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domingo, 28 de setembro de 2025

Fiama Hasse Pais Brandão: A terra sobretudo

 
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Quem como nós na curva de céus vários pressentiu
(em céus de boca e ares)
que os elementos, de si, nunca se encontram diz:

a água não amaina; o fogo nas queimadas,
nas lajes do lar
não nos sacia; o ar não cria
a vibração das folhas  esta é a nudez;

na terra sobretudo sente-se: as suas casas, as traves
que as sustêm, desfalecem.
Quem as habita parado, quem como nós vivo
diz: a fome é hostil,
o homem movimenta-se impaciente,
o seu desejo ocupa a sua vida.

(Este) Rosto — 1979

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Poesia portuguesa contemporânea [várias autorias] — Seleção de autorias, Organização, Nota inicial e Traços biobibliográficos por Carlos Nejar, 1982, Massao Ohno & Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Fiama Hasse Pais Brandão (1938 2007), portuguesa e lisboeta, estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, trabalhou como bibliotecária-arquivista do Centro de Estudos Linguísticos daquela instituição, foi escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora; tornou-se conhecida e reconhecida no ambiente das letras através da revista/movimento Poesia 61, com a publicação de Morfismos; em 1964, deu início às atividades no teatro e na dramaturgia, através de estágio no Teatro Experimental do Porto; colaborou nas revistas literárias Seara Nova, Cadernos do Meio-Dia, Brotéria, Vértice, Plano, Colóquio-Letras, Hífen, Relâmpago e A Phaia; suas obras: Em cada pedra um voo imóvel (poemas dramáticos e poemas em prosa, 1957), O Aquário (narrativa, 1959), Morfismos (em Poesia 61, 1961), Os Chapéus de Chuva (teatro, 1961), O Testamento (teatro, 1962), A Campanha (teatro, 1965), Barcas Novas (1967), Novas Visões do Passado (1975), O Texto de João Zorro (obra poética, 1974), Homenagem à literatura (1976), Área Branca, Melômana (ambas em 1978), Quem move as Árvores (teatro, 1979), (Este) rosto (1979), Âmago I / Nova Arte (1985), O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (ensaio, 1985), F de Fiama (antologia, 1986), Três Rostos (1989), Epístolas e Memorandos (1989), Teatro-teatro (1990), Obra breve (obra poética, 1991), Movimento Perpétuo (prosa, 1991), Cântico maior (1995), Sob o olhar de Medeia (prosa, 1998), Cenas Vivas (2000), As Fábulas (2002), Noites de Inês Constança (2005) etc.; traduziu obras de Bertolt Brecht, Novalis, John Updike, Antonin Artaud, Anton Tchekov e outros; premiações: Prêmio Revelação de Teatro (1961, pela peça Os Chapéus de Chuva), Prêmio Adolfo Casais Monteiro (1957, por Em cada pedra um vôo imóvel, obra de estréia), Grande Prêmio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1996) e Prêmio Literário do P.E.N. Clube Português (2001, por Cenas Vivas).

domingo, 19 de janeiro de 2025

Fiama Hasse Pais Brandão: Da repartição das coisas & Os povos antigos traziam nas carroças . . .

 
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Da repartição das coisas

A criança levanta o olhar
e diz-me: “Avó, o teu jardim.”
como se eu possuísse
alguma coisa, algum ser,
uns nomes botânicos,
uma forma matizada
de muitos verdes.

[As Fábulas — 2002]

o

Os povos antigos traziam nas carroças . . .

Os povos antigos traziam nas carroças
os nomes e os objetos; colhiam nas árvores
nomes e alguns frutos, e dos mares
e das montanhas arrastavam
múltiplos nomes do ar e dos ares;
magnânimos, trocavam ou vendiam objetos,
porém davam as palavras.

