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Sonetos (II)
Céu, ar e ventos, montes e
vargedos,
Bífidos cerros, matas verdejantes,
Ribas tortuosas, fontes ondulantes,
Capões de mato, e vós, verdes
bosquedos;
Antros musgosos, fendas nos
rochedos,
Prados, botões, capins, flores
rubentes,
Morros, vinhas, e praias
fulvescentes,
Gastine, Loir, e vós, versos não
ledos,
Pois que, ao partir, roído de
pesar,
Ao teu olhar o adeus não pude dar,
Que perto e longe o amor me prende
assim,
Eu vos suplico, céus, planícies,
montes,
Capões, florestas, ribas, antros,
fontes,
Prados e flores lho digais por mim.
Les amours de Cassandre
Sonnets (II)
Ciel, air et vents, pleine et monts
découverts,
Tertres fourchus et forêts
verdoyantes,
Rivages tors, et sources
ondoyantes,
Taillis rasés, et vous, bocages
verts;
Antres moussus à demi front
ouverts,
Prés, boutons, fleurs et herbes
rousoyantes,
Côteaux vineux et plages
blondoyantes,
Gastine, Loir, et vous, mes tristes
vers,
Puisqu’au partir, rongé de soin et
d’ire,
A ce bel oeil l’adieu je n’ai su
dire,
Qui près et loin me détient em
émoi,
Je vous suplli’, ciel, air, vents,
monts et plaines,
Taillis, fôrets, rivages et
fontaines,
Antres, prés, fleurs, dites-le-lui
pour moi.
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Poetas franceses da Renascença [edição
bilíngue], Seleção, Apresentação e Tradução de Mário Laranjeira, 1ª edição, agosto
de 2004, Martins Fontes Editora, São Paulo — SP; Pierre Ronsard (1524 — 1585), francês
de Vendôme, próximo à aldeia de Couture-sur-Loir, à época Reino da França, foi poeta,
invariavelmente prestou serviços à Corte: foi pajem do delfim Francisco [filho de
Francisco I, rei da França, patrono das artes e iniciador/impulsionador do Renascimento
francês] e, depois, esteve com Carlos — Duque de Orleans, Madalena de França, esposa
do Rei Jaime V da Escócia, depois, com o próprio Jaime V, esteve ainda a serviço
na Escócia, em Londres, em Flandres [hoje, região da Bélgica]; após uma doença tê-lo
feito perder parte da audição, teve que interromper seus serviços [diplomáticos]
à Corte, dedicou-se aos estudos [processos literários da literatura italiana: Dante,
Petrarca, Boccaccio], leu Lemaire de Belges, Guillaume Coquilard, Clément Marot,
compôs algumas odes orácicas [de Horácio], mas também prestou serviços ao Rei Charles
d’Orleans [Carlos II] e, após a morte deste, a seu delfim Henri [II]; suas obras:
Odes (Les Odes, 1550 — 1552), Amores (Les Amours, 1552 — 1578), Hinos (Les Hymnes,
1555 — 1556), Discursos (Les Discours, 1562 — 1563), Sonetos para Helena (Sonnets
pour Hélène, 1578), Os Amores de Cassandra [Les Amours de Cassandre, coleção de
poemas em decassílabos, extraídos de Les Amours) ...; teve poemas musicados por músicos
de várias épocas.