
No fim de
um mundo melancólico
os homens
lêem jornais.
Homens indiferentes
a comer laranjas
que ardem
como o sol.
Me deram
uma maçã para lembrar
a morte. Sei
que cidades telegrafam
pedindo
querosene. O véu que olhei voar
caiu no
deserto.
O poema
final ninguém escreverá
desse mundo
particular de doze horas.
Em vez de
juízo final a mim me preocupa
o sonho
final.
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| João Cabral de Melo Neto |
[translated by James Wright]
The end of the world
At the end of a melancholy world
men read the newspapers.
Men indifferent to eating oranges
that flame like the sun.
They gave me an apple to remind
me
of death. I know
that cities telegraph
asking for kerosene. The veil I saw flying
fell in the desert.
No one will write the final poem
about this private twelve o'clock world.
Instead of the last
judgment, what worries me
is the final dream.
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An Anthology of Twentieth-Century
Brazilian Poetry — Edited, with Introduction, by Elizabeth Bishop and
Emanuel Brasil, 1972, Wesleyan University Press, Middletown,
Connecticut — USA; João Cabral de Melo Neto (1920 — 1999),
pernambucano de Recife, serviu na carreira diplomática em vários países
e foi poeta, considerado como um dos maiores autores de poesia brasileira;
obra poética: Pedra do sono (1942), O engenheiro (1945), O cão
sem plumas (1950), O rio (1954), Quaderna (1960), A
educação pela pedra (1966), Morte e vida severina e outros poemas em voz
alta (1966), Museu de tudo (1975), A escola das facas (1980), Auto do frade (1986), Crime na Calle Relator (1987), Sevilla
andando (1989) etc; em prosa, publicou O Brasil no arquivo das Índias de
Sevilha, uma pesquisa histórico-documental, editado pelo Ministério das
Relações Exteriores, Considerações sobre o poeta dormindo (1941) e Juan Miró (1952); por diversas vezes recebeu prêmios literários no Brasil e no
exterior.
