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Vejo preso aos astros o véu da
prece
O canto desperdiçado e louco a mão
Que morre no adeus. Tudo porém
reaparece
Na água da lágrima que atravessa o
coração
Aumenta o peso do sonho, a alma
cansada
Desfaz-se em sombra em terrível lentidão
Na paisagem parada
Há destroços de aeronave pelo chão.
Amor perdido! O fim da caminhada
A fonte que cessa de cantar, o
fundo
De um vale onde não chega a
madrugada.
E dentro da solidão sem esperança
Uma vontade de novo partir por
este mundo
Levado pela mão de uma criança.

* No Prefácio da 1ª. edição desta Antologia, o poeta Vinícius de Moraes escreveu a propósito dos bissextos: “... poetas que nós, seus íntimos, chamamos cordialmente de bissextos — poetas sem livros de versos — bissextos pela escassez de sua produção, cuja excelência sem embargo os coloca ao lado dos mais citados”
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Antologia dos Poetas
Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, Organização de Manuel
Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Emiliano
Di Cavalcanti (1897 — 1976), nascido no Rio de Janeiro, estudou na Faculdade de
Direito do Largo São Francisco (atual USP-SP), foi pintor modernista, desenhista, muralista,
ilustrador e caricaturista do Modernismo, mas também um poeta bissexto *; O pintor
Di Cavalcanti foi um dos idealizadores e organizadores da Semana de Arte
Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo; expôs seus trabalhos no
Brasil e em cidades pelo mundo afora (Paris, Londres, Berlim, Bruxelas, Amsterdã),
tendo sido por diversas vezes premiado.