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[traduzido
por Oscar Mendes]
Soneto LXXIII
Em mim tu
podes ver a quadra fria
Em que as
folhas, já poucas ou nenhumas,
Pendem do
ramo trêmulo onde havia
Outrora
ninhos e gorjeio e plumas.
Em mim
contemplas essa luz que apaga
Quando no
poente o dia se faz mudo
E pouco a
pouco a negra noite o traga,
Gêmea da
morte, que cancela tudo.
Em mim tu
sentes resplender o fogo
Que ardia
sob as cinzas do passado
E num
leito de morte expira logo
Do quanto
que o nutriu ora esgotado.
Sabê-lo
faz o teu amor mais forte
Por quem
em breve há de levar a morte.
[William Shakespeare] — Obra completa, trad.
Oscar Mendes, Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1995.
Sonnet LXXIII
That time
of year thou mayst in me behold
When
yellow leaves, or none, or few, do hang
Upon
those boughs which shake against the cold,
Bare
ruin’d choirs, where late the sweet birds sang.
In me
thou see’st the twilight of such day
As after
sunset fadeth in the west;
Which by
and by black night doth take away,
Death’s
second self, that seals up all in rest.
In me
thou see’st the glowing of such fire,
That on the
ashes of his youth doth lie,
As the
death-bed whereon it must expire,
Consum’d
with that which it was nourish’d by.
This thou
perceiv’st, which makes thy love more strong,
To love
that well which thou must leave ere long.
William
Shakespeare, em Howard Staunton (ed.), The Globe
Illustrated
Shakespeare. The Complete Works, Nova York,
Greenwich House, Crown Publishers,
1986, pp. 2297, 2303-4.
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Poetas que
pensaram o mundo — [vários ensaios, vários ensaístas, vários poetas] Organização
de Adauto Novaes, 2005, Companhia das Letras, São Paulo — SP; William Shakespeare
(1564 — 1616), nascido em Stratford-upon-Avon, poeta e dramaturgo inglês, é tido
como o mais influente dramaturgo do mundo; de Shakespeare, consta que restaram até
nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros
poemas; suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas
e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura — que
o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias
(Sonho de Uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, A Comédia de Erros, A Megera
Domada, A Tempestade, Cimbelino, e tantas outras), tragédias (Tito Andrônico, Romeu
e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza,
Hamlet etc.), dramas históricos (Rei João, Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV
— partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo
III).

