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[traduzido por Douglas Valeriano Pompeu]
como frígida garça de origami
ou com o orgulho de navios de quatro
mastros cruzando as mesas,
sempre ao norte, ao norte...
bastante cedo cai das claraboias
uma luz derradeira, arde
como nódoa de molho na sua alvura,
amarrotados restam nas bordas dos pratos
com nada além da borboleta rubra
de batom no centro; bastante cedo
com seus congêneres flutuam
pelo purgatório de grandes lavanderias,
não sabendo pra quê pela manhã
ressuscitam sob as mãos ligeiras
das copeiras: será uma dança
de antemão para o cerco,
a beleza de uma capitulação?
o truque tardio de um bêbado,
uma chave que some? ou o chato
zumbir, daquela estampa, errata
de moscas na toalha, seu miúdo e besuntado F?
versuch über servietten
als kühler origamikranich,
oder mir dem stolz von viermastern
über die tische kreuzend,
immer nach norden, nach norden...
früch genug fällt ein letztes licht
durch hohe fenster, brennt sich
als soßenfleck in iht weiß,
liegen sie zerknüllt am
tellerrand,
mit nichts als dem roten
falter
aus lippenstift im innern;
früh genug
schweben sie mit ihresgleichen
durchs fegefeur der großwäscherei,
nicht wissend, wozu sie am
morgen
auferstchen unter den flinken
händen der kellnerinnen: wird
es
ein tänzchen, den belagerten
voraus,
die schönheit einer
kapitulation?
der späte trick eines
betrunkenen,
ein schlüssel, der verschwindet?
oder
das lästige summen, jener
druckfehler
von fliege im tischtuch, ihr
kleines, verschmiertes F?
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Jan Wagner: variações sobre tonéis de chuva, edição bilíngue, Tradução e
Posfácio de Douglas Valeriano Pompeu, 2019, Edições Jabuticaba, São Paulo — SP; Jan Wagner, nascido em 1971,
alemão de Hamburgo, concluiu o ensino médio no Stormarnschule, estudou Inglês e
Anglística em Hamburgo, Dublin e Berlim, formou-se pela Universität Hamburgam,
pelo Trinity College, Dublin, e pela Humboldt-Universität, Berlin, onde
concluiu mestrado, é escritor, tradutor, crítico literário e poeta; suas obras:
Probebohrung im Himmel. Gedichte (2001),
Guerickes Sperling. Gedichte (2004),
Achtzehn Pasteten. Gedichte (2007),
Die
Sandale des Propheten. Beiläufige Prosa. Essays (2011), Regentonnenvariationen.
Gedichte (Variações sobre tonéis de chuva, poesias, 2014) e outros títulos; em
2017, em The Art of Topiary, uma seleção de sua obra foi traduzida para o
idioma inglês, além disso, há também poemas seus traduzidos para outras
línguas; como tradutor, o poeta verteu para o alemão a poesia de Charles Simic,
James Tate, Matthew Sweeney e outros; Jan Wagner colabora regularmente no Frankfurter
Rundschau e em outros jornais e rádios; premiações: Hamburger
Förderpreis für Literatur (2001), Christine-Lavant-Publikumspreis (2003), Mondseer
Lyrikpreis (2004), Ernst-Meister-Preis für Lyrik (2005), Arno-Reinfrank-Literaturpreis
(2006), Friedrich-Hölderlin-Preis der Universität und der Universitätsstadt
Tübingen (2011), Georg-Büchner-Preis (2017) etc.; Jan
Wagner e o também poeta Bjöm Kuhligk coeditaram duas antologias de poesia em
língua alemã: Lyrik von Jetzt — 74 Stimmen (2003) e Lyrik von Jetzt 2
(2008); vive em Berlim.