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sábado, 30 de maio de 2026

Charles Bukowski: café

 
____________________
(traduzido por Rodrigo Breunig)

eu estava tomando café no
balcão
quando um homem
3 ou 4 banquinhos abaixo
me perguntou
“vem cá, não era você o
cara que estava
pendurado pelos
calcanhares
daquele quarto de hotel
no quarto andar
outra
noite?”

“sim”, eu respondi, “eu
mesmo.”

“o que te levou a fazer
aquilo?”, ele perguntou.

“bem, é bastante
complicado.”

então ele virou a
cara.

a garçonete
que tinha ficado
ali parada
me perguntou
“ele estava brincando,
não
estava?”

“não”, eu
disse.

paguei, levantei, fui
até a porta,
abri.

ouvi o homem
dizendo ”esse cara é
maluco”.

na rua eu fui
andando para o norte
me sentindo
curiosamente
homenageado.

Charles Bukowski

coffee

I was having a coffee at the
counter
when a man
3 or 4 stools down
asked me,
“listen, weren’t you the
guy who was
hanging from his
heels
from that 4th floor
hotel room
the other
night?”

“yes,” I answered, “that
was me.”
“what made you do
that?” he asked.

“well, it’s pretty
involved.”

he looked away
then.

the waitress
who had been
standing there
asked me,
“he was joking,
wasn’t
he?”

"no," I
sald.

I paid, got up, walked
to the door, opened
it.

I heard the man
say, “that guy’s
nuts.”

out on the street I
walked north
feeling
curiously
honored.
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Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido: Charles Bukowski, Tradução de Rodrigo Breunig, 1ª edição em 2018, Coleção L&PM Pocket, volume 1345, reimpressão em 2025, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Henry Charles Bukowski Jr. (1920 — 1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach, que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta, romancista e contista; em 1939, iniciou o curso de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; pôs-se a escrever, foi expulso de casa, passou a morar em pensões e, sem emprego, desistiu da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois, ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; adquiriu alguma notoriedade com publicações de contos nos jornais alternativos Open City e Nola Express; aos 49 anos largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; suas obras: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960), It Catches My Heart in its Hands (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts (Notas de um velho safado, 1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres, romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979), You Get So Alone at Times that It Just Makes Sense (Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido, poemas, 1986) e tantos outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria famoso, passou a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanhou na quase totalidade de seus romances.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Charles Bukowski: aposentado

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(traduzido por Rodrigo Breunig)

costeletas de porco, dizia o meu pai, eu adoro
costeletas de porco!

e eu o via enfiar a gordura
na boca.

panquecas, ele dizia, panquecas com
calda, manteiga e bacon!

eu via seus lábios encharcados com
tudo aquilo.

café, ele dizia, eu gosto de café bem quente,
queimando a garganta!

às vezes estava tão quente que ele cuspia o café
na mesa toda.

purê de batatas com molho, ele dizia, eu
adoro purê de batatas com molho!

ele abocanhava aquilo, suas bochechas inchadas
como se tivesse caxumba.

feijão com chili, ele dizia, eu adoro feijão com
chili!

e engolia tudo e peidava por horas
bem alto, sorrindo após cada peido.

bolinho de morango, ele dizia, com sorvete
de baunilha, é assim que se termina uma refeição!

ele sempre falava sobre aposentadoria, sobre
o que faria quando se
aposentasse.
quando não estava falando sobre comida ele falava
sem parar sobre
aposentadoria.

ele não chegou à aposentadoria, ele morreu certo dia
de pé junto à pia
enchendo um copo de água.
esticou o corpo como se tivesse levado
um tiro.
o copo caiu de sua mão
e ele tombou para trás
pousando na horizontal
sua gravata escorregando pela
esquerda.

depois
as pessoas disseram que não conseguiam
acreditar.
ele parecia
ótimo.
distintas suíças
brancas, maço de cigarro no
bolso da camisa, sempre soltando
piadas, talvez um pouco
espalhafatoso e talvez com certo mau
humor
mas no geral
um indivíduo aparentemente
sadio

jamais perdendo um dia
de trabalho.

Charles Bukowski

retired

pork chops, said my father, I love
pork chops!

and I watched him slide the grease
into his mouth.

pancakes, he said, pancakes with
syrup, butter and bacon!

