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sexta-feira, 27 de junho de 2025

Ribeiro Couto: Tágide

 
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Alta, contra os grandes ventos,
Leve, a resistir ao rio,
Firmes, os pés e braços lentos
Pelo horizonte vazio.
Na espuma o sol fulgurava.
Ela, também sol e espuma,
Ora andava, ora voava,
Mas não tinha asa nenhuma.

Alta, presa por um fio
Um fio só de cabelo ,
O sol a secá-lo, e o rio
Amoroso a umedecê-lo;

Alta e leve, clara e firme,
Irreal nos movimentos,
Via-a subir e fugir-me,
Levada dos grandes ventos.

(Entre Mar e Rio, Lisboa: Editora
Livros do Brasil, 1952.)

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Ribeiro Couto, por Elvia Bezerra — Série Essencial, Academia Brasileira de Letras, 2010, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (1898 1963), paulista de Santos, cursou a Escola de Comércio José Bonifácio dessa cidade, estudou na Faculdade de Direito de São Paulo (USP Largo São Francisco) e na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, onde bacharelou-se, foi jornalista, magistrado, promotor público, diplomata, poeta, contista e romancista; trabalhou/colaborou nos periódicos Jornal do Commercio e Correio Paulistano, em São Paulo, Gazeta de Notícias, Jornal do Brasil e O Globo, no Rio de Janeiro, A Província, em Pernambuco, e em outros periódicos; suas obras: em poesia: O Jardim das confidências (1921), Poemetos de ternura e de melancolia (1924), Um homem na multidão (1926), Canções de amor (1930), Noroeste e outros poemas do Brasil (1932), Cancioneiro de Dom Alfonso (1939), Cancioneiro do ausente (1943), Rive etrangère (1951), Entre Mar e Rio (1952), Le jour est long (O dia é longo, 1958), Longe (1961) ...; em prosa: A casa do gato cinzento (contos, 1922), O crime do estudante Batista (contos, 1922), A cidade do vício e da graça (crônicas, 1924), Baianinha e outras mulheres (contos, 1927), Cabocla (romance, 1931), Presença de Santa Terezinha (ensaio, 1934), Conversa inocente (crônicas, 1935), Prima Belinha (romance, 1940), Dois retratos de Manuel Bandeira (1960), Histórias de Cidade Grande — contos escolhidos (1960), Sentimento lusitano (ensaio, 1961), entre outros  títulos; participou da Semana de Arte Moderna; seu romance Cabocla foi adaptado para televisão; escreveu poemas em francês, o livro Le jour est long (O dia é longo); pertenceu à Academia Brasileira de Letras; como diplomata, atuou na França, em Portugal, Holanda e Iugoslávia, neste país, foi embaixador e ali se aposentou.

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Ribeiro Couto: Baianinha

 
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[trechos]

[ . . . ]

          Zezé Flores chegou à pensão numa segunda-feira. O marido fora nomeado engenheiro da Inspetoria de Portos. Vinham de São Salvador, de mudança, com três pesadas malas de roupa e um acento baiano horroroso, em que os rr eram aspirados como hh ingleses.
          Era morena, miúda, flexível. Ao rir-se, a boca pequena e fina descobria dentes alvos, que sugeriam mordidelas gostosas em nacos de carne polpuda. Tinha atitudes imperativas, um olhar vitorioso quando encarava as pessoas. Usava vestidos de cores berrantes, amarelos em oca, vermelho sangrento de urucum.

[ . . . ]

          A baianinha empolgou-me. A iniciação do nosso amor foi simples.
          O quarto dela era nos fundos do edifício, cujos compartimentos davam para um pátio com jardim. O chuveiro era no extremo do pátio. Sempre que eu passava, enfiado no roupão de banho, via Zezé costurando, numa cadeira de braços, entre os tinhorões dos canteiros.
          Acanhado, eu cumprimentava.
          Às vezes, o chuveiro estava ocupado. O professor de Inglês cantarolava lá, com uma voz estertorante de barítono gasto.
          A princípio timidamente, fui tomando o hábito de parar junto de Zezé Flores antes de ir para a ducha. Como sentisse nela uma ironia maliciosa que zombava do meu acanhamento, animei-me aos poucos. Passamos a conversar coisas picantes.
          Ela gostava de frases:
           O déstino de uma móler bonita é o amorr. Não é nãão?
          Essa literatura avançada ficava chocante na sua boca provinciana de baianinha.
          Em todo caso, que fazer? Um dia beijei-a.
          Não teve o menor susto. Lambeu a boca, como que recolhendo o beijo e continuou a conversa, muito calma.
          Olhei para trás, com o terror de que houvessem visto: à janela de um quarto havia o gato da casa, que dormia ao sol. Uma abelha zumbia em torno de uma flor, quase no meu nariz.
          Corri ao chuveiro para isolar-me, para pôr de novo as ideias em ordem, porque o meu instintivo rompante me abalara as fibras, agora desmanchadas pela comoção.

