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Cigarra! Levo a ouvir-te o dia
inteiro,
Gosto da tua frívola cantiga,
mas vou dar-te um conselho,
rapariga:
trata de abastecer o teu celeiro.
Trabalha, segue o exemplo da
formiga!
Aí vem o inverno, as chuvas, o
nevoeiro;
e tu, não tendo um pouso
hospitaleiro,
pedirás... E é bem triste ser
mendiga!
E ela, ouvindo os conselhos que eu
lhe dava,
(quem dá conselhos sempre se
consome...)
continuava cantando...
continuava...
Parece que no canto ela dizia:
— Se eu deixar de cantar, morro de
fome;
que a cantiga é o meu pão de cada
dia.
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Antologia de Poemas para a infância
(diversos autores), Organização de Henriqueta Lisboa e Ilustrações de Dawidson
França, 3ª edição, 2009, Ediouro Publicações, Rio de Janeiro — RJ; Olegário
Mariano Carneiro da Cunha (1889 —
1958), pernambucano de Recife, político e diplomata, foi poeta,
jornalista e letrista musical; estreante na vida literária aos 22 anos com o
volume Angelus, viveu o período parnasiano-simbolista e de transição para o
modernismo; escreveu para as revistas Caretas e Para Todos com o pseudônimo de João da Avenida; ficou conhecido como o 'poeta das cigarras' por
causa de um de seus temas prediletos; obra literária: Angelus (1911), Sonetos (1912), Evangelho da Sombra e do
Silêncio (1913), Água corrente (prefácio de Olavo Bilac,
1918), Últimas Cigarras (1920), Bataclan (crônicas em versos,
1923), Canto da minha terra (1930), Destino (1931), Vida, caixa
de brinquedos (crônicas em versos, 1933), A Vida que já vivi,
memórias (1945), Mundo Encantado (1955), e tantos outros títulos;
como letrista, teve poemas musicados por Joubert de Carvalho (‘Cai, cai balão’,
’Tutu-marambá’ e outros); também fez parceria musical com diversos outros
autores.