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[traduzido
por Ary de Mesquita]
XXXIX.
Diz que
outrora um cavalheiro
Adorava
uma donzela,
Que amava
outro, e que, um dia,
Foi saber
que não a ela,
Mas a
outra este queria.
De rancor
e de despeito,
Ao
primeiro namorado
Ela
aceita o casamento,
E o
cavalheiro, coitado!
Vai
morrer de sofrimento.
* * *
Tais
histórias são antigas,
Antigas
como as estrelas,
Mas
sempre novas serão,
E a quem
sucede uma delas
Se lhe
parte o coração.
(Livro das Canções [inclui Intermezo Lírico] — 1827)
Ein Jüngling liebt ein Mädchen
Lied XXXIX.
Ein
Jüngling liebt ein Mädchen,
Die hat
einen andern erwählt;
Der andre
liebt eine andre,
Und hat
sich mit dieser vermählt.
Das
Mädchen heiratet aus Ärger
Den
ersten besten Mann,
Der ihr
in den Weg gelaufen;
Der
Jüngling ist übel dran.
Es ist
eine alte Geschichte,
Doch
bleibt sie immer neu;
Und wem
sie just passieret,
Dem bricht das Herz entzwei.
[1822]
(Buch der
Lieder [+ Lyrisches Intermezzo] — 1827)
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Clássicos
Jackson, Volume XXXIX — Poesia, 2º. Volume [vários autores e tradutores] — Selecção
e Notas de Ary de Mesquita, 1958, W. M. Jackson Editores, Rio de Janeiro — RJ; Christian
Johann Heinrich Heine (1797 — 1856), alemão de Dusseldorf, formou-se em Direito,
estudou nas universidades de Bonn, Göttingen e Berlim, sempre se interessou mais
pela literatura, foi poeta, ensaísta, jornalista e crítico literário; em 1817, teve
poemas publicados pela primeira vez na revista Hamburgs
Wächter; frequentou salões e círculos literários berlinenses, traduziu obras
de Lord Byron; teve boa parte de sua obra lírico-poética musicada por renomados
compositores: Franz Schubert, Robert Schumann, Felix Mendelssohn, Brahms, Hugo Wolf,
Richard Wagner, e, já no século XX, por José Maria Rocha Ferreira, Hans Werner Henze
e Lord Berners; Heine, devido a suas posições político-progressistas e críticas
à Alemanha, sofreu censura, seus livros estiveram proibidos de circular no país
e, em 1831, o poeta foi forçado a se mudar para Paris; viveu no exílio até a morte
— parte deste período esteve “permanentemente acamado devido a uma doença espinhal”
que o paralisou; suas obras: Gedichte (Poesias, 1821), Reisebilder (Quadros de Viagem,
4 volumes, prosa, 1826—1831), Buch der Lieder [+ Lyrisches
Intermezzo] (Livro das Canções [inclui Intermezo
Lírico — 20 poemas], poesias, 1827), Neue
Gedichte (Novos Versos, 1844), Hebraïsche Melodien (Melodias Hebraicas), Lyrische
und Spruchwitz-Dichtung (Poesia Lírica e sarcástica), Deutschland. Ein Wintermärchen
(Alemanha. Um Conto de Inverno, poema satírico, 1844), Atta Troll — Ein Sommermachtstraum (Atta Troll — sonho de uma noite de verão, 1847), Romanzero (Romanceiro,
poesias, 1851), Der Doktor Faust — Ein Tanzpoem (Doutor Fausto — um poema-dança,
1851), Die Götter im Exil (Os deuses no exílio, 1853), Letzte Gedichte (Últimos
Versos, publicação póstuma, 1869), entre outros títulos, inclusive prosa.