[ . . . ]

(Histórias de Cidade Grande [Contos Escolhidos].
Rio de Janeiro: Cultrix, 1960, pp. 93-96.)

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Ribeiro Couto, por Elvia Bezerra — Série Essencial, Academia Brasileira de Letras, 2010, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (1898 1963), paulista de Santos, cursou a Escola de Comércio José Bonifácio dessa cidade, estudou na Faculdade de Direito de São Paulo (USP Largo São Francisco) e na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, onde bacharelou-se, foi jornalista, magistrado, promotor público, diplomata, poeta, contista e romancista; trabalhou/colaborou nos periódicos Jornal do Commercio e Correio Paulistano, em São Paulo, Gazeta de Notícias, Jornal do Brasil e O Globo, no Rio de Janeiro, A Província, em Pernambuco, e em outros periódicos; suas obras: em poesia: O Jardim das confidências (1921), Poemetos de ternura e de melancolia (1924), Um homem na multidão (1926), Canções de amor (1930), Noroeste e outros poemas do Brasil (1932), Cancioneiro de Dom Alfonso (1939), Cancioneiro do ausente (1943), Rive etrangère (1951), Le jour est long (O dia é longo, 1958), Longe (1961) ...; em prosa: A casa do gato cinzento (contos, 1922), O crime do estudante Batista (contos, 1922), A cidade do vício e da graça (crônicas, 1924), Baianinha e outras mulheres (contos, 1927), Cabocla (romance, 1931), Presença de Santa Terezinha (ensaio, 1934), Conversa inocente (crônicas, 1935), Prima Belinha (romance, 1940), Dois retratos de Manuel Bandeira (1960), Histórias de Cidade Grande — contos escolhidos (1960), Sentimento lusitano (ensaio, 1961), entre outros  títulos; participou da Semana de Arte Moderna; seu romance Cabocla foi adaptado para televisão; escreveu poemas em francês, o livro Le jour est long (O dia é longo); pertenceu à Academia Brasileira de Letras; como diplomata, atuou na França, em Portugal, Holanda e Iugoslávia, neste país, foi embaixador e ali se aposentou.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Ribeiro Couto: A descoberta de Cataguases

 
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          Todo o Brasil está surpreso: existe Cataguases!
          A contingência das enormíssimas distâncias criou entre nós o hábito dandy, de uma pose um pouco Anatole France (um pouco 1910), de duvidarmos mutuamente da existência das nossas cidades. Podemos ir a Petrogrado e voltar em menos tempo do que um habitante de Porto Alegre terá de gastar para ir a Manaus. (Sem falar em que a viagem à Rússia é mais cômoda). Por isso o brasileiro da rua do Ouvidor1 (principalmente o brasileiro da rua do Ouvidor), diante do mal irremediável, criou esta defensiva para a sua indiferença: Manaus não existe, Cuiabá não existe, Goiás não existe, etc. João do Rio2 tem numa comédia um personagem que duvida da existência real de Goiás. Parece que é na “Eva”. E esse personagem, que habilmente preparara um madrigal atacante, exclama num rasgo para a moça bonita da peça: “ Ó meu Goiás és tu!” Entretanto, o exagero, na razão direta das nossas descuidosas indiferenças pátrias, chega ao ponto de, em pleno Distrito Federal3, haver quem duvide de Cascadura4. Apesar dos bondes com as tabuletas insofismáveis: “Cascadura”. Apesar da minha prezada amiga Gilka Machado5 já ter morado lá e garantir que Cascadura existe. É atrevimento duvidar da palavra de uma pessoa tão sedutora.
          Assim, Cataguases. Em vão Astolpho Dutra6 foi presidente da Câmara dos Deputados Federais. Em vão Astolpho Resende7 é uma das figuras mais formosas do direito brasileiro: a par da bondade pessoal, a luz claríssima da cultura e da inteligência rica. Nasceram em Cataguases? Mas onde é Cataguases?
          Subitamente, “Verde”: um bofetão na atonia literária nacional. Poesia. Escrevem prosa também, mas tudo aquilo (a capa, os anúncios de sapatarias, a provável dívida crescente para com o tipógrafo, umas fotografias muito cheias de borrões, uns rapazes a escrever para todo mundo que não conhece “tu pra cá, tu pra lá”), tudo aquilo é poesia. Como é bom ter vinte anos! digo-lhes eu que faço 30 no próximo 12 de março. Essa fé, esse impulso, essa virgindade criança de todos os apetites!
           “O Brasil tem que saber de nós. É urgente”.
          Ó “jeunes gens de Catacazes”! O grande poeta Blaise Cendrars8, evidentemente, não podia escrever certo: Cataguases.
          Não se trata de um cidadão francês? Aliás, como ficou saborosa aquela contração cacofônica da palavra!
          E todo mundo ficou acreditando. Todo mundo foi ao mapa, roçou o dedo pela superfície, procurando, apertando os olhos, até achar: Cataguases. E todo mundo sentiu ternura. Os jornais falam. O sr. Tristão de Athayde9 escreve. O sr. Blaise Cendrars provavelmente estará compondo um poema:

