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sábado, 11 de agosto de 2012

Sérgio de Castro Pinto: Escrever / Não escrever


escrever é um suicídio branco.
um consumir-se
no fogo brando das palavras.

não escrever, um suicídio em branco.
um consumar-se sem metáforas.
O Cerco da Memória (1993)
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Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 60, Seleção e Prefácio de Pedro Lyra, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2011, São Paulo — SP; Sérgio Martinho Aquino de Castro Pinto, paraibano de João Pessoa, nascido em 1947, mestre em Letras pela Universidade Federal da Paraíba é professor de Literatura, jornalista e poeta; publicou Gestos Lúcidos (1967), A Ilha na Ostra (1970), Domicílio em Trânsito (1983 inclui seleção dos anteriores), O Cerco da Memória (1993 inclui seleção dos anteriores), A Quatro Mãos (1996), Zoo Imaginário (2005), O Cristal dos Verões (2007 poemas escolhidos).

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Myriam Fraga: Ars poetica


Poesia é coisa
De mulheres.
Um serviço usual
Reacender de fogos.

Nas esquinas da morte
Enterrei a gorda
Placenta enxundiosa

E caminhei serena
Sobre as brasas
Até o lado de lá
Onde os demônios habita.

Poesia é sempre assim:
Uma alquimia de fetos,
Um lento porejar
De venenos sob a pele.

Poesia é a arte
Da rapina.
Não a caça, propriamente,
Mas sempre nas mãos
Um lampejo de sangue.

Em vão,
Procuro meu destino:
No pássaro esquartejado
A escritura das vísceras.

Poesia como antojos,
Como um ventre crescendo,
A pele esticada
De úteros estalando.

Poesia é esta coisa
Delicada e perversa,
Esta umidade perolada
A escorrer de meu corpo,

Empapando-me as roupas
Como uma água de febre.
Sincretismo, de Pedro Lyra (1995)
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Roteiro da Poesia Brasileira  Anos 60, Seleção e Prefácio de Pedro Lyra, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2011, São Paulo — SP; Myriam Fraga, baiana nascida em Salvador, em 1937, é poeta, biógrafa e administradora cultural (diretora executiva da Fundação Casa de Jorge Amado, desde a sua fundação em 1986); membro da Associação Baiana de Imprensa, foi colaboradora de diversos jornais e revistas e, de 1984 a 2004, manteve coluna semanal no jornal A Tarde, em Salvador; escreveu: Marinhas (1964), Sesmaria (1969, Prêmio Arthur Salles), O livro de Adynata (1975), A ilha (1975), O risco na pele (1979), A cidade (1979), As purificações ou O sinal de Talião (1981), A lenda do pássaro que roubou o fogo (1983), entre outros.