
____________________
[tradução de J. Guinsburg e Zulmira Ribeiro Tavares]
O mundo está atulhado de clãs e de pátrias.
Os povos aclamam os homens que bradam.
E à medida que soltam seus clamores soturnos,
os ricos vão às suas festas e os pobres às suas.
O homem toma a mulher e lhe dá alegria.
À sua volta se desdobra a presença divina.
A lâmpada abre a porta ao sonho que torna.
O gato se atirou à sua sombra e a guarda.
O poeta assentou praça face a si mesmo
e espera que a noite lhe sopre um poema.
A criança debruçada em um livro de figuras
segue o voo de um milhano que persegue as nuvens.
Nos mosteiros os monges meditam.
Os corvos corvejam. Os mestres gritam.
____________________
Quatro Mil Anos de Poesia — vários autores, Organização e Prefácio de J. Guinsburg e Introdução de Zulmira Ribeiro Tavares, 1969, Editora Perspectiva, São Paulo — SP; Iossef Milbauer (1897 — 1970), polonês de Varsóvia, estudou na Bélgica, foi escritor, poeta, tradutor e pintor; como conhecedor do idioma francês, traduziu para esta língua textos de poetas e contistas representativos da literatura hebraica moderna (Pages Israéliennes, Pages Juives, Quelques Poètes Hébreux, ...); de sua autoria, entre outros títulos, escreveu e publicou Chants Orbes (Cantos Censurados) e Jourdain et Autres Poèmes (Jordão e Outros Poemas); desde 1944 viveu em Jerusalém.