Catacazes
Je voudrais bien y aller.
Ce n’est pas très loin, peut-être
Ma petite ronde insouciante et
lègere de jeunes poètes
Que j’aime
Comme j’aimerais un ananás!

          A comoção nacional aumenta, chega ao desespero, descabela-se, quando se verificou esta coisa grande: “Verde” apareceu quando não existia nenhuma revista exclusivamente de literatura no Brasil!
          (Aqui, é inadiável intercalar um poema:

Política (*)

Trinta e cinco milhões
O maior país do mundo em recur-
sos naturais na opinião
de diversos viajantes
não subvencionados pelo
Governo
A estatística do sr. Bulhões Carvalho
Me enche de fundas melancolias cí-
vicas.
Deixa estar jacaré que a lagoa há
de secar)

          Ah! Cataguases! que sensibilidade, que doçura, que cheiro bom de mato úmido de manhã cedo!
          Como há vida nessas páginas da tua revista! Não sei qual é a opinião do teu presidente da Câmara Municipal, nem sei também se as outras pessoas sensatas da localidade acreditam em “Verde”! Talvez lhes suceda como com a neblina: não a vemos quando estamos dentro dela. Nós, porém, que vivemos pela vastidão anexa do país (residindo em outros ramais ferroviários) nós sabemos em segredo que a “Verde” integrou Cataguases na realidade nacional atingível.
          E jamais oh! jamais! um comediógrafo petulante poderá pôr agora na boca de um personagem esta declaração de amor:
           Ó meu Cataguases és tu!”

(*) Este poema, apesar do sarcasmo ácido, não é do meu amigo
Carlos Drummond de Andrade, nem de nenhum outro
membro do Partido Democrático da Poesia Nacional.

(Verde — Revista Mensal de Arte e Cultura, nº 5,
Ano 1 — Janeiro de 1928, Cataguases — MG)