I watched his lips heavy wetted with
all that.

coffee, he said, I like coffee so hot
it burns my throat!

sometimes it was too hot and he spit it
out across the table.

mashed potatoes and gravy, he said, I
love mashed potatoes and gravy!

he jowled that in, his cheeks puffed as
if he had the mumps.

chili and beans, he said, I love chili and
beans!

and he gulped it down and farted for hours
loudly, grinning after each fart.

strawberry shortcake, he said, with vanilla
ice cream, that's the way to end a meal!

he always talked about retirement, about
what he was going to do when he
retired.
when he wasn't talking about food he talked
on and on about
retirement.

he never made it to retirement, he died one day while
standing at the sink
filling a glass of water.
he straightened like he'd been
shot.
the glass fell from his hand
and he dropped backwards
landing flat
his necktie slipping to the
left.

afterwards
people said they couldn't believe
it.
he looked
great.
distinguished white
sideburns, pack of smokes in his
shirt pocket, always cracking
jokes, maybe a little
loud and maybe with a bit of bad
temper
but all in all
a seemingly sound
individual

never missing a day
of work.
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Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido: Charles Bukowski, Tradução de Rodrigo Breunig, 1ª edição em 2018, Coleção L&PM Pocket, volume 1345, reimpressão em 2025, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Henry Charles Bukowski Jr. (1920 — 1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach, que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta, romancista e contista; em 1939, iniciou o curso de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; pôs-se a escrever, foi expulso de casa, passou a morar em pensões e, sem emprego, desistiu da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois, ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; adquiriu alguma notoriedade com publicações de contos nos jornais alternativos Open City e Nola Express; aos 49 anos largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; suas obras: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960), It Catches My Heart in its Hands (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts (Notas de um velho safado, 1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres, romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979), You Get So Alone at Times that It Just Makes Sense (Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido, poemas, 1986) e tantos outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria famoso, passou a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanhou na quase totalidade de seus romances.

domingo, 19 de outubro de 2025

Charles Bukowski: Algumas das Minhas Leitoras


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[traduzido por Jorge Wanderley]

Gostei de sair daquele Café caro
na Alemanha
naquela noite chuvosa
algumas das senhoras tinham sabido que eu
estava ali
e quando eu saía bem-alimentado e
bebido
as senhoras
carregavam cartazes
e gritavam para mim
mas tudo que entendi foi meu
nome.

perguntei a um amigo alemão o que elas
gritavam.

"elas odeiam você", ele disse,
"elas são do Movimento Alemão
de Liberação da Mulher..."

parei e olhei para elas, estavam
belas e gritando, adorei
todas, ri e acenei,
joguei beijos para elas.

aí meu amigo, meu editor e minha
namorada me levaram para o carro, o
motor começou a funcionar,
os limpadores de pára-brisas também
e enquanto partíamos na chuva
olhei para trás
para elas lá, de pé
naquele terrível mau tempo
levantando seus cartazes e seus
punhos.

era ótimo ser reconhecido
no país em que nasci, isso
era o que mais
importava...

* * *

de volta ao quarto do hotel
abrindo garrafas de vinho
com meus amigos
senti falta delas,
pobres iradas molhadas
apaixonadas senhoras
da noite.

Charles Bukowski

Some of My Readers

I liked it coming out of that expensive
cafe in Germany
that rainy night
some of the ladies had learned that I
was in there
and as I walked out well-fed and
intoxicated
the ladies waved
ploacards
and screamed at me
but all I recognized was my
name.

I asked a German friend what they were
saying.

“they hate you,” he told me,
“they belong to the German Female
Liberation Movement...”

I stood and watched them, they were
beautiful and screaming, I
loved them all, I laughed, waved,
blew them kisses.

then my friend, my publisher and my
girlfriend got me into the car; the
engine started, the windshield wipers
began thrashing
and as we drove off in the rain
I looked back
watched  them standing in that
terrible weather
waving their  placards and their
fists.

It was nice to be recognized
in the country of my birth, that
was what mattered
most...

* * *

back at the hotel room
opening bottles of wine
with my friends
I missed them,
those angry wet
passionate ladies
of the night.

