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brasil
tu te tornas eternamente
responsável
por aquilo que pões em
cativeiro
da febem ao navio negreiro
sei que assusta
perder seus privilégios
somos o plano europeu que não
deu certo
alerto:
reduzir a maioridade
não é questão de segurança
isso é genocídio de criança
extermínio de classe
do moleque roubar o passe
tirar a bola
é oferecer a prisão e não
escola
tratar infância com escolta
então solta
larga o osso
agora não tem almoço
é fácil comer o pão
e o diabo ser o outro
mas vem do nosso rosto
o suor de todos os dias
brasil,
tu quer ser gigante?
então lembra do golias
o poder gestado pelas mãos da
minoria
no país da escravidão
ainda é branca a democracia
é a bancada da bala
e seus projéteis de leis:
onde já se viu
tornar-se adulto aos
dezesseis?
diga aí vocês:
o país seccionado
a fratura está exposta
nossa bandeira não é a mesma
nem durante a copa
alienistas alienados
querem o brasil-condomínio fechado
têm sangue nas mãos
e agora nos olhos
mergulham a bíblia em poça de
ódio
sabe,
meritocracia é fácil
pra quem nasceu no pódio
por trás do discurso, investimentos:
células transformadas em cédulas
empresa de presos
desprezo
por qualquer matéria humana
é o capital privado financiando
as campanha
o jogo é certeiro:
cercar a casa-grande
e colocar dois três porteiros
mas aê, cuidado
com quem você coloca em
cativeiro.
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Pode Pá que é 10! — Antologia de
Poesia e Prosa [diversas autorias], Organização: Mesquiteiros, Apresentação: ‘Literatura
(é) possivel’, de Rodrigo Ciríaco, 2016, Realização: ProacSP, Mesquiteiros, Um por
Todos Todos por Um, Biqueira Literária e Secretaria de Cultura do Estado de São
Paulo; Luiza Romão, nascida em 1992, paulista de Ribeirão Preto, formada em
Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo e pela Escola de Arte Dramática —
EAD ECA-USP, e mestra em Teoria Literária e Literatura Comparada pela FFLCH-USP,
com pesquisa sobre o SLAM no Brasil, é atriz, diretora de teatro,
arte-educadora, poeta e slammer*; por seus traços biográficos,
ficamos sabendo que a poeta “pesquisa as fricções entre a palavra e o cinema,
dirigindo e atuando nos projetos Revide (2016) e Sangria (2017)”; suas obras:
Koketel Motolove (2014), Sangria, edição bilíngue português-espanhol (2017),
Também guardamos pedras aqui (poesia, 2021), Nadine (história de detetive
narrada em versos, 2022); a poeta tem participação e é referência nos SLAMs da
Guilhermina, apresentações poético-performáticas realizadas na ZL em sampa,
junto à estação do metrô Guilhermina — Esperança; criou mais de quinze vídeopoemas,
explorando a linguagem do spoken word; foi laureada com o Prêmio Jabuti de
poesia, versão 2022, pela obra Também guardamos pedras aqui.
* Nota deste Verso e Conversa:
algumas referências sobre SLAM — a) uma palavra inglesa que significa “batida”,
to slam = bater, uma expressão cujo significado se
assemelha ao som de uma “batida” de porta ou janela, “algo próximo do nosso
‘pá!’ em língua portuguesa”, é o que nos diz Cynthia Agra de Brito
Neves, prefaciadora de Antifa — [10 poetas & 30 poemas]; b) nos
anos oitenta do último século passado, consta que, surgido inicialmente em
Chicago — EUA, virou sinônimo de poesia falada; c) a poetry-slam, assim
conhecida, também chamada “batalha das letras”, é uma competição de poesia
falada que traz questões da atualidade para debate; d) no Brasil, o movimento
SLAM veio à tona em 2008; e) slammers: poetas do SLAM, participantes ativos do
SLAM.