[Cenas Vivas — 2000]

Fiama Hasse Pais Brandão
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A lua no cinema e outros poemas [várias autorias], Organização e Apresentação de Eucanaã Ferraz, Ilustrações de Fabio Zimbres, 2011, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Fiama Hasse Pais Brandão (1938 2007), portuguesa e lisboeta, estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, trabalhou como bibliotecária-arquivista do Centro de Estudos Linguísticos daquela instituição, foi escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora; tornou-se conhecida e reconhecida no ambiente das letras através da revista/movimento Poesia 61, com a publicação de Morfismos; em 1964, deu início às atividades no teatro e na dramaturgia, através de estágio no Teatro Experimental do Porto; colaborou nas revistas literárias Seara Nova, Cadernos do Meio-Dia, Brotéria, Vértice, Plano, Colóquio-Letras, Hífen, Relâmpago e A Phaia; suas obras: Em cada pedra um voo imóvel (poemas dramáticos e poemas em prosa, 1957), O Aquário (narrativa, 1959), Morfismos (em Poesia 61, 1961), Os Chapéus de Chuva (teatro, 1961), O Testamento (teatro, 1962), A Campanha (teatro, 1965), Barcas Novas (1967), Novas Visões do Passado (1975), O Texto de João Zorro (obra poética, 1974), Homenagem à literatura (1976), Área Branca, Melômana (ambas em 1978), Quem move as Árvores (teatro, 1979), (Este) rosto (1979), Âmago I / Nova Arte (1985), O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (ensaio, 1985), F de Fiama (antologia, 1986), Três Rostos (1989), Epístolas e Memorandos (1989), Teatro-teatro (1990), Obra breve (obra poética, 1991), Movimento Perpétuo (prosa, 1991), Cântico maior (1995), Sob o olhar de Medeia (prosa, 1998), Cenas Vivas (2000), As Fábulas (2002), Noites de Inês Constança (2005) etc.; traduziu obras de Bertolt Brecht, Novalis, John Updike, Antonin Artaud, Anton Tchekov e outros; premiações: Prêmio Revelação de Teatro (1961, pela peça Os Chapéus de Chuva), Prêmio Adolfo Casais Monteiro (1957, por Em cada pedra um vôo imóvel, obra de estréia), Grande Prêmio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1996) e Prêmio Literário do P.E.N. Clube Português (2001, por Cenas Vivas).

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Fiama Hasse Pais Brandão: Natureza morta com louvadeus

 
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Foi o último hóspede a sentar-se
no topo da mesa, já depois do martírio.
As asas magníficas haviam-lhe sido quebradas
por algum vento. Perdera o rumo
sobre a película cintilante de água
no riacho parado. Tal como poisou
junto de nós, com o belo corpo magro
arquejante, lembrava, ainda segundo o seu nome,
um santo mártir. Enquanto meditávamos,
a morte sobreveio, e a pequena criatura,
que viera partilhar a nossa mesa,
depois de ter sido banida das águas
foi banida da terra. Alguém pegou
no volúvel alado corpo morto
abandonado sem nexo na brancura da toalha
que maculava
e o atirou para qualquer arbusto raro
que o poeta ainda pôde fotografar.

[Três rostos — 1989]

Fiama Hasse Pais Brandão
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A lua no cinema e outros poemas [várias autorias], Organização e Apresentação de Eucanaã Ferraz, Ilustrações de Fabio Zimbres, 2011, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Fiama Hasse Pais Brandão (1938 2007), portuguesa e lisboeta, estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, trabalhou como bibliotecária-arquivista do Centro de Estudos Linguísticos daquela instituição, foi escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora; tornou-se conhecida e reconhecida no ambiente das letras através da revista/movimento Poesia 61, com a publicação de Morfismos; em 1964, deu início às atividades no teatro e na dramaturgia, através de estágio no Teatro Experimental do Porto; colaborou nas revistas literárias Seara Nova, Cadernos do Meio-Dia, Brotéria, Vértice, Plano, Colóquio-Letras, Hífen, Relâmpago e A Phaia; suas obras: Em cada pedra um voo imóvel (poemas dramáticos e poemas em prosa, 1957), O Aquário (narrativa, 1959), Morfismos (em Poesia 61, 1961), Os Chapéus de Chuva (teatro, 1961), O Testamento (teatro, 1962), A Campanha (teatro, 1965), Barcas Novas (1967), Novas Visões do Passado (1975), O Texto de João Zorro (obra poética, 1974), Homenagem à literatura (1976), Área Branca, Melômana (ambas em 1978), Quem move as Árvores (teatro, 1979), (Este) rosto (1979), Âmago I / Nova Arte (1985), O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (ensaio, 1985), F de Fiama (antologia, 1986), Três Rostos (1989), Epístolas e Memorandos (1989), Teatro-teatro (1990), Obra breve (obra poética, 1991), Movimento Perpétuo (prosa, 1991), Cântico maior (1995), Sob o olhar de Medeia (prosa, 1998), Cenas Vivas (2000), As Fábulas (2002), Noites de Inês Constança (2005) etc.; traduziu obras de Bertolt Brecht, Novalis, John Updike, Antonin Artaud, Anton Tchekov e outros; premiações: Prêmio Revelação de Teatro (1961, pela peça Os Chapéus de Chuva), Prêmio Adolfo Casais Monteiro (1957, por Em cada pedra um vôo imóvel, obra de estréia), Grande Prêmio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1996) e Prêmio Literário do P.E.N. Clube Português (2001, por Cenas Vivas).