Notas do blogue Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página tomou a ousadia de fazer menção a algumas citações do autor Ribeiro Couto, tais como pessoas e locais: 
1. Rua do Ouvidor — considerada no início dos anos 1920 importante rua do centro do Rio, com seus cafés, livrarias e jornais, para onde afluíam leitores, escritores, poetas, intelectuais em busca de notícias;
2. João do Rio — pseudônimo de João Paulo Emilio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto (1881 — 1921), carioca, jornalista, cronista, contista, romancista, tradutor e teatrólogo;
3. Distrito Federal — cidade do Rio de Janeiro, à época capital do país;
4. Cascadura — bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro;
5. Gilka Machado — Gilka da Costa Melo Machado (1893 — 1980), carioca, poeta, figura feminina do Simbolismo;
6. Astolpho Dutra — Astolfo Dutra Nicácio (1864 — 1920), mineiro de Cataguases, advogado e político;
7. Astolpho Resende — Astolpho Vieira de Rezende (1870 — 1946), mineiro de Cataguases, advogado, conselheiro geral da República, presidente da Caixa Econômica Federal e presidente do Instituto de Advogados Brasileiros;
8. Blaise Cendrars — pseudônimo de Frédéric Louis Sauser (1887 — 1961), franco-suiço, romancista, poeta, colaborador da modernista revista Verde e de outras revistas do Modernismo;
9. Tristão de Athayde — pseudônimo literário de Alceu Amoroso Lima (1893 — 1983), carioca, crítico literário, escritor, professor, intelectual e líder católico.
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Verde (Revistas do Modernismo 1922 — 1929), edição fac-similar, Prefácio / Ensaio de Júlio Castañon Guimarães e Organização de Pedro Puntoni e Samuel Titan Jr., 2014 — Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo — SP; Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (1898 1963), paulista de Santos, foi jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista; estudou na Faculdade de Direito de São Paulo (USP Largo São Francisco) e na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro; trabalhou nos periódicos Jornal do Commercio e Correio Paulistano, de São Paulo, Jornal do Brasil e O Globo, do Rio de Janeiro, e A Província, de Pernambuco; escreveu e publicou, em poesia, O Jardim das confidências (1921), Poemetos de ternura e de melancolia (1924), Um homem na multidão (1926), Noroeste e outros poemas do Brasil (1932), Cancioneiro de Dom Alfonso (1939), Cancioneiro do ausente (1943), Rive etrangère (1951), Le jour est long (1958), Longe (1961), e, em prosa, A casa do gato cinzento (contos, 1922), O crime do estudante Batista (contos, 1922), A cidade do vício e da graça (crônicas, 1924), Baianinha e outras mulheres (contos, 1927), Cabocla (romance, 1931), Presença de Santa Terezinha (ensaio, 1934), Conversa inocente (crônicas, 1935), Prima Belinha (romance, 1940), Dois retratos de Manuel Bandeira (1960), Sentimento lusitano (ensaio, 1961), entre outros títulos; como diplomata, atuou na França, Portugal, Holanda e Iugoslávia; participou da Semana de Arte Moderna; seu romance Cabocla foi adaptado para televisão; pertenceu à Academia Brasileira de Letras.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Ribeiro Couto: Romance de Cabiúna

 
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Cabiúna era menino
E dizia: “Eu vou na Europa”*.
A mãe dele respondia:
Fica quieto, Cabiúna.
Cabiúna, não me amola”.

A mãe dele não gostava.
Ralhava sempre, ralhava...
De dia ela costurava
Em frente ao mar, na janela.
E, costurando, cantava.

Minha mãe, eu cresço logo,
Fico grande e vou na Europa.
Deixa eu ir, minha mãezinha?”
Que menino sem cabeça!
Sai daqui, não me aborreça.”
Deixa eu ir, minha mãezinha...”

Mas toda noite ela entrava
No quarto em que ele dormia
E, junto dele, chorava.

Cabiúna ficou grande,
Ficou grande e foi-se embora.
Trabalhando de taifeiro
Num navio brasileiro.

Aconteceu que uma noite,
Junto de um cais estrangeiro,
Virou criança: chorava.
Alguém, passando, assobiava
Uma canção parecida
Com a que a mãe dele cantava.


* Nota da edição: Eu vou na Europa, maneira popular de expressão. A forma correta é “Eu vou à Europa”. Ou então “Eu vou para a Europa”, caso a pessoa deseje lá ficar permanentemente.
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Poesia Brasileira para a Infância (diversos autores), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista, 1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (1898 1963), paulista de Santos, foi jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista; estudou na Faculdade de Direito de São Paulo (USP Largo São Francisco) e na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro; trabalhou nos periódicos Jornal do Commercio e Correio Paulistano, de São Paulo, Jornal do Brasil e O Globo, do Rio de Janeiro, e A Província, de Pernambuco; escreveu e publicou, em poesia, O Jardim das confidências (1921), Poemetos de ternura e de melancolia (1924), Um homem na multidão (1926), Noroeste e outros poemas do Brasil (1932), Cancioneiro de Dom Alfonso (1939), Cancioneiro do ausente (1943), Rive etrangère (1951), Le jour est long (1958), Longe (1961), e, em prosa, A casa do gato cinzento (contos, 1922), O crime do estudante Batista (contos, 1922), A cidade do vício e da graça (crônicas, 1924), Baianinha e outras mulheres (contos, 1927), Cabocla (romance, 1931), Presença de Santa Terezinha (ensaio, 1934), Conversa inocente (crônicas, 1935), Prima Belinha (romance, 1940), Dois retratos de Manuel Bandeira (1960), Sentimento lusitano (ensaio, 1961), entre outros títulos; como diplomata, atuou na França, Portugal, Holanda e Iugoslávia; participou da Semana de Arte Moderna; seu romance Cabocla foi adaptado para televisão; pertenceu à Academia Brasileira de Letras.

sábado, 4 de maio de 2019

Ribeiro Couto: O Delicioso Instante

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O crepúsculo desceu de manso.
E apesar do céu ainda claro
A cidade ficou em penumbra.

