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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Jorge Nagao: Elis

(Jorge Nagao é o único japonês da foto)


















Como Éramos Elises!

- Onde você estava quando o Senna morreu?
- Onde estava você quando morreu Elis?

Poucas personalidades mereceram constar nesse tipo de pergunta.

Estava eu trabalhando num banco na esquina da Paulista com a Augusta quando Lauro, o tesoureiro, passou por minha mesa e disparou:


- Elis Regina morreu!- e seguiu sem olhar pra trás em direção ao subsolo.

Atônito, repassei a má notícia aos colegas. Logo o clima da agência era de velório.

Elis era muito especial. Além de notável cantora, lutava bravamente pela democracia naqueles anos de abertura lenta gradual e segura. Seus discos e shows eram catárticos. Interpretações magníficas geraram discos antológicos e shows inesquecíveis como Falso Brilhante que ficou um ano e três meses em cartaz no Teatro Bandeirantes na capital paulista. Que artista, hoje, repetiria esse feito? Teló? Télogo!

Além disso, lançou novos talentos como a dupla João Bosco e Aldir Blanc, Belchior e Renato Teixeira entre outros e outras como Fátima Guedes e Sueli Costa.

Hoje, 30 anos após a sua partida, “não apareceu mais ninguém” à altura dessa baixinha de gestos largos e musicalidade à flor da pele, na definição de Zuza Homem de Mello. Os filhos de Elis Regina, a cantora Maria Rita e o produtor João Marcello, preparam um show para homenagear a mãe. O repertório do show está sendo cuidadosamente escolhido. Maria Rita confessou no programa Altas Horas que conhece pouco a discografia da mãe devido à imensa saudade que sentia ao ouvi-la. “Será emocionante”, assegura Maria Rita.

O show, grátis, free, 0800, estreará em março, mês de nascimento de Elis, provavelmente em São Paulo, depois percorrerá diversas capitais. O único objetivo é que o nome da cantora não caia no esquecimento. Não será lançado CD e nem DVD deste show. Haverá exposição, lançamento de livro e do documentário “Como Éramos Elises”. A gravadora Universal relançará os 21 discos de Elis e o site elisregina.com.

Então, lembrando um comercial da TV Bandeirantes, em 1978, Elis Ano Novo!

Trechos do documentário Como Éramos Elises, no portal Maria Rita:

http://www.youtube.com/watch?v=jcNEGt3Fd3c
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Fã comum, não sou um fã náutico que mergulha na vida pessoal, familiar e até amorosa da artista, há 30 anos cometi este pequeno texto para a grande estrela.

ELIS (1982)

Foi numa terça-feira de janeiro, tristemente inolvidável.
A implacável notícia emudeceu quem estava conversando no bar, no cais, ou numa casa de campo. Muita gente foi chorar atrás da porta – um compositor me disse. Era o fim da travessia.
Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
O trem azul do destino veio pela transversal do tempo e, traiçoeiramente, arrebatou você do nosso convívio
O arrastão da morte veio de modo fulminante dando chibatadas em nossos corações e pirando nossas cabeças.
Por você chorou o menino das laranjas, a nega do cabelo duro, o bêbado e a equilibrista, assim como os nossos pais
Por isso o povo foi se despedir de você numa gigantesca romaria.
Agora, nada será como antes: é dor pra lá, dor pra cá.
Jamais conversamos, Elis, mas éramos hermanos – gracias à la vida!
Você foi fundamental cantando o hino da anistia, enfrentando o Dono da Voz, denunciando os donos do poder, alegrando a batucada da vida. Para a nossa plena fascinação.
Você ficará em nós como tatuagem, marcada pela ousadia e pela emoção
Afinal, amiga é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do coração.
Elis, a nossa saudade. A saudade do Brasil.
(Janeiro de 1982)
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Jorge Nagao, paulista de Vera Cruz, bancário sobrevivente, é cronista, frasista, humorista, enfim um ativista da palavra; foi um dos impulsionadores, colaboradores e editores do jornaleco Na Moita, um devezenquandário que, entre os anos de 1991 e 1997, circulou pelos balcões, mesas e banheiros das seções da ex-Agência Centro BB São Paulo; aposentou-se no final do milênio passado após ter prestado serviços no Banco do Brasil por quase três décadas; escreveu Pacote Bancário e outros poemas e paródias (1983) e participou da coletânea Damas de Ouro & Valetes de Espada — Crônicas do baralho, organização de Leonel Prata (2009, MGuarnieri Editorial, São Paulo SP).