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Fiama Hasse Pais Brandão: Encontro a casa num tronco, . . .

 
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Encontro a casa num tronco,
a habitação que me surpreende.
É um corpo estranho na árvore.
A floresta está tão próxima
que é lisa como um reposteiro.
Morro sem esta exalação
da garganta das folhas.
As línguas que elas agitam
que lançam um bafo verde exaltante.
As gavinhas que sustentam
o soalho rodeiam-me o tornozelo.
Assim estou no ar mas equilibro-me.
Não sendo igual a uma ave
envolvo-me na folhagem. Para dormir
acordo. O cicio das paredes
que era como o das folhas.

O musgo, símbolo do chão
está quente como a pele. As comparações
obcecam-me. Não apreendo deste
modo as essências. Mas está tudo
aqui. Tudo apreendido, mesmo
na ignorância. Tudo pegado
a tudo. Ao odor, às vespas.
A Inteligência que se orienta
neste labirinto. As coisas que
estão e se deterioram. Bicas
de água límpida, chumbo.

Maio [19]77

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Poesia portuguesa contemporânea [várias autorias] — Seleção de autorias, Organização, Nota inicial e Traços biobibliográficos por Carlos Nejar, 1982, Massao Ohno & Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Fiama Hasse Pais Brandão (1938 2007), portuguesa e lisboeta, estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, trabalhou como bibliotecária-arquivista do Centro de Estudos Linguísticos daquela instituição, foi escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora; tornou-se conhecida e reconhecida no ambiente das letras através da revista/movimento Poesia 61, com a publicação de Morfismos; em 1964, deu início às atividades no teatro e na dramaturgia, através de estágio no Teatro Experimental do Porto; colaborou nas revistas literárias Seara Nova, Cadernos do Meio-Dia, Brotéria, Vértice, Plano, Colóquio-Letras, Hífen, Relâmpago e A Phaia; suas obras: Em cada pedra um voo imóvel (poemas dramáticos e poemas em prosa, 1957), O Aquário (narrativa, 1959), Morfismos (em Poesia 61, 1961), Os Chapéus de Chuva (teatro, 1961), O Testamento (teatro, 1962), A Campanha (teatro, 1965), Barcas Novas (1967), Novas Visões do Passado (1975), O Texto de João Zorro (obra poética, 1974), Homenagem à literatura (1976), Área Branca, Melômana (ambas em 1978), Quem move as Árvores (teatro, 1979), (Este) rosto (1979), Âmago I / Nova Arte (1985), O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (ensaio, 1985), F de Fiama (antologia, 1986), Três Rostos (1989), Epístolas e Memorandos (1989), Teatro-teatro (1990), Obra breve (obra poética, 1991), Movimento Perpétuo (prosa, 1991), Cântico maior (1995), Sob o olhar de Medeia (prosa, 1998), Cenas Vivas (2000), As Fábulas (2002), Noites de Inês Constança (2005) etc.; traduziu obras de Bertolt Brecht, Novalis, John Updike, Antonin Artaud, Anton Tchekov e outros; premiações: Prêmio Revelação de Teatro (1961, pela peça Os Chapéus de Chuva), Prêmio Adolfo Casais Monteiro (1957, por Em cada pedra um vôo imóvel, obra de estréia), Grande Prêmio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1996) e Prêmio Literário do P.E.N. Clube Português (2001, por Cenas Vivas).

