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Quando eu soltar meu último
suspiro;
quando o meu corpo se tornar gelado,
e o meu olhar se apresentar vidrado,
e quiserdes saber se inda respiro,
eis o melhor processo que eu
sugiro:
— Não coloqueis o espelho decantado
em frente ao meu nariz, mesmo encostado,
porque não falha a prova que eu prefiro:
— Fazei assim: — Por cima do
meu peito,
do lado esquerdo, colocai a mão,
e procedei, seguros, deste jeito:
— Gritai “MARIA!” junto ao meu
ouvido,
e se não palpitar meu coração,
então é certo que eu terei morrido!...
4 de março de 1949, Braga — Portugal
Prueba
Infalible
[traduzido por Luís O'Neill de
Milan]
Cuando yo exhale el último
suspiro
Y mi cuerpo esté rígido y
helado,
Y el brillo de mis ojos
apagado,
Si queréis comprobar si aún
respiro,
Tomad sin falta este infalible
giro:
— Olvidad el espejo decantado,
Porque su prueba nunca me ha
inspirado
La confianza absoluta a que yo
aspiro:
— Acercáos a mi izquierda,
dulcemente,
Y actuad así después, tan
solamente,
La mano reposada a mi costado:
Gritad "MARIA!"
cerca de mi oído...
— Y si mi corazón sigue
dormido,
Podréis saber que todo ha
terminado...
Indubium
Signum
[traduzido por Aires de
Montalbo]
Supremum diem mihi cum sit
obeundum,
Dum corpus undis remeatur
Lethis,
Oculis tandem tenebris
repletis,
Si mortuum me, an tantum moribundum,
Scire pro certo denique
voletis,
Ne speculum addatur acie
mundum
Ori vincto, quo referat
profundum
Ac ultimum spiramen... Sic
agetis:
Ponitè manum super latus
laevum,
Ubi latitat cor — ah! —, cor
primaevum,
Et hic et nunc indubium signum
adest:
Conclamate "MARIA!..."
Sonu misso,
Tacito corde in pectoris
abysso,
Mortem probate: — "CONSUMMATUM
EST!...”
* Nota deste Verso e Conversa: O
atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página faz constar que Vasco de
Castro Lima deixa registrado que Prova Infalível é, com folga, um dos poemas
de poetas brasileiros mais traduzidos para outras línguas e dialetos; o próprio
padre, autor do soneto, relacionou 43 traduções para 23 línguas diferentes,
incluindo dialetos, até 1972.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto,
de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho,
1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Padre Manuel Rebouças e
Albuquerque (1907 — 1977), amazonense de Eirunepé, à época município de São
Felipe do Juruá, fez seus primeiros estudos na paraense Santarém, cursou o
Colégio São Francisco, ingressou no Seminário de Tefé — AM, ordenou-se padre em
Portugal, foi missionário, professor, escritor e poeta; após retorno da Europa,
fixou residência em Santarém do Pará, onde criou a Escola Maria Goretti, hoje
Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Maria Imaculada; obras: Maria
Minha Poeta, Estrela para a Tua Fronte, Brasil do meu Amor, Cristais Sonoros,
Meu Sabiá, A Glorificação do Monossílabo, Sorrisos de minha Mãe, entre obras de
história, poesia, prosa e cantos religiosos, com lançamentos no Brasil e em
Portugal.
