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(traduzido
por Rodrigo Breunig)
eu estava
tomando café no
balcão
quando um
homem
3 ou 4
banquinhos abaixo
me
perguntou
“vem cá,
não era você o
cara que
estava
pendurado
pelos
calcanhares
daquele
quarto de hotel
no quarto
andar
outra
noite?”
“sim”, eu
respondi, “eu
mesmo.”
“o que te
levou a fazer
aquilo?”,
ele perguntou.
“bem, é
bastante
complicado.”
então ele
virou a
cara.
a
garçonete
que tinha
ficado
ali
parada
me
perguntou
“ele
estava brincando,
não
estava?”
“não”, eu
disse.
paguei,
levantei, fui
até a
porta,
abri.
ouvi o
homem
dizendo ”esse
cara é
maluco”.
na rua eu
fui
andando
para o norte
me
sentindo
curiosamente
homenageado.
coffee
I was having a coffee at the
counter
when a man
3 or 4 stools down
asked me,
“listen, weren’t you the
guy who was
hanging from his
heels
from that 4th floor
hotel room
the other
night?”
“yes,” I answered, “that
was me.”
“what made you do
that?” he asked.
“well, it’s pretty
involved.”
he looked away
then.
the waitress
who had been
standing there
asked me,
“he was joking,
wasn’t
he?”
"no," I
sald.
I paid, got up, walked
to the door, opened
it.
I heard the man
say, “that guy’s
nuts.”
out on the street I
walked north
feeling
curiously
honored.
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Você fica
tão sozinho às vezes que até faz sentido: Charles Bukowski, Tradução de Rodrigo
Breunig, 1ª edição em 2018,
Coleção L&PM Pocket, volume 1345, reimpressão em 2025, L&PM Editores,
Porto Alegre — RS; Henry Charles Bukowski Jr. (1920 — 1994), ou Heinrich Karl Bukowski,
alemão de Andernach, que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente
em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta, romancista e contista; em 1939,
iniciou o curso de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; pôs-se
a escrever, foi expulso de casa, passou a morar em pensões e, sem emprego, desistiu
da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias
cidades americanas, trabalhou em empregos temporários como faxineiro, frentista,
motorista de caminhão; depois, ingressou nos correios, trabalhando como carteiro
por quatorze anos; adquiriu alguma notoriedade com publicações de contos nos
jornais alternativos Open City e Nola Express; aos 49 anos largou o emprego para
se dedicar à carreira de escritor; suas obras: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea
de poesias, 1960), It Catches My Heart in its Hands (coletânea de poesias, 1963),
Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts (Notas de um velho safado, 1965),
Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love is a
Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres, romance,
1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979), You Get So Alone at Times
that It Just Makes Sense (Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido,
poemas, 1986) e tantos outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com
Cartas na Rua, romance que o tornaria famoso, passou a fazer uso de seu alterego
Henry Chinaski que o acompanhou na quase totalidade de seus romances.