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Fiama Hasse Pais Brandão: Poema para a padeira que estava a fazer pão enquanto se travava a Batalha de Aljubarrota

 
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Está sobre a mesa e repousa
o pão
como uma arma de amor
em repouso

As armas guardam no campo
todo o campo
Já os mortos não aguardam
e repousam

Dentro de casa ela aguarda
abrir o forno
Ela tem mão que prepara
o amor

Pelos campos todos armas
não repousam
nem aguardam mais os mortos
ter amor

Sobre a mesa põe as mãos
pôs o pão
Fora de casa o rumor
sem repouso

Ela agora abre o fogo
para o pão
sem repouso ela ouve os mortos
lá de fora

Lá de fora entram armas
os homens
As mãos dela não repousam
acolhem

Sobre a mesa pôs o pão
arma de paz
Contra as armas da batalha
arma de mão

Contra a batalha das armas
não repousa
Caem contra a mesa os mortos
contra o forno

Outra paz não defende ela
que a do pão
Defende a paz que é da casa
e das mãos

(Barcas Novas — 1967)

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Poesia portuguesa contemporânea [várias autorias] — Seleção de autorias, Organização, Nota inicial e Traços biobibliográficos por Carlos Nejar, 1982, Massao Ohno & Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Fiama Hasse Pais Brandão (1938 2007), portuguesa e lisboeta, estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, trabalhou como bibliotecária-arquivista do Centro de Estudos Linguísticos daquela instituição, foi escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora; tornou-se conhecida e reconhecida no ambiente das letras através da revista/movimento Poesia 61, com a publicação de Morfismos; em 1964, deu início às atividades no teatro e na dramaturgia, através de estágio no Teatro Experimental do Porto; colaborou nas revistas literárias Seara Nova, Cadernos do Meio-Dia, Brotéria, Vértice, Plano, Colóquio-Letras, Hífen, Relâmpago e A Phaia; suas obras: Em cada pedra um voo imóvel (poemas dramáticos e poemas em prosa, 1957), O Aquário (narrativa, 1959), Morfismos (em Poesia 61, 1961), Os Chapéus de Chuva (teatro, 1961), O Testamento (teatro, 1962), A Campanha (teatro, 1965), Barcas Novas (1967), Novas Visões do Passado (1975), O Texto de João Zorro (obra poética, 1974), Homenagem à literatura (1976), Área Branca, Melômana (ambas em 1978), Quem move as Árvores (teatro, 1979), (Este) rosto (1979), Âmago I / Nova Arte (1985), O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (ensaio, 1985), F de Fiama (antologia, 1986), Três Rostos (1989), Epístolas e Memorandos (1989), Teatro-teatro (1990), Obra breve (obra poética, 1991), Movimento Perpétuo (prosa, 1991), Cântico maior (1995), Sob o olhar de Medeia (prosa, 1998), Cenas Vivas (2000), As Fábulas (2002), Noites de Inês Constança (2005) etc.; traduziu obras de Bertolt Brecht, Novalis, John Updike, Antonin Artaud, Anton Tchekov e outros; premiações: Prêmio Revelação de Teatro (1961, pela peça Os Chapéus de Chuva), Prêmio Adolfo Casais Monteiro (1957, por Em cada pedra um vôo imóvel, obra de estréia), Grande Prêmio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1996) e Prêmio Literário do P.E.N. Clube Português (2001, por Cenas Vivas).

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Fiama Hasse Pais Brandão: A matéria

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Aprendo a temperatura o seu frio
o ar que tem por dentro a sua arte

Aprendo o sangue o seu calor o fundo
a linha necessária e o sigilo

O que mostra é o tacto em si incide
na sua inércia inclui a própria forma

Resume em si o tamanho e o conflito
das partes no limite ilimitadas

Ensina a sua lei e a situação
o imaginário mostra no objeto

[Obra breve]

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Poetas mulheres que pensaram o século XX [várias poetas, vários ensaios, vários ensaístas] — Apresentação e Organização de Regina Przybycien e Cleusa Gomes, 2008, Editora UFPR, Curitiba — PR; Fiama Hasse Pais Brandão (1938 2007), portuguesa e lisboeta, estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora; suas obras: Em cada pedra um voo imóvel (poemas dramáticos e poemas em prosa, 1957), Morfismos (em Poesia 61, 1961), Os Chapéus de Chuva (teatro, 1961), A Campanha (teatro, 1965), Barcas Novas (1967), Novas Visões do Passado (1975), O Texto de João Zorro (Obra poética, 1974), Homenagem à literatura (1976), Área Branca, Melômana (ambas em 1978), Quem move as Árvores (teatro, 1979), Âmago I / Nova Arte (1985), O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (ensaio, 1985), F de Fiama (antologia, 1986), Três Rostos (1989), Epístolas e Memorandos (1989), Teatro-teatro (1990), Obra breve (Obra poética, 1991), Movimento Perpétuo (prosa, 1991), Cântico maior (1995), Sob o olhar de Medeia (prosa, 1998), Cenas Vivas (2000), As Fábulas (2002), Noites de Inês-Constança (2005) etc.; traduziu obras de Bertolt Brecht, Novalis, John Updike, Antonin Artaud, Anton Tchekov e outros; recebeu diversas premiações por sua obra.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Fiama Hasse Pais Brandão: Crónicas


