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Eras em plena mocidade, quando
Da nossa casa, um dia, te
partiste;
E eu, coitado, sem mãe, pequeno e
triste,
Fiquei por esta vida caminhando.
Assim — no meu amor teu rosto
brando
Do tempo à ação maléfica resiste,
E o meu é, hoje, como nunca o
viste,
Tanto o passar da idade o foi
mudando.
Tão velho estou, que já me não
conheces;
Nem poderias ver no que te chora
Esse a quem ensinaste tantas
preces.
E tão moça ainda estás que (se
memora
A saudade o teu vulto) — me apareces
Como se fosses minha filha agora.

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Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Antônio Constâncio Alves (1862 — 1933), baiano de Salvador, formado pela Faculdade de Medicina da Bahia, foi jornalista, orador, ensaísta e poeta bissexto; tendo exercido o jornalismo desde os tempos de estudante, na Bahia, ao transferir-se para o Rio de Janeiro trabalhou longamente no Jornal do Brasil e por mais tempo ainda no Jornal do Commercio, onde escrevia sobre todos os assuntos da cultura, menos os de política; pertenceu à Academia Brasileira de Letras; embora formado, nunca exerceu o ofício de médico; sua obra: Da cremação e inumação perante a higiene (tese, 1885), Figuras (perfis biográficos, 1921), A sensibilidade romântica (conferência, 1928), Memórias de Antônio Ipiranga (romance coletivo, na Revista da ABL, 1928), Gregório de Matos (Obras de Gregório de Matos, IV Satírica, volume I, 1931).