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[traduzido por Guilherme de Almeida]
A lua estava triste. Arcanjos
sonhadores
Em pranto, o arco nas mãos, no
sossego das flores
Aéreas, vinham virar de
evanescentes violas
Alvos ais resvalando entre o azul
das corolas.
— Era o dia feliz do teu primeiro
beijo.
Para me torturar, meu sonho, meu
desejo
Embriagavam-se bem do perfume de
queixa
Que mesmo sem remorso e sem motivo
deixa,
No coração que o colhe, a colheita
de um sonho.
Eu ia à toa, o olhar no chão velho
e tristonho,
Quando, trazendo nos cabelos um sol
lindo,
Na alameda e na tarde apareceste
rindo.
E eu julguei ver, com seu chapéu de
luz, a fada
Que nos meus sonos bons de criança
mimada
Sempre deixou nevar dentre as mãos
mal fechadas
Punhados celestiais de estrelas perfumadas.
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| Stéphane Mallarmé |
Apparition
La lune s'attristait. Des séraphins
en pleurs
Rêvant, l'archet aux doigts, dans le calme des fleurs
Vaporeuses, tiraient de mourantes violes
De blancs sanglots glissant sur l'azur des corolles.
— C'était le jour béni de ton premier baiser.
Ma songerie aimant à me martyriser
S'enivrait savamment du parfum de tristesse
Que même sans regret et sans déboire laisse
La cueillaison d'un rêve au coeur qui l'a cueilli.
J'errais donc, l'oeil rivé sur le
pavé vieilli,
Quand, avec du soleil aux cheveux, dans la rue
Et dans le soir, tu m'es en riant apparue.
Et j'ai cru voir la fée au chapeau de clarté
Qui jadis sur mes beaux sommeils d'enfant gâté
Passait, laissant toujours de ses mains mal fermées
Neiger de blancs bouquets d'étoiles parfumées.
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Poetas de França (vários autores) — Guilherme de Almeida, Tradução
e Dedicatória ‘Soneto de amor pela França’ de Guilherme de Almeida e Prefácio de
Marcelo Tápia, 5ª edição, 2011, Edições Babel, São Paulo — SP; Stéphane Mallarmé
(1842 — 1898) ou Étienne Mallarmé, francês nascido em Paris, foi poeta, tradutor,
crítico literário e professor de inglês; considerado como um dos primeiros simbolistas
franceses e um dos precursores da poesia concreta, consta que seus primeiros poemas
surgiram na década de 1860 e que, como boa parte dos poetas de sua geração, também
sofrera influência de Charles Baudelaire; Mallarmé é tido, durante os anos de 1880,
como sendo a figura central de um grupo de escritores com quem discutia poesia e
arte, entre os quais Paul Valéry, André Gide e Marcel Proust; fundou a revista Última
Moda, onde escreveu sobre estética literária, colaborou no jornal Le Parnasse Contemporain
e publicou na revista Cosmopolis; escreveu Herodíade (Herodíades, 1869), L'Aprés-midi
d'um faune (A tarde de um fauno, 1876), Um coup de dés jamais n'abolira le hasard
(Um Lance de Dados Jamais Abolirá o Acaso, 1897) e muitos outros textos; traduziu
Edgard Allan Poe, W. C. Elphinstone Hope e James Whistler.



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