War All the Time: Poems 1981—1984 (1984)
____________________
Os 25 Melhores Poemas de Charles Bukowski, edição bilíngue, Organização e Apresentação de Márcia Cavendish Wanderley e Tradução de Jorge Wanderley, 2ª edição, 2003, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro — RJ; Henry Charles Bukowski Jr. (1920 — 1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach, que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta, romancista e contista; em 1939, iniciou o curso de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; pôs-se a escrever, foi expulso de casa, passou a morar em pensões e, sem emprego, desistiu da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois, ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; adquiriu alguma notoriedade com publicações de contos nos jornais alternativos Open City e Nola Express; aos 49 anos largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; suas obras: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960), It Catches My Heart in its Hands (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts (Notas de um velho safado, 1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres, romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979), War All the Time: Poems 1981—1984 (1984), You Get So Alone at Times that It Just Makes Sense (Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido, poemas, 1986), The Roominghouse Madrigals: Early Selected Poems 1946—1966 (1988) e tantos outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria famoso, passou a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanha na quase totalidade de seus romances.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Charles Bukowski: implacável como a tarântula

 
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(traduzido por Rodrigo Breunig)

não vão deixar você
ocupar uma mesa de frente
num café qualquer na Europa
sob o sol do meio da tarde.
se você fizer isso, alguém vai
passar de carro e
pulverizar as suas tripas com uma
submetralhadora.

não vão deixar você
se sentir bem
por muito tempo
em lugar algum.
as forças não vão
deixar você ficar à toa
coçando o saco e
relaxando.
você precisa agir
como eles mandam.

os infelizes, os amargos e os
vingativos
precisam manter o
vício — que é
ver você ou alguém
qualquer um
em sofrimento, ou
melhor ainda
morto, jogado em algum
buraco.

enquanto existirem
seres humanos por aí
nunca existirá
nenhuma paz
para nenhum indivíduo
nesta terra (ou
em qualquer outro lugar
para onde eventualmente
alguém possa escapar).

tudo que você pode fazer
é talvez obter
dez minutos de sorte
aqui
ou talvez uma hora
ali.

algo
está trabalhando contra você
neste exato momento, e
me refiro a você
e ninguém senão
você.

Charles Bukowski

relentless as the tarantula

they're not going to let you
sit at a front table
at some cafe in Europe
in the mid-afternoon sun.
if you do, somebody's going to
drive by and
spray your guts with a
submachine gun.

they're not going to let you
feel good
for very long
anywhere.
the forces aren't going to
let you sit around
fucking-off and
relaxing.
you've got to do it
their way.

the unhappy, the bitter and
the vengeful
need their
fix — which is
you or somebody
anybody
in agony, or
better yet
dead, dropped into some
hole.

as long as there are
human beings about
there is never going to be
any peace
for any individual
upon this earth (or
anywhere else
they might
escape to).

all you can do
is maybe grab
ten lucky minutes
here
or maybe an hour
there.

something
is working toward you
right now, and
I mean you
and nobody but
you.
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Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido: Charles Bukowski, Tradução de Rodrigo Breunig, 1ª edição em 2018, Coleção L&PM Pocket, volume 1345, reimpressão em 2025, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Henry Charles Bukowski Jr. (1920 — 1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach, que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta, romancista e contista; em 1939, iniciou o curso de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; pôs-se a escrever, foi expulso de casa, passou a morar em pensões e, sem emprego, desistiu da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois, ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; adquiriu alguma notoriedade com publicações de contos nos jornais alternativos Open City e Nola Express; aos 49 anos largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; suas obras: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960), It Catches My Heart in its Hands (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts (Notas de um velho safado, 1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres, romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979), You Get So Alone at Times that It Just Makes Sense (Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido, poemas, 1986) e tantos outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria famoso, passou a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanhou na quase totalidade de seus romances.

domingo, 27 de julho de 2025

Charles Bukowski: Conversa às Três e Meia da Madrugada

 
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[traduzido por Jorge Wanderley]

às três e meia da madrugada
a porta se abre
e há passos na entrada
que trazem um corpo,
e uma batida
e você repousa a cerveja
e vai ver quem é.

com os diabos, ela diz,
você não dorme nunca?

e ela entra
com o cabelo nos rolinhos
e num robe de seda
estampado de coelho e passarinho

e ela trouxe a sua própria garrafa
à qual você gloriosamente acrescenta
2 copos,
o marido, ela diz, está na Flórida
e a irmã manda dinheiro e vestidos para ela,
e ela tem estado procurando emprego
nos últimos 32 dias.

você diz a ela
que é um cambista de jóquei e
um compositor de jazz e canções românticas,
e depois de uns dois copos
ela não se preocupa com cobrir
as pernas
com a beira do robe
que está sempre caindo.

não são pernas nada feias,
na verdade são pernas ótimas,
e logo você está beijando uma
cabeça cheia de rolinhos,

e os coelhos estão começando a
piscar, e a Flórida é longe, e ela diz
que não somos realmente estranhos
porque ela tem me visto
na entrada.

e finalmente
há muito pouca coisa
para dizer.

