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[tradução de José Lino Grünewald]
O céu acima do telhado
Tão azul, calmo!
A árvore acima do telhado
A árvore acima do telhado
Embala a palma.
O sino, que no céu se vê,
Suave, soa.
A ave que na árvore se vê
A dor entoa.
Meu Deus, meu Deus, a vida é lá,
Simples, tranqüila.
Esse plácido rumor lá
Vem lá da vila.
— Que fizeste, tu, que lá estás
Choras saudade,
Diga, que fizestes, tu, que lá estás
Da mocidade?
| Paul Verlaine |
Le ciel par-dessus le toit...
Le ciel est, par-dessus le toit,
Si bleu, si calme!
Um arbre, par-dessus le toit,
Berce sa palme.
La cloche, dans le ciel que’on
voit,
Doucement tinte,
Um oiseau sur l’arbre qu’on voit,
Chante sa plainte.
Doucement tinte,
Um oiseau sur l’arbre qu’on voit,
Chante sa plainte.
Mon
Dieu, mon Dieu, la vie est là,
Simple et tranquille.
Cette paisable rumeur-là,
Vient de la ville.
Simple et tranquille.
Cette paisable rumeur-là,
Vient de la ville.
— Qu’as-tu fait, ô toi que voilà
Pleurant sans cesse,
Dis, qu’as-tu fait, toi que voilà,
De ta jeunesse?
Pleurant sans cesse,
Dis, qu’as-tu fait, toi que voilà,
De ta jeunesse?
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Poetas Franceses do Século
XIX — Seleção, Organização, Tradução e Nota Introdutória de José Lino
Grünewald, 1991, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Paul Marie Verlaine (1844 — 1896), francês nascido
em Metz, educou-se no Liceu Bonaparte (atual Liceu Condorcet), em Paris,
trabalhou como funcionário público e desde cedo começou a escrever poesias,
influenciado inicialmente pelo parnasianismo; considerado um dos expoentes da
poesia e literatura francesa, usou a expressão poètes
maudits (poetas malditos) para se referir aos poetas de sua época e de seu
convívio — Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud, Paul Valery,
... —, grupo ao qual ele se incluía, e que privilegiavam a luta
contra as convenções poéticas vigentes e sofriam reprimendas sociais por isso,
tendo sido muitos deles ignorados pelos críticos; só posteriormente, em 1886,
com a publicação do Manifesto Simbolista, por Jean Moréas, o termo
"simbolismo" passou a nominar aquele novo ambiente literário; Paul
Verlaine escreveu e publicou em poesia, Poèmes Saturniens (1866), Les
Amies (1867), Fêtes Galantes (1869), La Bonne Chanson (1870), Romances
Sans Paroles (1874), Sagesse (1880), Jadis et
naguère (1884), Amour (1888) e outros títulos, e, em prosa, Les
Poètes maudits (1884), Louise Leclercq (1886), Les Memoires d'un
veuf (1886), Mes hôpitaux (1891), Mes prisons (1893), Quinze jours en Hollande (1893) etc.; o poeta, que foi casado com
Mathilde Mauté, participou da Comuna de Paris sem ser atuante nas ruas, teve
relacionamento sentimental amoroso conturbado com Rimbaud e o feriu com dois
tiros, foi preso e encarcerado e, nos anos finais de sua vida, Paris o viu
dependente de drogas e de alcoolismo, vivendo em bairros pobres e se socorrendo
em hospitais públicos.







