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I
Porque há
desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o
cotidiano era um pensar alturas
Buscando
Aquele Outro decantado
Surdo à
minha humana ladradura.
Visgo e
suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de
carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me
o corpo. E que descanso me dás
Depois
das lidas. Sonhei penhascos
Quando
havia o jardim aqui ao lado.
Pensei
subidas onde não havia rastros.
Extasiada,
fodo contigo
Ao invés
de ganir diante do Nada.
(Do
Desejo — 1992)
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Do Desejo: Hilda Hilst [coletânea de
poemas], 1992, Pontes Editores, Campinas — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930
— 2004), paulista de Jaú, cursou o primário e o ginásio como aluna interna no
Colégio Santa Marcelina, o secundário no Instituto Presbiteriano Mackenzie,
ambos em São Paulo, formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo
(Faculdade do Largo São Francisco), foi poeta, ficcionista e dramaturga;
morando em São Paulo, após ter trabalhado por algum tempo em escritório de
advocacia, abandonou a profissão e se dedicou por inteiro à literatura; fez
viagens à Argentina (Buenos Aires), Chile, França (morou em Paris, conheceu
Nice e Biarritz), Itália (Roma), Grécia (Athenas e Creta); de retorno a São
Paulo, visitou Nova Iorque e, de novo, Paris; escreveu e publicou: em poesia, Presságio
(obra de estréia, 1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro
do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária
(1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão
(1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas
Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Sobre a Tua Grande Face (1986), Amavisse (1989),
Alcoólicas (1990), Bufólicas e Do Desejo (ambas em 1992), Exercícios (2002) entre
outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti
(1980), A Obscena Senhora D (1982), Cartas de um sedutor (1991), Contos d'escárnio
(1992), Rútilo Nada (ficção, 1993), Cascos e Carícias: crônicas reunidas
1992-1995 (1998) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (peça O Verdugo, e
várias outras inéditas, 2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios
literários, tendo sido detentora de muitas premiações (dois Grande Prêmio da
Crítica, da APCA — Associação Paulista dos Críticos de Arte, “pelo conjunto da
obra” e “por reedições”; prêmios Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro “por
Cantares de Perda e Predileção, poemas” e “Rútilo Nada, ficção”; Prêmio Moinho
Santista “pelo conjunto de sua obra poética”, entre os quais) e teve livros traduzidos
para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas — SP,
construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos;
hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar
a sua obra e o local onde a autora trabalhou; Hilda Hilst foi cronista do
jornal Correio Popular, em Campinas.



