Charles Bukowski

3:30 A.M. Conversation

at 3:30 a.m. in the morning
a door opens
and feet come down the hall
moving a body,
and there is a knock
and you put down your beer
and answer.

god damn it, she says,
dont' you ever sleep?

and she walks in
her hair in curlers
and herself in a silk robe
covered with rabbits and birds

and she has brought her own bottle
to which you splendidly add
2 glasses;
her husband, she says, is in Florida
and the sister sends her money and dresses,
and she has been looking for a job
for 32 days.

you tell her
you are a jockey's agent and a
writer of jazz and love songs,
and after a couple of drinks
she doesn't bother to cover
her legs
with the edge of the robe
that keeps falling away.

they are not bad legs at all,
in fact, very good legs,
and soon your are kissing a
head full of curlers.

and the rabbits are beginning
to wink, and Florida is a long way
away, and she says we are not strangers
really because shes has seem me
in the hall.

and finally
there is very little
to say.

The Roominghouse Madrigals: Early Selected Poems 1946—1966 (1988)
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25 Melhores Poemas de Charles Bukowski, edição bilíngue, Organização e Apresentação de Márcia Cavendish Wanderley e Tradução de Jorge Wanderley, 2ª edição, 2003, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro — RJ; Henry Charles Bukowski Jr. (1920 — 1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach, que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta, romancista e contista; em 1939, iniciou o curso de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; pôs-se a escrever, foi expulso de casa, passou a morar em pensões e, sem emprego, desistiu da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois, ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; adquiriu alguma notoriedade com publicações de contos nos jornais alternativos Open City e Nola Express; aos 49 anos largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; suas obras: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960), It Catches My Heart in its Hands (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts (Notas de um velho safado, 1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres, romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979), You Get So Alone at Times that It Just Makes Sense (Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido, poemas, 1986), The Roominghouse Madrigals: Early Selected Poems 1946—1966 (1988) e tantos outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria famoso, passou a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanha na quase totalidade de seus romances.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Charles Bukowski: putrefação

 
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(traduzido por Rodrigo Breunig)

nos últimos tempos
ando pensando
que este país
retrocedeu
4 ou 5 décadas
e que todos os
avanços sociais
os bons sentimentos de
pessoa para com
pessoa
foram totalmente
varridos
e trocados pelas mesmas
intolerâncias
de sempre.

temos
mais do que nunca
o egoísta desejo pelo poder
o desrespeito pelos
fracos
pelos velhos
pelos empobrecidos
pelos
desamparados.

estamos trocando necessidade por
guerra
salvação por
escravidão.

desperdiçamos os
ganhos
viramos
rapidamente
menos.

temos a nossa Bomba
é o nosso medo
nossa danação
e nossa
vergonha.

agora
algo tão triste
nos domina
que
a respiração
escapa
e não conseguimos nem mesmo
chorar.

Charles Bukowski

putrefaction

of late
I’ve had this thought
that this country
has gone backwards
4 or 5 decades
and that all the
social advancement
the good feeling of
person toward
person
has been washed
away
and replaced by the same
old
bigotries.

we have
more than ever
the selfish wants of power
the disregard for the
weak
the old
the impoverished
the
helpless.

we are replacing want with
war
salvation with
slavery.

we have wasted the
gains
we have become
rapidly
less.

we have our Bomb
it is our fear
our damnation
and our
shame.

now
something so sad
has hold of us
that
the breath
leaves
and we can’t even
cry.
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Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido: Charles Bukowski, Tradução de Rodrigo Breunig, 1ª edição em 2018, Coleção L&PM Pocket, volume 1345, reimpressão em 2025, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Henry Charles Bukowski Jr. (1920 — 1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach, que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta, romancista e contista; em 1939, iniciou o curso de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; pôs-se a escrever, foi expulso de casa, passou a morar em pensões e, sem emprego, desistiu da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois, ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; adquiriu alguma notoriedade com publicações de contos nos jornais alternativos Open City e Nola Express; aos 49 anos largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; suas obras: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960), It Catches My Heart in its Hands (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts (Notas de um velho safado, 1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres, romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979), You Get So Alone at Times that It Just Makes Sense (Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido, poemas, 1986) e tantos outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria famoso, passou a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanha na quase totalidade de seus romances.