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a vida pede urgência
o resto pode esperar:
com a morte não requerida
a vida pode vingar
a vida pede urgênciaum mote a repetir:se a morte é toda presençaa vida pode se ir
a vida pede urgênciafaça frio ou calor:tem seu tempo, negaceia,resiste, forma bolor
a vida pede urgênciaseja o que deus quiser:se a morte é só insistênciaa vida faz o que der
a vida pede urgêncianão há ninguém hors-concours:faz flerte com a demênciasem ar, nem ir, ...or ...er ...ur
a vida pede urgênciatatuando o teatá:não há caminho suaveoutra cartilha não há
a vida pede urgênciano quilombo do jaó:cochilei no trem de ferroacordei, era iperó
são paulo, 05.06.2023
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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu: de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 — 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 — 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...