Vai cair a noite.
Vão acender-se os combustores.
E desaparecerá esta indecisão delicada.

É o movimento de partir para sempre, sem dor...

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Poemetos de Ternura e de Melancolia —
1924, São Paulo: Monteiro Lobato & Cia.
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Ribeiro Couto, por Elvia Bezerra, 2010, Série Essencial, Academia Brasileira de Letras, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (1898 1963), paulista de Santos, foi jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista; estudou na Faculdade de Direito de São Paulo (USP Largo São Francisco) e na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro; trabalhou nos periódicos Jornal do Commercio e Correio Paulistano, de São Paulo, Jornal do Brasil e O Globo, do Rio de Janeiro, e A Província, de Pernambuco; escreveu e publicou, em poesia, O Jardim das confidências (1921), Poemetos de ternura e de melancolia (1924), Um homem na multidão (1926), Noroeste e outros poemas do Brasil (1932), Cancioneiro de Dom Alfonso (1939), Cancioneiro do ausente (1943), Rive etrangère (1951), Le jour est long (1958), Longe (1961), e, em prosa, A casa do gato cinzento (contos, 1922), O crime do estudante Batista (contos, 1922), A cidade do vício e da graça (crônicas, 1924), Baianinha e outras mulheres (contos, 1927), Cabocla (romance, 1931), Presença de Santa Terezinha (ensaio, 1934), Conversa inocente (crônicas, 1935), Prima Belinha (romance, 1940), Dois retratos de Manuel Bandeira (1960), Sentimento lusitano (ensaio, 1961), entre outros títulos; como diplomata, atuou na França, Portugal, Holanda e Iugoslávia; participou da Semana de Arte Moderna; seu romance Cabocla foi adaptado para televisão; pertenceu à Academia Brasileira de Letras.

domingo, 17 de março de 2019

Ribeiro Couto: Falaste da Morte

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Falaste da morte de um jeito suave,
Falaste da morte como uma criança
Seguindo com os olhos o voo de uma ave.
Falaste da morte sorrindo que agora parece
Que a morte na tarde procura por mim.
A morte seria, se agora viesse,
Como uma andorinha tonta no jardim.

Cancioneiro do Ausente — 1943,
São Paulo: Livraria Martins Editora.

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Ribeiro Couto, por Elvia Bezerra, 2010, Série Essencial 16, Academia Brasileira de Letras, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo  SP; Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (1898 1963), paulista de Santos, foi jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista; estudou na Faculdade de Direito de São Paulo (USP  Largo São Francisco) e na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro; trabalhou nos periódicos Jornal do Commercio e Correio Paulistano, de São Paulo, Jornal do Brasil e O Globo, do Rio de Janeiro, e A Província, de Pernambuco; escreveu e publicou, em poesia, O Jardim das confidências (1921), Poemetos de ternura e de melancolia (1924), Um homem na multidão (1926), Noroeste e outros poemas do Brasil (1932), Cancioneiro de Dom Alfonso (1939), Cancioneiro do ausente (1943), Rive etrangère (1951)Le jour est long  (1958)Longe (1961), e, em prosa, A casa do gato cinzento (contos, 1922), O crime do estudante Batista (contos, 1922), A cidade do vício e da graça (crônicas, 1924), Baianinha e outras mulheres (contos, 1927), Cabocla (romance, 1931), Presença de Santa Terezinha (ensaio, 1934), Conversa inocente (crônicas, 1935), Prima Belinha (romance, 1940), Dois retratos de Manuel Bandeira (1960), Sentimento lusitano (ensaio, 1961), entre outros títulos; como diplomata, atuou na França, Portugal, Holanda e Iugoslávia; participou da Semana de Arte Moderna; seu romance Cabocla foi adaptado para televisão; pertenceu à Academia Brasileira de Letras.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Ribeiro Couto: Herói que Matara o Reizinho Inimigo

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Volto da guerra magoado.
O povo diz-me: “Soldado,
és o mais bravo da terra!”
Como o povo anda enganado!
Volto magoado da guerra...

“Glória às tuas cicatrizes!
Nos mais remotos países,
feliz! teu nome é aclamado!”
Ah! sou dos mais infelizes!
Volto da guerra magoado...

Venci a maior batalha
e deram-me esta medalha
que os meus remorsos encerra.
Meu Deus, por mais que ela valha...
Volto magoado da guerra.

