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[traduzido por Regina
Przybycien e Gabriel Borowski]
Na foto da multidão
minha cabeça é a sétima do
canto,
ou talvez a quarta da esquerda
ou a vigésima de baixo para
cima.
minha cabeça, não sei qual,
já não uma, não única,
já semelhante a semelhantes,
nem de mulher nem de homem;
os sinais que ela me dá
não são sinais particulares;
talvez o Espírito do Tempo
a veja, mas não a examine;
minha cabeça estatística,
que consome aço e cabos
do modo mais sereno e global;
sem prurido de ser qualquer
uma,
sem desespero de ser
permutável;
como se de fato eu não a
tivesse
à parte e do meu jeito;
como se escavassem um
cemitério,
cheio de crânios anônimos
de boa conservabilidade
malgrado a mortalidade;
como se ela já estivesse lá,
minha cabeça, alheia, uma
qualquer —
onde, caso recorde algo,
será talvez o futuro profundo.
Fotografia
tłumu
Na fotografii tłumu
moja głowa siódma z kraja,
a może czwarta na lewo
albo dwudziesta od dołu;
moja głowa nie wiem która,
już nie jedna nie jedyna,
już podobna do podobnych,
ni to kobieca ni męska;
znaki, które mi daje,
to znaki szczególne żadne;
może widzi ją Duch Czasu,
ale się jej nie przygląda;
moja głowa statystyczna,
co spożywa stal i kable
najspokojniej, najglobalniej;
bez wstydu, że jakakolwiek,
bez rozpaczy, że wymienna;
jakbym wcale jej nie miała
po swojemu i z osobna
jakby cmentarz odkopano
pełen bezimiennych czaszek
o niezłej zachowalności
pomimo umieralności;
jakby ona już tam była,
moja głowa wszelka, cudza —
gdzie, jeżeli coś wspomina,
to chyba przyszłość głęboką.
(Wszelki wypadek — 1972)
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Wisława Szymborska [para o meu coração num
domingo], Seleção, Tradução e Prefácio de Regina Przybycien e Gabriel Borowski, edição bilíngue,
1ª edição, 2020, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Maria Wisława Anna
Szymborska (1923 — 2012), polonesa de Kórnik,
fez seus estudos escolares iniciais em Toruń, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, prosseguiu nos estudos de
forma clandestina e passou a trabalhar em uma ferrovia, o que a livrou de ser
deportada para território nazista, ora ocupado pelo Terceiro Reich, foi poeta,
crítica literária e tradutora; assim, Wisława deu início a seu processo
criativo: fez suas primeiras ilustrações para livros (um manual para estudar
inglês) e iniciou-se na literatura, com alguns contos e poemas; em 1945, com o
fim da guerra, já em Cracóvia, a poeta foi parte importante na vida literária
local, participou do grupo literário Ao Contrário, deu início ao curso de
Filologia Polaca na Universidade Jaguelônica, depois mudou para Sociologia,
desistiu dos estudos, casou, divorciou, colaborou com a revista Kultura (de
literatura e política, publicada em Paris por emigrantes polacos), foi membro
do Partido Comunista; suas obras: Wolanie do Yeti (Chamando pelo Yeti, 1957),
Sól (Sal, 1962), Sto pociech (Muito divertido, 1967), Wszelki wypadek (Todo o
caso, 1972), Wielka liczba (Um grande número, 1976), Ludzie na moście
(Gente na ponte, 1986), Koniec i początek (Fim e começo, 1993), Chwila
(Instante, 2002), Rymowanki dla dużych dzieci (Riminhas para crianças grandes, 2005),
Dwukropek (Dois pontos, 2006), Tutaj (Aqui, 2009), Wystarczy (Chega, 2012) ...;
seus livros foram
traduzidos para 36 línguas, sendo a poeta polonesa que mais recebeu traduções
no exterior; premiações: Prêmio Goethe (1991), Prêmio Nobel de Literatura
(1996) e Prêmio Niki de Literatura (2006).



