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domingo, 12 de abril de 2026

Geir Campos: Pluriamante

 
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Teu coração aberto é como um poço
quanto mais dele tiram, mais aumenta:
se no de outros só cabe uma pessoa,
no seu cabe sete vezes setenta.

Multiplicas a vida, que se escoa,
pela aversão a qualquer morte lenta,
e assim te fazes muitas vezes moço
com tudo o que isso em flama representa.

Alto, contra a rotina rabugenta
que o padre e o juiz de paz, a lápis grosso,
riscam cercando a sorte da pessoa,

declaras o amor breve coisa boa
e provas: cada prova traz o endosso
de uma nova mulher que o experimenta.

(Canto Provisório [Meta Lírica], 1960)

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Antologia Poética — Geir Campos, Organização e Projeto gráfico de Israel Pedrosa, + Textos ‘Cantigas de acordar mulher’, por Moacyr Félix, e ‘Geir Campos — autêntica voz poética’, por Antônio Houaiss, 2003, Léo Christiano Editorial Ltda., Rio de Janeiro — RJ; Geir Nuffer Campos (1924 1999), nascido em São José do Calçado ES, formado em Direção Teatral (FEFIERJMEC, Rio de Janeiro), mestre e doutor em Comunicação Social (UFRJ), foi piloto da marinha mercante, professor universitário, poeta, jornalista, radialista, tradutor e ativista cultural; colaborou nos periódicos cariocas O Semanário, Paratodos, Jornal de Letras, Diário Carioca, Diário de Notícias e A Noite; foi co-fundador, junto com o poeta Thiago de Mello, das Edições Hipocampo, em 1951, que revolucionaram as artes gráficas no Brasil; deixou-nos extensa obra e de grande valor; escreveu e publicou Rosa dos Rumos (poesia, 1950), Arquipélago (poesia, 1952), Coroa de Sonetos (1953), Da Profissão do Poeta (1956), Canto Claro e Poemas anteriores (1957), Operário do Canto (1959), O Gato Ladrão (teatro infantil, 1959), O Sonho de Calabar (teatro, 1959), A Verdadeira História da Cigarra e da Formiga (teatro infantil, 1960), Canto Provisório (1960), Carta aos Livreiros do Brasil (ensaio, 1960), Cantigas de acordar mulher (1964), Rúben Dário, Poeta Participante (ensaio, 1967), Édipo-Rei, de Sófocles (teatro, 1967), Metanáutica (poesia, 1970), Castro Alves ou o Canto da Esperança (teatro, 1972), Diz que sim & Diz que não, de Brecht (teatro, 1977), Canto de Peixe e Outros Cantos (1977), O Vestíbulo (conto, 1979), Tradução e Ruído na Comunicação Teatral (ensaio, 1981), Conto & Vírgula (1982), Pequeno Dicionário de Arte Poética (dicionário, 1960 e diversas outras edições), O que é Tradução (1986) e outros títulos, além de participação em antologias poético-literárias; traduziu textos de Rilke, Kafka, Daniel Defoe, Brecht, Walt Whitman etc.; recebeu premiações por sua obra.

terça-feira, 12 de março de 2019

Friedrich Hölderlin: Coragem poética

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[traduzido por Moacyr Félix]

(primeira versão)

Acaso não és ligado a todos os seres vivos?
Ao seu serviço, não te nutre a mesma Parca?
Por isso mesmo, não tenhas cuidado
E anda sem armas através da vida.

Seja bendito tudo o que te suceder,
E transformado em alegria! Ó coração,
Que afronta ou evento te estorvariam
Lá naquela trilha em que deves ir?

Assim como desliza o leve nadador,
Ora tranquilo e junto à praia, ora na espuma
Alta de uma tranquila onda que se encrespa, ou sobre
O silêncio dos líquidos abismos,

Assim também nós, poetas do povo, gostamos
De estar em meio à vida que respira e ondula,
Amados de cada um, em todos confiando.
Senão, como cantar os próprios deuses?

E se num redemoinho as águas arrastam
Um desses ousados que ali se lhes confia,
E se, desde então, a voz do cantor
Sob as azuis arcadas emudece

Feliz é que ele morre, e os bosques solitários
Gemem a grande perda do seu mais amado;
E com frequência a virgem escuta
Vir das ramagens o amoroso canto.

Ao cair da noite, quando passa um dos nossos
Sobre os ermos que viram sucumbir o irmão,
Pensa por certo na alertante área,
E canta, e fortalecido prossegue.

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Friedrich Hölderlin

Dichtermut

(Erste Fassung)

Sind denn dir nicht verwandt alle Lebendigen?
Nährt zum Dienste denn nicht selber die Parze dich?
Drum! so wandle nur wehrlos
Fort durchs Leben und sorge nicht!

Was geschiehet, es sei alles gesegnet dir,
Sei zur Freude gewandt! oder was könnte denn
Dich beleidigen, Herz, was
Da begegnen, wohin du sollst?

Denn, wie still am Gestad, oder in silberner
Fernhintönender Flut, oder auf schweigenden
Wassertiefen der leichte
Schwimmer wandelt, so sind auch wir,

Wir, die Dichter des Volks, gerne, wo Lebendes
Um uns atmet und wallt, freudig und jedem hold,
Jedem trauend; wie sängen
Sonst wir jedem den eignen Gott?

Wenn die Woge denn auch einen der Mutigen,
Wo er treulich getraut, schmeichelnd hinunterzieht,
Und die Stimme des Sängers
Nun in blauender Halle schweigt,

Freudig starb er und noch klagen die Einsamen,
Seine Haine, den Fall ihres Geliebtesten;
Öfters tönet der Jungfrau
Vom Gezweige sein freundlich Lied.

Wenn des Abends vorbei Einer der Unsern kömmt,
Wo der Bruder ihm sank, denket er manches wohl
An der warnenden Stelle,
Schweigt und gehet gerüsteter.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã  Antologias de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro  RJ; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 1843), alemão de Lauffen am Neckar, foi poeta lírico, romancista e filósofo; bibliografia: A Morte de Empédocles (fragmentos, 17971800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (17971799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826) etc.