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[traduzido
por Dom Pedro II]
Soneto
A Ursa arquipélago de mar sem
praias
Muito antes de ser vista cintilava;
Inda o pastor caldeu não vagueava
E alma ansiosa, o corpo não ensaias
Inúmeros veem, por tempo que não
tem raias
Sua remota luz, que já os deslumbrava
Indiferente às vista que a
escrutava
Brilhará a ursa quando último morto
caias
Não tens feição cristã, espanto és
do crente
Fatal figura de rigor algente
Sete áureos cravos em pano
enfeitado
Teu medido vagar, frígida luz
Vem turbar minha fé, e isto m’induz
A ver porque eu à noite tenha orado
(Poesias — originais e traduções —
de S. M.
o Senhor D. Pedro II. Homenagem de seus Netos.
Petrópolis, 1889.), em
Nota do tradutor Mello Nóbrega.
La Grande Ourse
La Grande Ourse, archipel de l’océan sans bords,
Scintillait bien avant qu’elle fût regardée,
Bien avant qu’il errât des pâtres en Chaldée
Et que l’âme anxieuse eût habité les corps;
D’innombrables vivants contemplent depuis lors
Sa lointaine lueur aveuglément dardée;
Indifférente aux yeux qui l’auront obsédée,
La Grande Ourse luira sur le dernier des morts.
Tu n’as pas l’air chrétien, le croyant s’en étonne,
O figure fatale, exacte et monotone,
Pareille à sept clous d’or plantés sur un drap noir.
Ta précise lenteur et ta froide lumière
Déconcertent la foi: c’est toi qui la première
M’as fait examiner mes prières du soir.
(Les
Épreuves — 1866)
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Diário Íntimo e Pensamentos: Sully
Prudhomme [+ ‘Poemas de Sully Prudhomme em Traduções Brasileiras’],
Apresentação ‘Prefácio’ de Anders Österling, Tradução e Notas de Mello Nóbrega,
Estudo Introdutivo de Gabriel D’Aubarède, Ilustrações de André Hambourg e
Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Sully Prudhomme, por Gunnar
Ahlström — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1973, Editora Opera
Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Sully-Prudhomme ou René Armand François Prudhomme (1839
— 1907), francês e parisiense, ingressou no Liceu Bonaparte, pretendia ser
engenheiro, desistiu, trabalhou como escriturário em fábrica, estudou Direito,
foi pensador, ensaísta e poeta; pertenceu ao grupo de poetas parnasianos que foram
responsáveis pela publicação de Parnasse Contemporain; elegeu-se para a Academia
Francesa (1881) e foi o primeiro autor literato a receber o recém-criado Prêmio
Nobel de Literatura (1901); obras poéticas: Stances et Poèmes (1865), Les Épreuves
(1866), Les Solitudes (1869), Impressions de la guerre (1870), Les Destins (1872),
La France (1874), Les Vaines tendresses (1875), La Justice (1878), Le Prisme, poésies
diverses (1886), Le Bonheur (1888) e outros escritos (diário e pensamentos); o
pensador Sully Prudhomme deixou publicado ensaios filosóficos e prosa variada
na Bibliothèque de philosophie contemporaine e nos periódicos Revue de deux
Mondes, Revue scientifique, La Nature, Revue de Métaphysique et de Morale e
Nouvelle Revue Internationale Européenne; de sua biografia, consta que o poeta,
desde 1870, teve “a saúde abalada”, sofreu paralisia em “toda parte inferior do
corpo” e após a qual “nunca mais recobraria integralmente sua capacidade
[motora].