
[traduzido por Fernando Koproski]
todos eles continuam publicando
poemas
mas é de se duvidar do que um
poema pode realmente realizar.
séculos de poemas
e nós estamos de volta ao
ponto de partida.
como a filosofia, história,
medicina, ciência, os poemas
parecem
modificar as coisas,
parecem conduzir para uma
saída
aí vacilam diante das
correntes inconstantes e
crescentes
disputas.
um poema não é melhor do que um
bom abridor de latas,
um estepe,
ou
aspirina para uma
dor de cabeça.
o poema não é grande coisa
mas deixa eu te dizer
se não tivesse descoberto
ele
eu estava morto
ou
você estaria morto
estaria
morta
ou
se não morta
então terrivelmente
mutilada
num sentido ou
outro.
ainda assim, um poema pode ser
somente um poema.
versos como esses
flutuando numa página
queimando buracos no rosto da
morte
arrancando a tampa do tubo
da
noite
seguindo esse verão do cão
até o fim da
linha.
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![]() |
| Charles Bukowski |
the poem
they all keep publishing poems
but it’s doubtful what a
poem can really accomplish.
but it’s doubtful what a
poem can really accomplish.
centuries of poems
and we’re back to the
starting point.
and we’re back to the
starting point.
like philosophy, history,
medicine, science, poems seem to
alter things,
seem to lead toward a way
out
then falter against the
changing currents and increasing
odds.
medicine, science, poems seem to
alter things,
seem to lead toward a way
out
then falter against the
changing currents and increasing
odds.
a poem is no better than
a
good can opener,
a spare tire,
or
aspirin for a
headache.
good can opener,
a spare tire,
or
aspirin for a
headache.
the poem isn’t much
but let me tell you
if I hadn’t discovered
it
I would be dead
or
you would be dead
or many people
would be
dead
or
if not dead
then horribly
mutilated
in one sense or
another.
but let me tell you
if I hadn’t discovered
it
I would be dead
or
you would be dead
or many people
would be
dead
or
if not dead
then horribly
mutilated
in one sense or
another.
still, a poem can only
be a poem.
be a poem.
lines like these
floating on a page
burning holes in the face of
death
death
twisting the cap off the tube
of
night
of
night
following the dog of
summer
to the end of his
rope.
to the end of his
rope.
____________________
Amor é tudo que nós dissemos que
não era — Charles Bukowski, Seleção e tradução de Fernando
Koproski, 2012, Editora 7 Letras, Rio de Janeiro — RJ; Henry Charles
Bukowski Jr. (1920 — 1994), ou Heinrich Karl
Bukowski, alemão de Andernach, que desde os dois anos de idade viveu nos
Estados Unidos (inicialmente em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta,
contista e romancista; em 1939, inicia o curso de jornalismo e literatura pela
Los Angeles City College; põe-se a escrever, é expulso de casa, passa a morar
em pensões e, sem emprego, desiste da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e
com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou em empregos
temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois, ingressou
nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; aos 49 anos largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; escreveu e
publicou: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias,
1960), It Catches My Heart in its Hands (coletânea de poesias,
1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live
Beasts (1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love is a Dog from Hell (O amor
é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres, romance,
1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979) e tantos
outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua,
romance que o tornaria famoso, passa a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski
que o acompanha na quase totalidade de seus romances.











