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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Basílio da Gama: Soneto a Tupac Amaru

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(Ao Inca que no Peru armando algumas tribos declarou guerra aos Espanhóis e por algum tempo os debelou.)

Dos curvos arcos açoitando os ares
Voa a seta veloz do índio adusto;
O horror, a confusão, o espanto, o susto,
Passam da terra, e vão gelar os mares.

Ferindo a vista os trêmulos cocares,
Animoso esquadrão de Chefe Augusto,
Rompe as cadeias do Espanhol injusto
E torna a vindicar os pátrios lares.

Inca valente, generoso Indiano!
Ao Real sangue, que te alenta as veias,
Une a memória do paterno dano.

Honra as cinzas de dor, de injúrias cheias,
Qu'inda fumando a morte, o roubo, o engano,
Clamam vingança as tépidas areias.

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Cinco Séculos de Poesia — Antologia da Poesia Clássica Brasileira, Seleção, Introdução e Organização de Frederico Barbosa, 2000, Landy Editora, São Paulo — SP; José Basílio da Gama (1741  1795), mineiro nascido no Arraial de São José do Rio das Mortes, hoje Tiradentes, foi poeta do Arcadismo; escreveu Epitalâmio às núpcias da Sra. D. Maria Amália (filha do Marquês de Pombal) e O Uraguai (1769), A declamação trágica (poema dedicado às belas artes, 1772), Os Campos Elíseos (1776), Relação abreviada da República e Lenitivo da Saudade (1788), Quitúbia (1791) ...; além do Rio de Janeiro, também viveu em Roma e em Lisboa, onde veio a falecer; escrevia sob o pseudônimo de Termindo Sipilio.