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Os falecidos
são essa memória
que depois se evoca

São a narrativa
das suas crónicas
e os extremos actos
de seus cercos
sítios
que a prosa acaso
acolhe lisos

Depois na leitura
tanto quanto ao ler
os mortos se aviltam
se debilitam
há uma maneira segura
de utilizar os feitos
para efeito de futura
vida ou sítio

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Poetas mulheres que pensaram o século XX [várias poetas, vários ensaios, vários ensaístas] — Apresentação e Organização de Regina Przybycien e Cleusa Gomes, 2008, Editora UFPR, Curitiba — PR; Fiama Hasse Pais Brandão (1938 2007), portuguesa e lisboeta, estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora; suas obras: Em cada pedra um voo imóvel (poemas dramáticos e poemas em prosa, 1957), Morfismos (em Poesia 61, 1961), Os Chapéus de Chuva (teatro, 1961), A Campanha (teatro, 1965), Barcas Novas (1967), Novas Visões do Passado (1975), O Texto de João Zorro (Obra poética, 1974), Homenagem à literatura (1976), Área Branca, Melômana (ambas em 1978), Quem move as Árvores (teatro, 1979), Âmago I / Nova Arte (1985), O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (ensaio, 1985), F de Fiama (antologia, 1986), Três Rostos (1989), Epístolas e Memorandos (1989), Teatro-teatro (1990), Obra breve (Obra poética, 1991), Movimento Perpétuo (prosa, 1991), Cântico maior (1995), Sob o olhar de Medeia (prosa, 1998), Cenas Vivas (2000), As Fábulas (2002), Noites de Inês-Constança (2005) etc.; traduziu obras de Bertolt Brecht, Novalis, John Updike, Antonin Artaud, Anton Tchekov e outros; recebeu diversas premiações por sua obra.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Fiama Hasse Pais Brandão: História literária


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Dou graças a meus olhos
que apaziguaram o meu cérebro
estarrecido pela literatura.
Outrora era o poder das letras,
a beberagem, o filtro das sílabas
que brotavam em espiral
das páginas dos mestres insanos.
Era eu num alto poço, com o fundo
no topo inverso da minha cabeça,
a sorver o crânio dos antepassados.
Era eu, no mais dentro de uma britadeira
mental, a reunir a fragmentada
palavra una, ventre de todas as palavras.

Hoje ou agora, os meus olhos
são somente como o tacto: apalpam,
marcam, com sua secreção,
o rebordo de cada objeto, dos seres,
o limite de uma crónica dos dias.

[Cenas vivas]

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Poetas mulheres que pensaram o século XX [várias poetas, vários ensaios, vários ensaístas] — Apresentação e Organização de Regina Przybycien e Cleusa Gomes, 2008, Editora UFPR, Curitiba — PR; Fiama Hasse Pais Brandão (1938 2007), portuguesa e lisboeta, estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora; suas obras: Em cada pedra um voo imóvel (poemas dramáticos e poemas em prosa, 1957), Morfismos (em Poesia 61, 1961), Os Chapéus de Chuva (teatro, 1961), A Campanha (teatro, 1965), Barcas Novas (1967), Novas Visões do Passado (1975), O Texto de João Zorro (Obra poética, 1974), Homenagem à literatura (1976), Área Branca, Melômana (ambas em 1978), Quem move as Árvores (teatro, 1979), Âmago I / Nova Arte (1985), O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (ensaio, 1985), F de Fiama (antologia, 1986), Três Rostos (1989), Epístolas e Memorandos (1989), Teatro-teatro (1990), Obra breve (Obra poética, 1991), Movimento Perpétuo (prosa, 1991), Cântico maior (1995), Sob o olhar de Medeia (prosa, 1998), Cenas Vivas (2000), As Fábulas (2002), Noites de Inês-Constança (2005) etc.; traduziu obras de Bertolt Brecht, Novalis, John Updike, Antonin Artaud, Anton Tchekov e outros; recebeu diversas premiações por sua obra.