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Era Sol-Posto, a paz que ali
reinava
o coração de mágoa envelhecia
e a luz crepuscular já
declinava
numa sentimental melancolia!
Parecia do céu, que se exilava
descer chorando aos mundos da
agonia
e a essência da su’alma ali
morava
como doce, perdida
nostalgia...
E foi, assim na vida se
extinguindo,
como a pálida chama que
amortece
aquele olhar crepuscular
fugindo!...
Pra que eu ficasse amando da
Saudade
a Branquidão da paz de toda
Aldeia,
quando eu tornar à minha
Soledade!
16-4-912

* Nota de Ana Brancher: Poema datilografado em lilás
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História do Gosto e Outros
Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan
Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis —
SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 — 1955), catarinense de Desterro, atual
Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na
cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e
também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e
irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou
uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade;
foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato;
colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época;
sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de
Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e
Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra
poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização
de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e,
em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da
Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os
manuscritos e plaquetes** encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense
de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros
Poemas (1997) e Cidade do Ócio — entre sonetos e
retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes (2008).
** Nota II: plaquetes:
este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e
Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta,
são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de
embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que
Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio,
A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

