Mostrando postagens com marcador Ana Brancher. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ana Brancher. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de maio de 2019

Ernani Rosas: Era Sol-Posto, a paz que ali reinava * . . . [soneto]

Resultado de imagem para História do gosto e outros poemas ernani rosas
____________________
Era Sol-Posto, a paz que ali reinava
o coração de mágoa envelhecia
e a luz crepuscular já declinava
numa sentimental melancolia!

Parecia do céu, que se exilava
descer chorando aos mundos da agonia
e a essência da su’alma ali morava
como doce, perdida nostalgia...

E foi, assim na vida se extinguindo,
como a pálida chama que amortece
aquele olhar crepuscular fugindo!...

Pra que eu ficasse amando da Saudade
a Branquidão da paz de toda Aldeia,
quando eu tornar à minha Soledade!

16-4-912

Resultado de imagem para Ernani Rosas


* Nota de Ana Brancher: Poema datilografado em lilás
____________________
História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886  — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes** encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes  (2008).

** Nota II: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

segunda-feira, 4 de março de 2019

Ernani Rosas: Hora de Insônia

Resultado de imagem para História do gosto e outros poemas ernani rosas
____________________
Noite sem termo! A Lua erra em delírio,
balbucio palavras sem querer...
cismo no olor vernal d’alma de um lírio,
e sou memória d’algo a transcender...

Sofro-lhe a ausência. A carne é meu martírio,
Ressurjo... amo a visão do meu Não-Ser!
Todo meu corpo é amorfa névoa  círio...
volúpia de um perfume a se perder.

Cismo na errante estrela, que deslumbra
o vaso de teu ser dentre o relento
num murmúrio de fonte que ressumbra!

Sou o olfato! Amo as horas de um jardim...
Sou uma vaga sonora em pensamento:
Eflúvio lirial que vens a mim!...

Resultado de imagem para ernani rosas
____________________
História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886  — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes  (2008).

Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Ernani Rosas: A Pereira da Silva *

Resultado de imagem para História do gosto e outros poemas ernani rosas
____________________
A Tristeza é um prenúncio d’Alegria,
Alegria é um prenúncio de tristeza,
cada ser que floresce é um’Alma presa
a um ritmo de perfume que nos guia

Por isso que te fiz névoa de dia
a sombra de minh’alma, na pureza**
dessa luz interior, que me alumia...
e revela alguém pela incerteza!

Quando em idílio romântico cintila
o teu perjuro olhar emudecendo,
ante o fulgor de lúcidas pupilas...

Sinto, que vais de mim Te transmudando!
para uma nova vida te ascendendo...
candeia dos meus-Olhos se apagando!

910

Resultado de imagem para Ernani Rosas

Notas de Ana Brancher:
* Datilografado em lilás. Logo abaixo do título, há uma interrogação como se fosse uma dúvida de Ernani Rosas; o poema está riscado por um grande X; o primeiro terceto está manuscrito a lápis, num corte entre os dois quartetos e o último terceto. Fica a impressão de que Ernani Rosas teria eliminado o poema da plaquete. As iniciais dos primeiros versos das estrofes estão datilografadas em vermelho;
** Está riscada, mas sem reescritura.
____________________
História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886  — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O ImparcialMaçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes*** encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes (2008).

*** Nota II: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Ernani Rosas: Vontade Oculta

Resultado de imagem para História do gosto e outros poemas ernani rosas
____________________
Toda uma força oculta nos domina,
entrechoca-se as ânsias com o desejo;
nossos sonhos são nômadas no adejo
de incontida vontade peregrina...

Ao longe, muito longe em moribunda
claridade de tarde sibilina
adejam as esperanças na neblina,
que a natureza extática circunda...

Há sempre um sonho a esvoaçar na mente,
mas a força divina, que desmente,
arsilada* de todo o coração...

Porque a aurora é uma pálida Quimera!
Talvez, efeito de avernal cratera
da luxuriante chaga de um vulcão!...

943

Resultado de imagem para ernani rosas

* Nota de Ana Brancher: Está: “arsillada”. Palavra não dicionarizada. Talvez um neologismo a partir de “ársis”, no sentido de elevação do tom ou da voz, no verso com sentido figurado; talvez “ancilada” a partir do substantivo feminino “ancila” (escrava, serva). Talvez “asilada”.
____________________
História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886  — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, MaçãA Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes ** encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) e Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes  (2008).

** Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Ernani Rosas: Quando cessar o mórbido tormento . . . [soneto]

Resultado de imagem para História do gosto e outros poemas ernani rosas
____________________
Quando cessar o mórbido tormento
das misérias do fado que nos resta?
buscaremos os encantos da floresta,
a blasfêmia da fonte contra o vento...

A maldição da noite contra a vida,
as injúrias dos astros contra a aurora;
os soluços da alma arrependida
ante a desesperança de quem chora!

Porque tudo é agônico desejo,
sôfrego e amargo em fuga p’la ironia
do destino cruel que sempre vejo:

Esfarrapado à porta das herdades
de crestados jardins com ramarias...
Que me foram perjuros n’outra idade!...1

Rio 950

Resultado de imagem para ernani rosas

1 Nota de Ana Brancher: Há uma variante do terceto final: “Esfarrapado à porta de um castelo, / de crestados jardins quase em agonia, / morto de amor pelos seus olhos belos!... 950 Rio E. Rosas”
____________________
História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886  — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio  (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes (2008).

Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Ernani Rosas: Violino da Saudade

Resultado de imagem para História do gosto e outros poemas ernani rosas
____________________
A Paul de Verlaine1

Encantado violino da Saudade,
que desenterras o meu tempo azul;
enlaivado da mágoa, que me invade
pelo silêncio da minh’alma êxul2...

Choras... e o teu soluço se ilumina
como via-láctea que nest’alma mora
sacode-o brutalmente, e se a domina
põe suspiros de vento numa aurora...

Eis a razão de tudo colorido:
olfato, paladar, ouvido, olhar...
rompe da sacada, assim como um gemido!...

É uma forma de ser mais singular...
que anseia muito além do meu sentido,
Remotíssima3 orquestra a voz de um mar!...

918 Rio...

Resultado de imagem para ernani rosas

Notas de Ana Brancher: 
1 Paul Verlaine (1844  1896) autor de Les Poètes Maudits; os simbolistas denominaram-se “malditos” a partir do aparecimento deste livro de Verlaine;
2 Ernani Rosas acentua a palavra como “exúl” (oxítona) e não “êxul” (paroxítona). Segundo Andrade Muricy, o adjetivo “êxul” era muito usado pelos simbolistas, sempre como oxítona;
3 Está “remotisso”, palavra não dicionarizada. Considerando a métrica (versos decassílabos), pode ser “remotíssima”.
____________________
História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886  — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, MaçãA Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro —  Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes  (2008).

Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Ernani Rosas: Amores da Lua

Resultado de imagem para História do gosto e outros poemas ernani rosas
____________________
És a lua da minha-meia-noite
e vou contar-Te a lenda merencória
de uma Lua, que morta foi a glória
do mar, do vento num funesto açoite:

"Incendiou-se a nau da fria Lua,
Imergindo1 no mar adormecido...
o mastro ao mergulhar2 na onda tressua
na incerteza, que a lua haja morrido!"

Temo a tua beleza e essa magia,
que me enerva de astral melancolia...
nesse amavio de teu vil ressábio...

Amo as glórias do Sol ao fim do dia!...
e no libar o pomo de teu lábio,
cendrava-se o sabor que me sabia...

932


Notas de Ana Brancher:
1 Rasura: “imergindo-se”; reescritura a lápis preto: “imergindo”.
2 Rasura: “partir”; reescritura a lápis preto: “mergulhar”.
____________________
História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886  — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O ImparcialMaçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes  (2008).

Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

domingo, 3 de setembro de 2017

Ernani Rosas: Clarividência

Resultado de imagem para História do gosto e outros poemas ernani rosas
____________________
Vem comigo beber o vinho amargo
dos nossos tenebrosos desenganos:
Mensageira leal da flor dos anos,
celeste, como a paz d’alma letargo...

Deixa a nobreza dos brasões tiranos
e faz-Te à noite adusta do mar largo,
consome-Te na fé dos teus enganos
Que o mundo para o homem é um vil encargo!...

Vens dos Infernos, das paixões adustas
para os etéreos de ilusões venustas....
acarretado de nevrose e Spleen!

Para irmanar-Te às nossas boas almas,
Que são pujantes celestialmente, calmas...
qual céu d’Amor, que Te concedo, enfim!...

16.8.912

Resultado de imagem para Ernani Rosas
____________________
História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organizado por Ana Brancher, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes * encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) e Cidade do Ócio entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; pelas plaquetes, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz. 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Ernani Rosas: Ah! quando est'alma heróica e descontente . . . [soneto]

Resultado de imagem para História do gosto e outros poemas ernani rosas
____________________
Ah! quando est’alma heróica e descontente
Libertar-se da carne, que a reveste...
Ela, há de adejar incertamente
às paredes de um corpo, mais celeste...

Como uma C’ruja às horas do sol-poente...
entorno de uma torre esburacada,
que será nosso ser, macabramente,
nos assomos da carne desmanchada!...

Não ter ficado Eu, entre as ruínas!
expor à luz dos séculos hiantes...
oculto sob as heras e boninas;

E depois, percorrer meu próprio ser!
em adejos inúteis e inconstantes...
como a andorinha à "Torre-do-Não-Ser"!...

1918
Rio de Janeiro

____________________
História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes * encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) e Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes (2008).

* Notaplaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Ernani Rosas: Monólogo das Coisas . . .

Resultado de imagem para História do gosto e outros poemas ernani rosas
____________________
Que vida religiosa, parecia
sonhar na paz d’aquele cemitério
as plantas tinham alma e a voz dizia
que falavam p’la boca do mistério!...

Tudo revela, misteriosamente...
As árvores eram numes, que falavam,
e num vago silêncio do inconsciente...
eram sonhos silentes, que rezavam?...

Sobre a Asa de um sonho, quero tê-las!
sim, oniricamente, comovidas...
ver a noite passar sobre as estrelas!...

E os Astros, repetir quase em segredo:
num músico murmúrio... porque a vida:
E um sussurro orquestral de vão degredo!...

Resultado de imagem para Ernani Rosas
____________________
História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobbliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas e em Poesias Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, incluídos manuscritos e plaquetes * encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) e Cidade do Ócio entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.