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[fragmentos do longo poema Cântico
dos cânticos para flauta
e violão, composto de quinze estrofes com diferentes
quantidades de versos e cada uma com título próprio]
Alerta
Lá vem o
lança-chamas
Pega a
garrafa de gasolina
Atira
Eles
querem matar todo amor
Corromper
o pólo
Estancar
a sede que eu tenho doutro ser
Vem de
flanco, de lado
Por cima,
por trás
Atira
Atira
Resiste
Defende
De pé
De pé
De pé
O futuro
será de toda a humanidade
— o —
Mea culpa, Lear
Na hora
do fantasma
Entre
corujas
Jocasta
soluçou
O palácio
de fósforo
Múltiplas
janelas
Desmaiou
— Por que
calaste os sinos?
Meu
filho, filho meu!
— Dei, dei,
dei
— Onde
puseste os reinos e as vitórias
Que minha
estranha serenidade prometia?
— Era
usurpação. Paguei
— Passaste
fome?
— Muitas
vezes comi as marés de meu cérebro
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Oswald de Andrade — Cadernos de
Poesia do Aluno Oswald (Poesias reunidas), Ensaios & Apresentação: Uma
poética da radicalidade, por Haroldo de Campos, e Poesia Pau-Brasil, por Paulo
Prado, sem data [1985?], Círculo do Livro, São Paulo — SP; José Oswald de Sousa
Andrade (1890 — 1954), paulista e paulistano, bacharel em Humanidades e em Direito,
foi jornalista, redator, poeta, dramaturgo, escritor, crítico teatral, e um dos
expoentes do Modernismo e da Semana de Arte Moderna de 1922 levada a efeito no Teatro
Municipal de São Paulo; iniciou-se no jornalismo como redator e crítico teatral
do Diário Popular, fez parte do grupo da revista Klaxon (1922 a 1923) e da Revista
de Antropofagia (1928 a 1929); colaborou e publicou seus textos em diversos periódicos
de sua época: revista A Cigarra, A Vida Moderna,
Jornal do Comércio, O Jornal, A Gazeta, Correio Paulistano, Revista do Brasil, Diário
de São Paulo, Correio da Manhã, entre outros, e fundou a revista O Pirralho, e,
depois, Papel e Tinta, Terra Roxa, juntamente com outros modernistas; percurso literário:
revista O Pirralho (humor em português macarrônico, 1912 — 1917), A recusa (teatro,
1913), Théâtre Brésilien — Mon coeur balance e Leur Âme (com Guilherme de Almeida,
1916), A trilogia do Exílio: I — Os Condenados, II — A estrela de absinto, III —
A escada vermelha (romances, de 1922 — 1934), Memórias sentimentais de João Miramar
(romance, 1924), Pau-Brasil (poesia, 1925), Primeiro caderno do aluno de poesia
Oswald de Andrade (1927), Serafim Ponte Grande (romance, 1933), O homem e o cavalo
(teatro, 1934), O rei da vela (teatro, 1937), Marco Zero: I — A revolução melancólica,
II — Chão (romances, ambos em 1943), Cântico dos Cânticos para flauta e violão (1945),
O escaravelho de ouro (1946), além de manifestos e conferências, e outros textos
em verso e prosa e para teatro; de família abastada, Oswald viveu entre o Brasil
e a Europa, onde transitou por diversos países.