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segunda-feira, 22 de abril de 2019

Olegário Mariano: Cigarra

Resultado de imagem para antologia de poemas para a infância
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Cigarra! Levo a ouvir-te o dia inteiro,
Gosto da tua frívola cantiga,
mas vou dar-te um conselho, rapariga:
trata de abastecer o teu celeiro.

Trabalha, segue o exemplo da formiga!
Aí vem o inverno, as chuvas, o nevoeiro;
e tu, não tendo um pouso hospitaleiro,
pedirás... E é bem triste ser mendiga!

E ela, ouvindo os conselhos que eu lhe dava,
(quem dá conselhos sempre se consome...)
continuava cantando... continuava...

Parece que no canto ela dizia:
 Se eu deixar de cantar, morro de fome;
que a cantiga é o meu pão de cada dia.

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Antologia de Poemas para a infância (diversos autores), Organização de Henriqueta Lisboa e Ilustrações de Dawidson França, 3ª edição, 2009, Ediouro Publicações, Rio de Janeiro — RJ; Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889  1958), pernambucano de Recife, político e diplomata, foi poeta, jornalista e letrista musical; estreante na vida literária aos 22 anos com o volume Angelus, viveu o período parnasiano-simbolista e de transição para o modernismo; escreveu para as revistas Caretas e Para Todos com o pseudônimo de João da Avenida; ficou conhecido como o 'poeta das cigarras' por causa de um de seus temas prediletos; obra literária: Angelus  (1911), Sonetos (1912), Evangelho da Sombra e do Silêncio (1913), Água corrente (prefácio de Olavo Bilac, 1918), Últimas Cigarras (1920), Bataclan (crônicas em versos, 1923), Canto da minha terra (1930), Destino (1931), Vida, caixa de brinquedos (crônicas em versos, 1933), A Vida que já vivi, memórias (1945), Mundo Encantado (1955), e tantos outros títulos; como letrista, teve poemas musicados por Joubert de Carvalho (‘Cai, cai balão’, ’Tutu-marambá’ e outros); também fez parceria musical com diversos outros autores.