Foi minha sorte e castigo
ver o reizinho inimigo
nestas mãos ensanguentado,
morrer chorando comigo...
Volto da guerra magoado...

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Antologia de Poemas para a infância (diversos autores), Organização de Henriqueta Lisboa e Ilustrações de Dawidson França, 3ª edição, 2009, Ediouro Publicações, Rio de Janeiro — RJ; Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (1898  1963), paulista de Santos, estudou na Faculdade de Direito de São Paulo (USP  Largo São Francisco) e na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, foi jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista; ; trabalhou nos periódicos Jornal do Commercio e Correio Paulistano, de São Paulo, Jornal do Brasil e O Globo, do Rio de Janeiro, e A Província, de Pernambuco; escreveu e publicou, em poesia, O Jardim das confidências (1921), Poemetos de ternura e de melancolia  (1924), Um homem na multidão (1926), Noroeste e outros poemas do Brasil (1932), Cancioneiro de Dom Alfonso (1939), Cancioneiro do ausente (1943), Rive etrangère (1951), Le jour est long (1958), Longe  (1961), e, em prosa, A casa do gato cinzento (contos, 1922), O crime do estudante Batista (contos, 1922), A cidade do vício e da graça (crônicas, 1924), Baianinha e outras mulheres (contos, 1927), Cabocla (romance, 1931), Presença de Santa Terezinha (ensaio, 1934), Conversa inocente (crônicas, 1935), Prima Belinha (romance, 1940), Dois retratos de Manuel Bandeira (1960), Sentimento lusitano (ensaio, 1961), entre outros títulos; como diplomata, atuou na França, Portugal, Holanda e Iugoslávia; participou da Semana de Arte Moderna; seu romance Cabocla foi adaptado para televisão; pertenceu à Academia Brasileira de Letras.

domingo, 4 de março de 2018

Ribeiro Couto: Diálogo sobre a Felicidade

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 Bendito seja o teu país.”
 Estrangeiro que vieste encontrar no meu país
O bem que em vão no teu mesmo procuraste,
Obrigado, estrangeiro.”

 Aqui vim ser feliz.
Aqui é a terra da abundância e da fortuna.
Aqui vim ser forte, rico e feliz.”
 Obrigado, estrangeiro.”

 Aqui ficarão vivendo os meus filhos.
Aqui nascerão os meus netos.
Aqui, saudoso embora do meu país,
Fecharei os meus olhos.
Deus abençoe o teu país.”

 Estrangeiro, ainda mais uma vez obrigado.
Eu sei que é verdade tudo quanto dizes.
Mas, ah! ensina-me:
Qual é o caminho que leva ao teu país?
Qual é o caminho? Dize, estrangeiro...
Eu quero ir-me! Eu quero ir-me!
Eu também quero ser feliz, estrangeiro!”

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Antologia de Poemas para a Juventude (vários autores) — Organização e Apresentação de Henriqueta Lisboa, 2003, 2ª edição, Ediouro Publicações S/A, Rio de Janeiro — RJ; Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (1898  — 1963), paulista de Santos, foi jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista; estudou na Faculdade de Direito de São Paulo (USP  Largo São Francisco) e na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro; trabalhou nos periódicos  Jornal do Commercio Correio Paulistano, de São Paulo, Jornal do Brasil e O Globo, do Rio de Janeiro, e A Província, de Pernambuco; escreveu e publicou, em poesia, O Jardim das confidências  (1921), Poemetos de ternura e de melancolia (1924), Um homem na multidão (1926), Noroeste e outros poemas do Brasil (1932), Cancioneiro de Dom Alfonso (1939), Cancioneiro do ausente (1943), Rive etrangère (1951), Le jour est long (1958), Longe (1961), e, em prosa, A casa do gato cinzento (contos, 1922), O crime do estudante Batista (contos, 1922), A cidade do vício e da graça (crônicas, 1924), Baianinha e outras mulheres (contos, 1927), Cabocla (romance, 1931), Presença de Santa Terezinha (ensaio, 1934), Conversa inocente (crônicas, 1935), Prima Belinha (romance, 1940), Dois retratos de Manuel Bandeira (1960), Sentimento lusitano (ensaio, 1961), entre outros títulos; como diplomata, atuou na França, Portugal, Holanda e Iugoslávia; participou da Semana de Arte Moderna; seu romance Cabocla  foi adaptado para televisão; pertenceu à Academia Brasileira de Letras.