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Calmo, à brisa que o afaga, o mar azul embala
o flutígeno berço; ao léu da esteira mansa
vem à praia uma onda, e beijando-a, resvala,
e volta ao seio d'água, e desfaz-se em bonança.
Sucede à brisa o vento, e embrusca o céu de opala;
turvo, agita-se o mar; empola-se a onda, avança,
e estruge contra a praia; em fúria, a açoita, estala,
e ao seio bramidor, de retorno, se lança.
Alma ansiosa, és igual a esse mar: ora, presa
das ilusões, o amor, a paz e os teus antolhos
expandes, num sorriso; ora, atada à tristeza,
sob a dor que exaspera, estuando, dentre escolhos,
da tormenta moral rebentas a represa
e as ondas sobrevêm nas lágrimas dos olhos.
[Heptacórdio — 1922]
* Nota do blogue Verso e
Conversa: acerca da vida de Ibrantina Cardona, o atrevidíssimo aprendiz de
blogueiro desta página transcreve o que se segue:
‘Ao se casar com o jornalista Francisco Cardona, mudou-se para Mogi-Mirim, no interior de São Paulo. Com ele, viveu um casamento considerado, no mínimo, "estranho”. Descrito pelo vigário da cidade, Monsenhor José Nardini, como uma pessoa de temperamento forte e violento, Francisco pode ter sido o grande responsável pela separação do casal. Uma separação também diferente: viviam na mesma casa, ele na parte da frente e ela, na de trás. O banheiro tinha duas portas; uma para ele, outra para ela. As refeições eram servidas separadamente, sendo que no fim do casamento, os almoços e jantares chegaram a ser feitos por pessoas diferentes. Francisco e Ibrantina não trocavam uma palavra. Quando necessário, se comunicavam por meio de bilhetes.’ (trecho do texto Não somos alegres nem tristes: somos poetas, transcrito de A Voz da Serra — sexta-feira, 14 de março de 2014, Nova Friburgo — RJ)
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Antologia de Poetas Fluminenses
(vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica
Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Ibrantina Froidevaux de Oliveira Cardona (1868
— 1956), nascida em Nova Friburgo — RJ, foi poeta e escritora; colaborou
intensamente em periódicos da época: Revista Feminina, Senhorita X!..., A
Mensageira, Gazeta de Paraopeba, ...; escreveu e publicou Plectros (1897), Primavera
do Amor (1915), Heptacórdio (1922), Cleópatra (1923), Asas Rubras (1939),
Cosmos (poesias de vários tempos, 1951), ...; em 1976, a poetisa foi biografada
por Antônio Arruda Dantas em Ibrantina
Cardona, publicado pela Editora Pannartz; Ibrantina foi membro da
Academia Fluminense de Letras, participou do Instituto Histórico e Geográfico
de São Paulo, do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, da Associação
Paulista de Imprensa etc.

