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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Di Cavalcanti *: Soneto dos 50 Anos

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Vejo preso aos astros o véu da prece
O canto desperdiçado e louco a mão
Que morre no adeus. Tudo porém reaparece
Na água da lágrima que atravessa o coração

Aumenta o peso do sonho, a alma cansada
Desfaz-se em sombra em terrível lentidão
Na paisagem parada
Há destroços de aeronave pelo chão.

Amor perdido! O fim da caminhada
A fonte que cessa de cantar, o fundo
De um vale onde não chega a madrugada.

E dentro da solidão sem esperança
Uma vontade de novo partir por este mundo
Levado pela mão de uma criança.


* No Prefácio da 1ª. edição desta Antologia, o poeta Vinícius de Moraes escreveu a propósito dos bissextos: ... poetas que nós, seus íntimos, chamamos cordialmente de bissextos poetas sem livros de versos bissextos pela escassez de sua produção, cuja excelência sem embargo os coloca ao lado dos mais citados
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Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Emiliano Di Cavalcanti (1897 1976), nascido no Rio de Janeiro, estudou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (atual USP-SP), foi pintor modernista, desenhista, muralista, ilustrador e caricaturista do Modernismo, mas também um poeta bissexto *; O pintor Di Cavalcanti foi um dos idealizadores e organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo; expôs seus trabalhos no Brasil e em cidades pelo mundo afora (Paris, Londres, Berlim, Bruxelas, Amsterdã), tendo sido por diversas vezes premiado.