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Quem como nós na curva de céus vários pressentiu
(em céus de boca e ares)
que os elementos, de si, nunca se encontram diz:
a água não amaina; o fogo nas queimadas,
nas lajes do lar
não nos sacia; o ar não cria
a vibração das folhas — esta é a nudez;
na terra sobretudo sente-se: as suas casas, as traves
que as sustêm, desfalecem.
Quem as habita parado, quem como nós vivo
diz: a fome é hostil,
o homem movimenta-se impaciente,
o seu desejo ocupa a sua vida.
(Este) Rosto —
1979
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Poesia portuguesa
contemporânea [várias autorias] — Seleção de autorias, Organização, Nota
inicial e Traços biobibliográficos por Carlos Nejar, 1982, Massao Ohno &
Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Fiama Hasse Pais Brandão (1938 — 2007),
portuguesa e lisboeta, estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade
de Lisboa, trabalhou como bibliotecária-arquivista do Centro de Estudos
Linguísticos daquela instituição, foi escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora;
tornou-se conhecida e reconhecida no ambiente das letras através da
revista/movimento Poesia 61, com a publicação de Morfismos; em 1964, deu início
às atividades no teatro e na dramaturgia, através de estágio no Teatro
Experimental do Porto; colaborou nas revistas literárias Seara Nova, Cadernos
do Meio-Dia, Brotéria, Vértice, Plano, Colóquio-Letras, Hífen, Relâmpago e A
Phaia; suas obras: Em cada pedra um voo imóvel (poemas dramáticos e poemas em prosa,
1957), O Aquário (narrativa, 1959), Morfismos (em Poesia 61, 1961), Os Chapéus de
Chuva (teatro, 1961), O Testamento (teatro, 1962), A Campanha (teatro, 1965), Barcas
Novas (1967), Novas Visões do Passado (1975), O Texto de João Zorro (obra poética,
1974), Homenagem à literatura (1976), Área Branca, Melômana (ambas em 1978), Quem
move as Árvores (teatro, 1979), (Este) rosto (1979), Âmago I / Nova Arte (1985),
O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (ensaio, 1985), F de Fiama (antologia,
1986), Três Rostos (1989), Epístolas e Memorandos (1989), Teatro-teatro (1990),
Obra breve (obra poética, 1991), Movimento Perpétuo (prosa, 1991), Cântico maior
(1995), Sob o olhar de Medeia (prosa, 1998), Cenas Vivas (2000), As Fábulas (2002),
Noites de Inês Constança (2005) etc.; traduziu obras de Bertolt Brecht, Novalis,
John Updike, Antonin Artaud, Anton Tchekov e outros; premiações: Prêmio
Revelação de Teatro (1961, pela peça Os Chapéus de Chuva), Prêmio Adolfo Casais
Monteiro (1957, por Em cada pedra um vôo imóvel, obra de estréia), Grande
Prêmio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1996) e Prêmio
Literário do P.E.N. Clube Português (2001, por Cenas Vivas).