macunaíma (crítica literária, 1973), Xadrez de Estrelas: Percurso Textual, 19491974 (antologia, 1976), Signantia: Quase Coelum — Signância: quase céu (1979), A educação dos cinco sentidos (1985), Galáxias (1986), Metalinguagem & outras metas (crítica literária, 1992), Crisantempo  no espaço curvo nasce um (1998), O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: O Caso Gregório de Matos (crítica literária, 2000), etc. etc.; Haroldo de Campos também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu autores (Ezra Pound, Mallarmé, Homero, Dante, Poesia Russa Moderna, Eclesiastes [livro bíblico], Octavio Paz, Kaváfis, Maiakóvski), em voo solo ou em co-autoria com estudiosos da literatura, inclusos Augusto de Campos, Décio Pignatari e Boris Schnaiderman; o poeta e ensaísta teve obras premiadas, 5 Prêmios Jabuti inclusos.

segunda-feira, 20 de março de 2023

Haroldo de Campos: Parafernália para Hélio Oiticica


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1.
retículas
redes desredes
reticulares ares áreas
tramas retramas redes
áreas
reticulares
reticulária
colares de quadrículos
contas cubículos
áreas ares
tramas retramas
desarticulária
de áreas reais
o rosto implode
camaleocaleidoscópico

2.
o amarelo
os elos do amarelo
o vermelho
os espelhos do vermelho
o verde
os revérberos do verde
o azul
os nus do azul
os martelos do amarelo
as veredas do vermelho
os enredos do verde
os zulus nus do azul
os brancos elefantes do branco

3.
hélios, o sol, não desmesura

4.
(cineteatro nô / psicocenografado por sousândrade
com roteiro ideogrâmico de eisenstein):

onde se lê hagoromo, leia-se parangolé
onde se vê monte fuji, veja-se morro da mangueira

o parangoromo
pluriplumas
se héliexcelsa
hélifante
celucinário
até
decéuver-se
no céu do
céu

5.
hélio sobe no zepelim das cores
movido a parangol’hélium
e se dissolve no sol do céu

(A educação dos cinco sentidos 1985)

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Haroldo de Campos: [Coleção] Ciranda da poesia, Apresentação, Seleção e Notas de Marcos Siscar, 2015, EdUERJ Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro RJ; Haroldo Eurico Browne de Campos (1929 2003), paulista e paulistano, fez seus estudos secundários no Colégio São Bento, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco) e com doutorado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, foi professor universitário, ensaísta, crítico literário, poeta e tradutor; ainda no Colégio São Bento, aprendeu os primeiros idiomas estrangeiros (latim, inglês, espanhol e francês); em 1952 foi coinventor da revista literária Noigandres em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, e passou a ser reconhecido como um dos criadores do Concretismo e um dos representantes e difundidores do movimento internacional da Poesia Concreta; em 1972, no doutorado pela FFLCH USP e sob a orientação de Antonio Candido, apresentou a tese Para uma teoria da prosa modernista brasileira: morfologia do Macunaíma, transformada em livro no ano seguinte; como professor universitário, lecionou na PUC SP e na Universidade do Texas, em Austin USA; suas obras: Auto do Possesso (1950), O Âmago do Ômega (1956), Fome de Forma (1959), Re-Visão de Sousândrade (crítica literária, em conjunto com Augusto de Campos, 1962), Morfologia do Macunaíma (crítica literária, 1973), Xadrez de Estrelas: Percurso Textual, 19491974 (antologia, 1976), Signantia: Quase Coelum Signância: quase céu (1979), A educação dos cinco sentidos (1985), Galáxias (1986), Metalinguagem & outras metas (crítica literária, 1992), Crisantempo no espaço curvo nasce um (1998), O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: O Caso Gregório de Matos (crítica literária, 2000), etc. etc.; Haroldo de Campos também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu autores (Ezra Pound, Mallarmé, Homero, Dante, Poesia Russa Moderna, Eclesiastes [livro bíblico], Octavio Paz, Kaváfis, Maiakóvski), em voo solo ou em co-autoria com estudiosos da literatura, inclusos Augusto de Campos, Décio Pignatari e Boris Schnaiderman; o poeta e ensaísta teve obras premiadas, 5 Prêmios Jabuti inclusos.

