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sábado, 7 de maio de 2016

D. Francisco de Quevedo: A morte

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[traduzido por Delson Tarlé]

Por entre minhas mãos como resvalas,
minha idade, enganosa, fugidia!
Que mudos passos tens, ó Morte fria,
pois com pé silencioso tudo igualas!

Irada, o muro de ilusões escalas
a que, risonho, o jovem se confia;
já pressentes, minha alma, o último dia:
se asas não tens, não poderá alçá-las.

É duro ser mortal, certo do fim!
Já não posso viver meu amanhã
sem a sombra da Morte sobre mim!

Cada instante que vivo neste afã,
é nova execução, que mostra, assim,
quanto é mísera a Vida, quanto é vã!


¡Cómo de entre mis manos te resbalas!

    ¡Cómo de entre mis manos te resbalas!
¡Oh, cómo te deslizas, edad mía!
¡Qué mudos pasos traes, oh, muerte fría,
pues con callado pie todo lo igualas!

    Feroz, de tierra el débil muro escalas,
en quien lozana juventud se fía;
mas ya mi corazón del postrer día
atiende el vuelo, sin mirar las alas.

    ¡Oh, condición mortal! ¡Oh, dura suerte!
¡Que no puedo querer vivir mañana
sin la pensión de procurar mi muerte!

    Cualquier instante de la vida humana
es nueva ejecución, con que me advierte
cuán frágil es, cuán mísera, cuán vana.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima, Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; D. Francisco Gómez de Quevedo Villegas y Santibáñez Cevallos (1580 1645), espanhol madrilenho, de família fidalga e com pais trabalhando na corte, ele também ali vivendo e convivendo, foi poeta, escritor e político; estudou Teologia, freqüentou a Universidade de Alcalá de Henares e aprofundou seus conhecimentos em filosofia, línguas clássicas, árabe, hebreu, francês e italiano; sua obra: Política de Dios, gobierno de Cristo y tirania de Satanás (escrita em 1617 e impressa em 1635), Vida de Santo Tomás de Villanueva (1620), Os Sonhos (manuscritos compostos entre 1606 e 1623, impressos em 1627), Mundo caduco y desvarios de la edad (escrita em 1621 e editada em 1852), Cuento de cuentos (1626), La cuna y la sepultura (1635), La hora de todos y la Fortuna com seso (1936), El Parnaso Español (1648), Las cuatro pestes del mundo y las cuatro fantasmas de la vida (1651) e outras obras políticas, ascéticas, filosóficas, satírico-morais, críticas literárias e poesias.