quarta-feira, 15 de março de 2023

Haroldo de Campos: ganimedes

 
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[tradução/transcriação do poema Ganymed,
de Johann Wolfgang von Goethe]

Como no rubor-manhã
Circunda-me teu ardor,
Primavera, Dileta!
Como no amor mil-doçuras
Empolga-me o coração
Teu calor sempiterno,
Sacrossanto sentir,
Intérmina beleza!
Quem me dera estreitar-te
Neste abraço!
No teu colo ah!
Descanso e me confundo,
E tuas flores, tua relva,
O coração me empolgam.
Amainas a fremente
Sede do meu seio,
Amável brisa matinal!
Chama-me amoroso o rouxinol,
De lá, do vale das brumas.

Vou indo! Vou indo!
Aonde? Para onde?
Acima, céu-acima,
Altas nuvens pairando,
Declinam, céu abaixo,
Pendem para o amor desejante,
Para mim! Para mim!
No seu regaço,
Céu acima,
Envolto, circunvolto,
Para cima, a teu seio,
Pai oniamoroso!

 

Ganymed (Johann Wolfgang von Goethe)

Wie im Morgenglanze
Du rings mich anglühst,
Frühling, Geliebter!
Mit tausendfacher Liebeswonne
Sich an mein Herz drängt
Deiner ewigen Wärme
Heilig Gefühl,
Unendliche Schöne!
Daß ich dich fassen möcht
In diesen Arm!

Ach, an deinem Busen
Lieg ich, schmachte,
Und deine Blumen, dein Gras
Drängen sich an mein Herz.
Du kühlst den brennenden
Durst meines Busens,
Lieblicher Morgenwind!
Ruft drein die Nachtigall
Liebend nach mir aus dem Nebeltal.
Ich komm, ich komme!
Wohin? Ach, wohin?

Hinauf! Hinauf strebts.
Es schweben die Wolken
Abwärts, die Wolken
Neigen sich der sehnenden Liebe.
Mir! Mir!
In euerm Schoße
Aufwärts!
Umfangend umfangen!
Aufwärts an deinen Busen,
Alliebender Vater!
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Entremilênios Haroldo de Campos, Organização e Nota de Carmen de P. Arruda Campos, 2009. 1ª edição e 1ª reimpressão, Editora Perspectiva, São Paulo SP; Haroldo Eurico Browne de Campos (1929 2003), paulista e paulistano, fez seus estudos secundários no Colégio São Bento, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco) e com doutorado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, foi professor universitário, ensaísta, crítico literário, poeta e tradutor; ainda no Colégio São Bento, aprendeu os primeiros idiomas estrangeiros (latim, inglês, espanhol e francês); em 1952 foi coinventor da revista literária Noigandres em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, e passou a ser reconhecido como um dos criadores do Concretismo e um dos representantes e difundidores do movimento internacional da Poesia Concreta; em 1972, no doutorado pela FFLCH USP e sob a orientação de Antonio Candido, apresentou a tese Para uma teoria da prosa modernista brasileira: morfologia do Macunaíma, transformada em livro no ano seguinte; como professor universitário, lecionou na PUC SP e na Universidade do Texas, em Austin USA; suas obras: Auto do Possesso (1950), O Âmago do Ômega (1956), Fome de Forma (1959), Re-Visão de Sousândrade (crítica literária, em conjunto com Augusto de Campos, 1962), Morfologia do Macunaíma (crítica literária, 1973), Xadrez de Estrelas: Percurso Textual, 19491974 (antologia, 1976), Signantia: Quase Coelum Signância: quase céu (1979), Galáxias (1986), Metalinguagem & outras metas (crítica literária, 1992), O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: O Caso Gregório de Matos (crítica literária, 2000), etc. etc.; Haroldo de Campos também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu autores (Ezra Pound, Mallarmé, Homero, Dante, Poesia Russa Moderna, Eclesiastes [livro bíblico], Octavio Paz, Kaváfis, Maiakóvski, ...), em voo solo ou em co-autoria com estudiosos da literatura, inclusos Augusto de Campos, Décio Pignatari e Boris Schnaiderman; o poeta e ensaísta teve obras premiadas, 5 Prêmios Jabuti inclusos.